O Bitcoin recuou quase 50% do topo histórico de US$ 126.000 registrado em outubro de 2025, chegando a tocar US$ 59.000 na sexta-feira, 6 de junho. Na manhã desta segunda-feira, 8 de junho, o ativo se recuperou para cerca de US$ 63.500, mas o cenário macro continua pressionado.
A seguir:
- Por que cinco catalisadores negativos se somaram em menos de uma semana e empurraram o BTC para mínimas de 2026
- Quais níveis técnicos determinam se o ciclo continua ou se o bear market aprofunda
- O que os dados on-chain e de ETFs dizem que o preço ainda não precificou
O relatório semanal da 21shares oferece o mapa mais completo deste momento: dados de liquidações, posicionamento de holders, fluxos de ETFs e níveis estruturais de preço. A análise a seguir está fundamentada nesse material e em dados verificados de fontes externas.
Cinco catalisadores e uma semana de pressão
O que derrubou o BTC entre 1 e 6 de junho: A queda não veio de um único evento. Foram cinco pressões simultâneas que se retroalimentaram.
1. Strategy vende BTC pela primeira vez desde 2022.
A empresa de Michael Saylor divulgou a liquidação de 32 BTC, cerca de US$ 2,5 milhões, 0,0038% do seu tesouro. O tamanho é irrelevante. Mas o impacto psicológico foi desproporcional, pois o BTC estava abaixo do custo médio de aquisição da empresa. Saylor confirmou que a Strategy ainda detém 843.706 BTC.
2. Saída recorde de ETFs de Bitcoin.
Os ETFs spot de Bitcoin nos EUA registraram 12 sessões consecutivas de saídas, totalizando cerca de US$ 4 bilhões, segundo a 21shares. No dia 5 de junho, apenas o IBIT da BlackRock respondeu por US$ 214 milhões em resgates. O saldo anual de 2026 virou negativo: -US$ 1,9 bilhão no acumulado do ano.
3. Mais de US$ 3 bilhões em liquidações de posições compradas.
A cascata de liquidações foi a maior desde janeiro de 2026. O mercado alavancado amplificou cada movimento de queda.
4. Irã interrompe negociações e ameaça o Estreito de Ormuz.
Teerã teria abandonado conversas com mediadores e ameaçado bloquear o Estreito de Ormuz. O petróleo subiu cerca de 7% na sequência. Além disso, as sanções da OFAC às corretoras iranianas introduziram risco de desfazimento de carteiras sancionadas no mercado.
5. Rotação para IA drena liquidez do cripto.
Nasdaq, S&P 500 e Russell 2000 operam nas máximas históricas. Empresas como SK Hynix e Micron ultrapassaram US$ 1 trilhão de capitalização. O capital flui para onde a narrativa está ativa.

O que os dados técnicos dizem
No lado positivo, US$ 78.000 é a confluência entre a média do mercado e a média móvel de 200 dias, e tem funcionado como resistência em todas as tentativas de recuperação recentes. Reconquistar esse patamar em fechamento semanal é condição necessária para uma mudança de regime.
No lado negativo, US$ 60.000 é o suporte estrutural que coincide com a média móvel de 200 semanas e o preço realizado agregado. Uma quebra abaixo desse nível apontaria para a faixa de US$ 50.000-55.000.
Nesse sentido, o BTC encontra-se agora exatamente entre os dois extremos.
Contudo, há uma assimetria relevante no posicionamento atual. Após as liquidações da semana, o funding comprimiu significativamente. Mais de US$ 10 bilhões em posições vendidas se acumulam entre o preço atual e os US$ 80.000. Qualquer movimento construtivo acima de US$ 65.000 pode acionar um short squeeze expressivo.
O que os dados fundamentais mostram
Holders de longo prazo ainda não capitularam
Os holders de longo prazo liquidaram cerca de 52.000 BTC durante a semana, mas seus ativos seguem próximos das máximas históricas, com alta de US$ 15 bilhões no acumulado de 2026. A movimentação foi de redução de posição, não de pânico.
O BTC enviado para exchanges também permanece bem abaixo do pico que acompanhou a queda de fevereiro. O incremento recente de 25.000 BTC diários é modesto no contexto histórico.
Stablecoins e estrutura macro sugerem dry powder
O total de stablecoins em circulação está acima de US$ 320 bilhões e segue subindo, mesmo durante a queda. Em 2022, esse número contraiu 30% durante o bear market. A diferença sinaliza que há capital em espera, não em fuga.
Além disso, a volatilidade anualizada do BTC comprimiu para cerca de 40% enquanto o perfil institucional do ativo se aprofunda. A atual queda de 50% está bem abaixo da média histórica de 80% de recuo nos ciclos anteriores.
Bull case e bear case para o segundo semestre
Segundo a análise da 21shares, o cenário de alta é o de maior probabilidade: o BTC defende os suportes estruturais, reconquista US$ 78.000 em fechamento semanal, e a aprovação do projeto CLARITY no segundo semestre ancora a recuperação em direção a US$ 100.000 até o fim de 2026.
O cenário de baixa, considerado de menor probabilidade, envolveria uma quebra decisiva abaixo de US$ 62.000, com alvo na faixa de US$ 50.000-55.000. Isso ocorreria se a rotação para IA persistir e o cenário geopolítico mantiver capital concentrado fora do cripto durante o verão americano.
Por fim, embora o mercado tenha entrado no cenário de baixa descrito em suas perspectivas anuais, os níveis âncora do ciclo seguem intactos.


