A seguir:
- A IA começa a prescrever remédios nos Estados Unidos em um programa piloto no estado de Utah
- O sistema automatiza renovações de medicamentos de uso contínuo e exclui drogas sensíveis
- O projeto levanta debates sobre segurança, custos e o futuro da medicina digital
A inteligência artificial começa a prescrever remédios nos Estados Unidos por meio de um projeto-piloto considerado histórico para o setor de saúde. A iniciativa ocorre no estado de Utah e envolve uma parceria direta com a startup de IA médica Doctronic.
O programa autoriza que sistemas automatizados renovem receitas de medicamentos específicos, sem a participação direta de um médico em consultas de rotina.
Embora o anúncio oficial tenha ocorrido em 6 de janeiro, o sistema já opera de forma discreta desde dezembro.
Desde então, autoridades estaduais acompanham os resultados com atenção, já que a IA começa a prescrever remédios nos Estados Unidos em um cenário classificado como de alto risco regulatório e social.
Como a IA começa a prescrever remédios nos Estados Unidos
No modelo adotado em Utah, o paciente acessa uma plataforma online que verifica sua localização física dentro do estado. Em seguida, o sistema cruza automaticamente o histórico médico e identifica quais medicamentos podem ser renovados.
Esse processo garante que a IA comece a prescrever remédios apenas dentro dos limites legais definidos.
Após essa etapa, a inteligência artificial conduz uma triagem clínica digital. O paciente responde a perguntas semelhantes às feitas em consultas tradicionais, como sintomas atuais, reações adversas e mudanças no quadro de saúde.
Quando não surgem sinais de alerta, a plataforma emite a prescrição e envia a receita diretamente para a farmácia escolhida.
Quais medicamentos entram no programa de IA nos EUA
Atualmente, o programa cobre 190 medicamentos de uso contínuo, incluindo tratamentos para condições comuns e crônicas. No entanto, a iniciativa exclui categorias consideradas sensíveis.
Analgésicos potentes, medicamentos para TDAH e remédios injetáveis não fazem parte do escopo autorizado.
Segundo a Doctronic, essa limitação reduz riscos e garante que a IA comece a prescrever remédios apenas em cenários de baixa complexidade clínica.
Além disso, o sistema interrompe automaticamente qualquer processo em que identifique inconsistências ou dúvidas médicas.
Custo e acesso ao serviço automatizado
Cada renovação realizada pela inteligência artificial custa US$ 4, valor descrito pela empresa como temporário.
Para pacientes que desejam acompanhamento humano, a plataforma também oferece consultas por vídeo com médicos licenciados por US$ 39, opção disponível após a triagem automatizada.
Esse modelo híbrido busca ampliar o acesso à saúde, principalmente em regiões com escassez de profissionais.
Assim, a IA começa a ser utilizada como ferramenta complementar, e não como substituta imediata do atendimento médico tradicional.
Governo de Utah avalia riscos e benefícios
Autoridades estaduais reconhecem que o projeto envolve riscos regulatórios. Ainda assim, o governo de Utah defende a iniciativa como necessária para aliviar a sobrecarga do sistema de saúde.
Áreas rurais enfrentam falta crônica de médicos, o que dificulta até mesmo renovações simples de receitas.
Segundo a diretora-executiva do Departamento de Comércio do estado, a automação pode reduzir custos para pacientes e profissionais.
Para o governo, permitir que a IA comece a prescrever remédios em situações controladas representa um teste importante para o futuro da saúde digital.
Entidades médicas alertam para limites da automação
Apesar dos avanços, associações médicas demonstram preocupação. A American Medical Association afirma que a inteligência artificial oferece benefícios relevantes, mas também apresenta riscos quando atua sem supervisão direta.
Entre os principais alertas estão: falhas na identificação de interações medicamentosas e ausência de julgamento clínico mais subjetivo.
Mesmo assim, a Doctronic sustenta que seu sistema passou por testes rigorosos. A empresa afirma que comparou a IA com médicos humanos em 500 atendimentos de pronto-socorro, alcançando 99,2% de concordância nas decisões clínicas.
O avanço em Utah transforma o estado em um laboratório regulatório observado de perto por outros países.
À medida que a IA começa a prescrever remédios, cresce o debate sobre até onde a automação pode ir na medicina sem comprometer a segurança dos pacientes.
Para especialistas, o projeto marca um divisor de águas. O sucesso ou fracasso dessa experiência deve influenciar políticas públicas, regulações futuras e a adoção global de inteligência artificial no setor de saúde.




