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China domina metade dos robôs industriais do mundo

China controla 54% dos robôs industriais do planeta e redefine o futuro da automação global. Entenda o impacto econômico e social desse domínio.

Fábrica chinesa automatizada com robôs industriais operando em linha de produção moderna

A China consolidou em 2025 uma liderança histórica no campo da automação. Com mais de 2 milhões de robôs industriais ativos em suas fábricas, o dobro do número registrado há apenas três anos, o país agora controla 54% de todos os sistemas automatizados do mundo.

O dado, revelado pela Federação Internacional de Robótica (IFR), coloca a potência asiática em um patamar inalcançável no curto prazo e levanta discussões profundas sobre o futuro do trabalho, o desemprego entre jovens e a nova ordem econômica global, conforme notificado pelo portal de notícia Hardware

Uma estratégia calculada de poder tecnológico

O avanço chinês não é acidental. Desde 2020, Pequim tem estruturado um plano nacional para transformar o país em líder mundial em robótica e inteligência artificial. Em março de 2025, a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento da China anunciou um fundo estatal de 1 trilhão de yuans (US$ 140 bilhões) dedicado exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologias de automação e manufatura inteligente pelos próximos 20 anos.

Esse investimento estratégico responde a desafios internos, como o envelhecimento populacional, o aumento dos salários e a escassez de mão de obra. Porém, seu impacto vai muito além da demografia.

Segundo projeções do Morgan Stanley, o mercado chinês de robótica deve crescer de US$ 47 bilhões em 2024 para US$ 108 bilhões até 2028, o que representa uma expansão anual média de 23% — mais que o dobro da taxa global, estimada em apenas 10% no mesmo período.

Enquanto o mundo desacelera, a China acelera

A diferença entre a China e o restante do planeta ficou ainda mais evidente em 2024. Enquanto o país asiático instalou 295 mil novos robôs industriais, os Estados Unidos, maior economia do mundo, adicionaram apenas 34 mil. O Japão, tradicional potência no setor, implantou 44,5 mil robôs, uma queda de 4% em relação ao ano anterior. Já a Europa respondeu por 16% das novas instalações, enquanto as Américas somaram apenas 9% da automação mundial.

Esses números escancaram uma mudança de eixo tecnológico, onde a liderança em automação se desloca do Ocidente para o Oriente, impulsionando a China a uma posição dominante na indústria do futuro.

O impacto social e o custo humano

Embora o governo chinês celebre o avanço industrial, o impacto no mercado de trabalho começa a preocupar economistas. Estudos recentes indicam que o crescimento acelerado dos robôs industriais está reduzindo a qualidade dos empregos entre trabalhadores de 26 a 35 anos, faixa etária que enfrenta aumento do desemprego estrutural em regiões industriais.

Apenas na primeira metade de 2025, a China registrou a criação de mais de 100 mil novas empresas de robótica, um crescimento de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior. Cada nova empresa representa mais eficiência produtiva, mas também menos oportunidades humanas. Esse contraste expõe a face mais delicada da revolução tecnológica: o desequilíbrio entre progresso e empregabilidade.

Robôs humanoides: a nova fronteira da automação

A próxima fase dessa transformação já começou. A corrida pelos robôs humanoides está ganhando impulso e promete redefinir a presença das máquinas no cotidiano. Nos nove primeiros meses de 2025, 600 acordos de investimento foram firmados nesse segmento, totalizando US$ 6,9 bilhões, mais que o dobro de todo o investimento de 2024.

As projeções indicam que o mercado de humanoides na China deve ultrapassar US$ 120 bilhões até 2030, consolidando o país também como líder nessa categoria emergente.Esses novos robôs não se limitarão às fábricas. Eles já estão sendo utilizados em centros logísticos, espaços públicos e empresas de serviços, com funções que vão desde atendimento até vigilância e transporte. Estima-se que, até 2028, mais de 700 mil novos robôs industriais e humanoides estejam operando no país, consolidando a China como o coração global da automação

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