O crescimento das fraudes no Pix em 2024 surpreendeu o mercado financeiro. Segundo dados do Banco Central, o prejuízo com golpes alcançou R$ 4,9 bilhões, um aumento de 70% em relação a 2023. Para entender esse fenômeno e o que esperar daqui para frente, conversamos com Lígia Lopes, CEO da Teros e especialista em inteligência de dados aplicada à segurança financeira.
Principais fatores por trás do aumento das fraudes no Pix
De acordo com Lígia Lopes, as características do Pix explicam grande parte da vulnerabilidade:
“O Pix tem uma combinação de características que o torna mais suscetível a fraudes do que outras formas de pagamento, a começar pelo fato de sua liquidação ser instantânea.”
Além disso, ela destaca outro ponto crítico:
“O Pix não tem mecanismo de devolução, por isso depende da boa vontade do recebedor retorná-lo.”
Assim, a facilidade de acesso às chaves (como CPF, telefone e e-mail) e a dificuldade de reverter transações fraudulentas criam um ambiente propício para a ação de criminosos.
Outro fator apontado pela especialista foi a explosão da digitalização:
“A digitalização acelerada durante e após a pandemia trouxe muitos brasileiros para o ambiente digital, nem sempre com o preparo necessário em termos de segurança.”
Portanto, a combinação entre tecnologia rápida, usuários inexperientes e redes criminosas organizadas alimentou o avanço das fraudes no Pix.
Tendências em segurança digital e combate às fraudes no Pix
Para os próximos anos, a expectativa é de que novas soluções tornem o sistema financeiro mais seguro. Lígia Lopes afirma:
“O Open Finance ajuda a mitigar essas vulnerabilidades ao criar uma infraestrutura mais segura, transparente e inteligente para o sistema financeiro.”
Com a funcionalidade de iniciação de pagamento e o uso de dados consentidos, o Open Finance já reduz riscos de exposição, como explica:
“O Pix pode ser realizado sem que o usuário precise compartilhar diretamente dados sensíveis como CPF, e-mail ou telefone, reduzindo o risco de exposição indevida.”
As instituições financeiras, portanto, devem investir desde já em tecnologias de autenticação robustas e sistemas de monitoramento de comportamento para agir preventivamente contra as fraudes no Pix.
Open Finance: solução de curto e longo prazo contra fraudes no Pix
Segundo Lígia Lopes, o Open Finance representa uma verdadeira transformação do sistema financeiro:
“No curto prazo, ele já oferece benefícios concretos, como acesso a produtos financeiros mais personalizados, taxas mais competitivas e maior facilidade na gestão das finanças pessoais.”
No longo prazo, ela aponta mudanças ainda mais profundas:
“Veremos o surgimento de soluções integradas com outras áreas da economia, além de um ecossistema mais colaborativo entre bancos, fintechs e outros agentes.”
Além disso, a consolidação do Open Finance é essencial para fortalecer a segurança.
Portanto, a evolução contínua das plataformas digitais e a colaboração entre agentes do mercado serão fundamentais para conter o crescimento das fraudes no Pix nos próximos anos.
O avanço das irregularidades no Pix mostra que, embora o sistema de pagamentos instantâneos tenha revolucionado o mercado financeiro, ele também trouxe novos desafios em termos de segurança.
O sucesso no combate a essas ameaças depende de estratégias que combinem tecnologia avançada, conscientização dos usuários e colaboração entre instituições.
O Open Finance surge como uma resposta poderosa, capaz de oferecer mais controle, transparência e proteção para os dados financeiros.
No entanto, o cenário exige ação imediata: bancos, fintechs e consumidores devem trabalhar juntos para fortalecer a segurança e reduzir o espaço para atuação de fraudadores.
Portanto, enfrentar o crescimento das fraudes no Pix é essencial para garantir a confiança e a sustentabilidade desse meio de pagamento no futuro.


