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Hackers exploram IA da Meta para invadir Instagram 

Hackers invadiram perfis no Instagram pedindo ao chatbot de suporte da Meta para trocar o e-mail cadastrado. A falha no assistente de IA persistiu mesmo após a empresa declarar correção.

Hackers exploram falha em chatbot de IA da Meta para invadir contas do Instagram.

A seguir:

  1. Criminosos assumiram o controle de perfis alheios simplesmente pedindo ao robô de atendimento da Meta que trocasse o e-mail cadastrado
  2. A falha existia no assistente de IA lançado em março de 2026, que foi criado para resolver problemas de conta sem intervenção humana
  3. Mesmo após a Meta declarar o problema corrigido, novos relatos de invasões surgiram no dia seguinte

No fim de semana passado, invadir uma conta do Instagram virou algo ao alcance de qualquer pessoa com acesso ao Telegram e disposição para digitar algumas frases. Não havia vírus. Não havia link falso. 

Bastava abrir o chat de suporte da Meta, afirmar ser dono de um perfil e pedir a troca do e-mail cadastrado. O chatbot de suporte da Meta fazia o resto, sem questionar, sem verificar, sem hesitar.

O método foi revelado pelo 404 Media e se espalhou rapidamente em grupos do aplicativo de mensagens Telegram, onde criminosos não apenas compartilhavam o passo a passo como também anunciavam perfis roubados para venda. 

Dois casos chamaram atenção especial: o Instagram da Casa Branca de Obama, conta inativa que passou a exibir imagens geradas por inteligência artificial sem autorização, e o perfil do sargento-mor John Bentivegna, alto oficial da Força Espacial dos EUA (USSF).

Assistente de IA ignorou etapa básica que qualquer atendente humano aplicaria

O sistema explorado pelos hackers é o AI Support Assistant, ferramenta que a Meta colocou em operação em março de 2026 com a proposta de conduzir a recuperação de contas “do início ao fim”, dispensando a intervenção humana. Na teoria, uma solução de eficiência. Na prática, uma porta aberta.

O roteiro seguido pelos invasores era direto: escolher um perfil com nome curto e valioso, os chamados OG usernames, cobiçados no mercado clandestino por valores que chegam a milhares de dólares, ligar uma VPN para simular a localização da vítima e iniciar a conversa com o chatbot de suporte da Meta alegando ser o titular da conta. O sistema então associava o e-mail do criminoso ao perfil. Sem pedir documento. Sem código de confirmação. Sem nada.

Qualquer atendente treinado teria pausado ali e exigido alguma verificação. O robô não pausou. A autenticação em dois fatores (2FA) protegia parte dos usuários, mas quem não havia ativado esse recurso ficava vulnerável em questão de minutos.

Vendas de perfis roubados seguiram mesmo após anúncio de correção da Meta

Existe há anos um mercado paralelo movimentado em torno de OG usernames — identificadores curtos registrados pelos primeiros usuários do Instagram, tratados hoje como ativos colecionáveis. Até então, obtê-los exigia esforço técnico real: phishing direcionado, SIM swap mediante suborno de funcionários de operadoras, ou invasão de contas de e-mail.

Essa brecha no chatbot de suporte da Meta dispensou tudo isso. Os anúncios nos canais do Telegram incluíam handles com nomes próprios e nomes de países, justamente os mais disputados nesse nicho. 

E o TechCrunch reportou que as vendas continuavam acontecendo mesmo depois de Andy Stone, porta-voz da Meta, declarar publicamente na segunda-feira que “o problema que ocorreu já foi corrigido”.

Meta envia notificações, mas invasões persistem no dia seguinte à correção

Na terça-feira, novos usuários relataram perder acesso às próprias contas. Integrantes dos mesmos grupos do Telegram afirmavam que a exploração seguia funcionando — contradizendo diretamente o comunicado da empresa. 

Stone disse ao TechCrunch que a Meta protegeu as contas afetadas antes de iniciar a campanha de notificação, mas recusou informar o número total de usuários comprometidos.

Diversas vítimas relataram ter recebido mensagens do Instagram avisando sobre “atividade suspeita” no perfil, com instruções para redefinir a senha. Quanto ao caso mais emblemático, a Meta contestou que o Instagram da Casa Branca de Obama tenha sido invadido especificamente por essa falha, embora tenha confirmado que a conta foi hackeada por outros meios.

Incidente revela risco estrutural em delegar autoridade real a sistemas de IA

Há uma tensão que o setor de tecnologia ainda não resolveu: como dar a um agente de inteligência artificial poder para agir no mundo real sem reproduzir, junto com a eficiência, as salvaguardas que os humanos aplicavam no mesmo processo.

A Meta construiu um chatbot capaz de alterar dados críticos de contas — e o fez sem embutir o filtro mais básico que qualquer atendente aplicaria antes de mexer em qualquer cadastro. 

Quando o suporte era humano, o processo irritava pela lentidão. Mas essa lentidão tinha uma função: obrigava quem pedia ajuda a provar que era quem dizia ser. Ao remover o atrito sem substituir a verificação, a empresa transformou uma etapa de segurança em ponto cego.

O episódio não invalida o uso de IA em suporte ao cliente. Mas deixa claro que automatizar processos sensíveis sem resolver o problema de autenticação é trocar um gargalo por uma vulnerabilidade, e que nenhum comunicado de correção apaga os danos causados enquanto a janela esteve aberta.

Última atualização em 18/06/26 por Viviane Pedro

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