A seguir:
- Estudo mostra que agentes de IA preferem Bitcoin em vez de moedas fiduciárias, com quase metade das respostas apontando para a criptomoeda.
- Bitcoin lidera como reserva de valor, com mais de 79% das escolhas em cenários de preservação de riqueza no longo prazo.
- Stablecoins dominam pagamentos digitais, enquanto moedas fiduciárias praticamente não aparecem como preferência entre modelos de IA.
A relação entre inteligência artificial e dinheiro digital começa a ganhar novos capítulos. Um estudo recente do Bitcoin Policy Institute revelou que agentes de IA preferem Bitcoin em vez de moedas fiduciárias em diferentes cenários econômicos simulados.
Além disso, o levantamento indica que sistemas de inteligência artificial também demonstram forte inclinação por ativos digitais, reforçando a crescente relevância das criptomoedas no ambiente tecnológico.
De acordo com a pesquisa, os modelos de IA analisados escolheram o Bitcoin com frequência significativamente maior do que moedas tradicionais emitidas por governos.
Assim, o resultado levanta discussões importantes sobre como sistemas inteligentes podem interpretar valor, reserva financeira e autonomia econômica no ambiente digital.
Estudo mostra que agentes de IA preferem Bitcoin em cenários econômicos
O estudo conduzido pelo Bitcoin Policy Institute avaliou 36 modelos de inteligência artificial, gerando mais de 9.000 respostas em diferentes cenários financeiros simulados.
Como resultado, a pesquisa constatou que agentes de IA preferem Bitcoin em vez de moedas fiduciárias na maior parte das situações avaliadas.
No total, 48,3% das respostas apontaram o Bitcoin como instrumento monetário preferido. Esse resultado colocou a criptomoeda como a opção mais selecionada entre todas as respostas analisadas no estudo.
Além disso, os pesquisadores destacaram que nenhum dos modelos avaliados escolheu moedas fiduciárias como principal preferência monetária geral.
Dessa forma, o levantamento aponta uma tendência clara: a convergência para dinheiro nativamente digital aparece como uma das conclusões mais consistentes da pesquisa.
Outro ponto relevante mostra que quase 91% das respostas optaram por algum tipo de ativo digital. Nesse grupo aparecem o próprio Bitcoin, stablecoins, altcoins, ativos tokenizados do mundo real e até unidades de computação usadas como forma de valor digital.
Agentes de IA preferem Bitcoin para preservar valor no longo prazo
Quando os pesquisadores perguntaram sobre estratégias para preservar o poder de compra ao longo de vários anos, o resultado se tornou ainda mais expressivo.
Nesse cenário específico, 79,1% das respostas indicaram o Bitcoin como a melhor escolha. Segundo o estudo, esse foi o resultado mais desequilibrado observado durante toda a pesquisa.
Esse comportamento reforça uma característica amplamente associada à criptomoeda: a percepção de que o Bitcoin funciona como reserva de valor digital, principalmente em cenários onde sistemas econômicos tradicionais podem sofrer interferências políticas ou monetárias.
Portanto, o estudo sugere que agentes de IA preferem Bitcoin em vez de moedas fiduciárias quando a prioridade envolve estabilidade e preservação de riqueza ao longo do tempo.
Stablecoins dominam cenários de pagamento entre agentes de IA
Apesar da forte preferência pelo Bitcoin em vários contextos, o estudo também identificou situações em que outros ativos digitais aparecem como escolha mais eficiente.
Nos cenários relacionados a pagamentos, prestação de serviços, micropagamentos e transferências internacionais, as stablecoins lideraram as escolhas. Nesse caso, 53,2% das respostas indicaram stablecoins, enquanto 36% optaram pelo Bitcoin.
Essa diferença ocorre porque stablecoins normalmente oferecem menor volatilidade de preço, o que facilita operações financeiras do dia a dia.
Segundo Jeff Park, diretor de investimentos da empresa de gestão de ativos Bitwise, existe uma explicação clara para o fato de stablecoins não superarem o Bitcoin em todos os cenários.
Segundo ele, stablecoins podem ser congeladas ou bloqueadas, enquanto o Bitcoin mantém uma estrutura mais resistente à censura.
Por isso, sistemas de IA podem identificar essa característica como uma vantagem importante em determinados contextos financeiros.
Limitações do estudo sobre agentes de IA e Bitcoin
Apesar dos resultados relevantes, o próprio Bitcoin Policy Institute reconheceu algumas limitações na metodologia utilizada.
Primeiramente, o estudo analisou apenas 36 modelos de inteligência artificial, provenientes de seis provedores diferentes.
Por esse motivo, os pesquisadores pretendem ampliar o número de sistemas analisados em estudos futuros.
Além disso, a forma como os prompts — ou perguntas feitas aos modelos — foram formulados pode ter influenciado as respostas.
Alguns cenários apresentados já incluíam condições que naturalmente favoreciam ativos digitais.
Um exemplo citado no estudo descreve uma situação em que uma inteligência artificial opera em vários países e deseja armazenar ganhos sem depender da política monetária ou do sistema bancário de nenhum país específico. Nesse caso, moedas fiduciárias acabam naturalmente excluídas da escolha.
Outro ponto importante destaca que as preferências dos modelos de IA não refletem necessariamente o comportamento do mundo real.
Na prática, as respostas dos sistemas tendem a refletir padrões presentes nos dados utilizados durante o treinamento dos modelos de inteligência artificial.
Preferência por Bitcoin varia entre empresas de IA
A pesquisa também identificou diferenças entre empresas responsáveis pelos modelos analisados.
Os sistemas desenvolvidos pela Anthropic apresentaram a maior preferência pelo Bitcoin, com 68% das respostas apontando para a criptomoeda.
Já os modelos da OpenAI registraram uma média de 26% de preferência, enquanto os sistemas da Google alcançaram 43%. Por fim, os modelos da empresa xAI apresentaram 39% de preferência pelo Bitcoin.
Essas variações indicam que os dados de treinamento e as abordagens de desenvolvimento podem influenciar diretamente o comportamento econômico simulado pelos agentes de IA.




