A China está prestes a realizar uma das maiores reviravoltas em sua política monetária digital.
Segundo fontes da Reuters, o país avalia permitir o uso de stablecoins lastreadas em yuan, com foco em ampliar o alcance internacional da moeda chinesa.
A proposta será discutida na Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), em Tianjin, e pode marcar o fim da postura restritiva adotada desde 2021. Dessa forma, Pequim busca reduzir a dependência global do dólar e fortalecer sua influência financeira na Ásia e além.
Estratégia da China para internacionalizar o yuan com stablecoins
A iniciativa surge como resposta ao avanço dos Estados Unidos na regulamentação de stablecoins. Assim sendo, o Conselho de Estado chinês deve revisar um roteiro que inclui pilotos em Hong Kong e Xangai, além de diretrizes regulatórias e metas de uso.
Em consequência, o yuan poderá competir diretamente com o dólar em liquidações comerciais e pagamentos transfronteiriços.
Hong Kong e Xangai como centros de testes
Hong Kong já lançou sua legislação de stablecoins em agosto de 2025. Sendo assim, a cidade se posiciona como laboratório para a implementação da moeda digital chinesa.
Igualmente, Xangai está construindo um centro internacional para operações com yuan digital, o que reforça seu papel estratégico na expansão da nova política.
Reversão da política de proibição
Em setembro de 2021, a China proibiu o comércio e a mineração de criptomoedas. No entanto, a nova proposta representa uma mudança radical.
Por conta disso, analistas consideram a medida como a maior reversão regulatória desde então. Inclusive, exportadores chineses já utilizam stablecoins em dólar em larga escala, o que evidencia a necessidade de alternativas locais.
Objetivos econômicos e geopolíticos da China com stablecoins
Além de fortalecer o yuan, a China busca reduzir a hegemonia do dólar nas transações digitais.
Isso levou à criação de um plano que inclui metas de uso global, controle de riscos e responsabilidades regulatórias. Como resultado, o país pretende ampliar sua presença nos mercados internacionais e consolidar o yuan como moeda de reserva.
Metas da nova política
- Expandir o uso do yuan em pagamentos internacionais.
- Reduzir a dependência de moedas estrangeiras em transações digitais.
- Estabelecer diretrizes claras para emissão e uso de stablecoins.
- Fortalecer a posição da China como potência financeira global.
Dados que sustentam a mudança
Segundo o relatório RMB Tracker da Swift, o yuan ocupa a sexta posição nos pagamentos globais, com apenas 2,9% de participação.
Em contraste, o dólar representa 47,19% do volume. Devido a esse fator, a China vê nas stablecoins uma oportunidade de reverter esse cenário e ampliar sua relevância monetária.
Implicações para o mercado global de criptomoedas
A entrada da China no mercado de stablecoins pode alterar profundamente o equilíbrio de forças no setor.
Então, países como Japão e Coreia do Sul, que também desenvolvem tokens lastreados em moedas fiduciárias, devem acompanhar de perto os desdobramentos. Em resumo, a decisão chinesa pode redefinir o papel das stablecoins no comércio internacional.
Expectativas e próximos passos
- A Cúpula da SCO será palco das discussões finais sobre o plano.
- Se aprovado, o roteiro será implementado em fases, começando por Hong Kong.
- A China deve anunciar metas de uso e critérios regulatórios até o fim de 2025.
- Participantes do mercado aguardam detalhes sobre limites de aplicação e integração com o yuan digital.
Por fim, destaca-se que a China não apenas reconsidera sua posição sobre ativos digitais, mas também redefine sua estratégia monetária global. Dessa forma, o uso de stablecoins lastreadas em yuan pode se tornar um divisor de águas na disputa pela liderança financeira internacional.


