A seguir:
- O Bitcoin superou 20 milhões de unidades mineradas no bloco 940.000, com apenas 1 milhão de bitcoins restantes para atingir o limite máximo de 21 milhões.
- Com 95,238% dos bitcoins já em circulação, a escassez programada do Bitcoin contrasta diretamente com a emissão ilimitada das moedas fiduciárias tradicionais.
- O último bitcoin só deve ser minerado por volta de 2140, mas já em 2040 cerca de 99,6% de toda a oferta estará disponível no mercado.
O Bitcoin alcançou, na manhã desta segunda-feira (9 de março de 2026), um marco sem precedentes na história das criptomoedas: a rede registrou oficialmente 20 milhões de unidades em circulação.
Considerando que o protocolo estabelece um teto absoluto de 21 milhões de bitcoins, resta apenas 1 milhão de moedas a serem emitidas, um feito que reforça, de maneira contundente, a proposta de escassez programada que sustenta o valor do ativo.
No momento em que o marco foi atingido, o Bitcoin era negociado em torno de US$ 68.700, com capitalização de mercado próxima a US$ 1,37 trilhão.
O evento ocorreu especificamente no bloco de número 940.000, minerado pela empresa americana Foundry USA às 10h40 da manhã.
Assim, a criptomoeda mais valiosa do mundo escreveu mais um capítulo em sua trajetória de desafiadora do sistema financeiro tradicional.
Como o Bitcoin chegou à marca de 20 milhões minerados
Para entender a dimensão desse marco, é fundamental voltar às origens do protocolo. Quando Satoshi Nakamoto lançou o Bitcoin em 2009, a recompensa inicial era de 50 unidades por bloco minerado.
Contudo, o sistema prevê um corte pela metade dessa recompensa a cada 210.000 blocos, o que equivale a aproximadamente quatro anos, mecanismo conhecido como halving.
Por conta dessa lógica de emissão progressivamente mais lenta, a rede levou cerca de três anos e meio para atingir 10 milhões de moedas, em setembro de 2012. Já os próximos 10 milhões demandaram pouco mais de 13 anos adicionais.
Dessa forma, o ritmo de criação de novos bitcoins desacelera consistentemente ao longo do tempo, tornando cada nova unidade proporcionalmente mais difícil de obter.
Atualmente, a recompensa por bloco minerado está em 3,125 bitcoins. No próximo halving, esse número cairá para 1,5625 BTC, depois 0,78125 BTC, e assim por diante, em uma sequência que se aproxima de zero, mas matematicamente nunca chega a ele antes de 2140.
95% dos bitcoins já estão em circulação e o que isso significa
Com 20 milhões de unidades no mercado, 95,238% de todo o Bitcoin que algum dia existirá já está em circulação. Esse dado, embora não provoque um impacto imediato sobre o preço semelhante ao de um halving, carrega um peso simbólico e econômico importante para investidores e analistas do setor.
Em termos práticos, menos de 4,8% da oferta total ainda precisa ser minerada. Portanto, a emissão futura de novos bitcoins terá impacto cada vez menor sobre o mercado, algo radicalmente diferente do comportamento de moedas fiduciárias, como o dólar ou o real, que podem ser emitidas em volume ilimitado por decisão de governos e bancos centrais.
Isso garante aos detentores de Bitcoin a certeza de que sua participação no total da rede não será diluída.
Além disso, diferentemente do ouro e da prata, cujas reservas totais no planeta são estimativas sujeitas a revisão, o limite do Bitcoin é absoluto, auditável e verificável em tempo real por qualquer pessoa no mundo.
O que acontece quando o último bitcoin for minerado
Apesar de parecer iminente diante dos números atuais, a emissão do último bitcoin está prevista apenas para o ano de 2140, ou seja, daqui a aproximadamente 114 anos.
Isso acontece porque os halvings sucessivos tornam o processo cada vez mais lento, com recompensas fracionadas ao extremo.
Projeções indicam que, já em 2040, 99,6% de todo o bitcoin estará em circulação, o que significa que a mineração de novas moedas terá relevância econômica quase nula muito antes do fim oficial do processo.
Nesse cenário futuro, os mineradores passarão a depender exclusivamente das taxas de transação como fonte de receita, um modelo que já está sendo amplamente debatido pela comunidade de desenvolvedores e especialistas do setor.
O marco desta segunda-feira, portanto, não representa apenas um número. Ele consolida o Bitcoin como o primeiro ativo da história a combinar escassez verificável, descentralização e adoção global em larga escala, características que nenhuma outra moeda ou commodity conseguiu reunir até hoje.




