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Criptomoedas ganham espaço entre instituições financeiras tradicionais

Mercado de criptomoedas avança rumo à adoção institucional, impulsionado por regulações, demanda crescente e interesse de bancos tradicionais.

Políticos discutindo sobre Bitcoin e outras criptomoedas. Imagem: IA

O debate sobre criptomoedas deixou de ser exclusivo de entusiastas e passou a ocupar um espaço de destaque em instituições tradicionais em 2025.

Como resultado, executivos de peso do setor, como Eric Turner (CEO da Messari) e Thomas Eichenberger (CSO do Sygnum Bank), projetam que bancos globais comecem a adotar ativos como Bitcoin e tokens digitais ainda esse ano.

Esse movimento é impulsionado por avanços regulatórios e pelo aumento da demanda entre investidores institucionais. O cenário atual já não trata mais as criptos como uma curiosidade tecnológica — elas passaram a ser vistas como ferramentas financeiras viáveis, inclusive por setores tradicionalmente mais conservadores.

No Brasil, o avanço é visível. De acordo com dados da Receita Federal, mais de 7,7 milhões de brasileiros declararam posse de ativos digitais. E o Banco Central aponta para um crescimento constante no volume transacionado por plataformas cripto nacionais, com cifras que já superam bilhões de reais mensalmente.

Do pioneirismo à adoção em massa

Nos primeiros anos, criptomoedas como o Bitcoin (BTC) eram vistas como experimentos de nicho, voltadas para um público altamente especializado.

Hoje, isso mudou: instituições financeiras estabelecidas já trabalham para incorporar serviços como custódia, negociação e consultoria em criptoativos.

Inclusive, uma pesquisa da Fidelity Investments mostra que 58% dos investidores institucionais globais já possuem exposição a criptomoedas. Em paralelo, rumores sobre o lançamento de novos produtos por grandes bancos e redes de pagamentos reforçam a ideia de que o blockchain veio para ficar — e que será cada vez mais integrado ao sistema financeiro tradicional.

Para especialistas, a chave para essa transformação está na regulação. Turner e Eichenberger acreditam que legislações mais claras, como as que vêm sendo desenvolvidas nos Estados Unidos e na Europa, podem funcionar como catalisadores para a entrada definitiva dos bancos nesse mercado.

O mesmo se aplica à América Latina, onde países como o Brasil têm avançado, embora com desafios.

No cenário local, a criação do Real Digital e a regulamentação progressiva dos ativos virtuais sinalizam o interesse institucional na construção de um ecossistema financeiro mais digitalizado e seguro.

A proposta do Banco Central, nesse sentido, é criar uma infraestrutura que permita a emissão e movimentação de ativos digitais em ambiente regulado.

Mercado brasileiro cresce com foco institucional

Estudos da gestora Hashdex apontam que o volume de investimento institucional em Bitcoin no Brasil cresceu 40% em 2022. No ano seguinte, plataformas nacionais ultrapassaram a marca de 1 milhão de contas ativas. Demonstrando, assim, o aumento no interesse tanto de investidores pessoa física quanto de instituições.

O uso de stablecoins também se intensificou. Em 2024, USDT (Tether) e USDC (USD Coin) superaram o próprio Bitcoin como os ativos digitais mais comprados no país, segundo dados da Bitso. As stablecoins representaram 26% das aquisições, enquanto o Bitcoin ficou com 22%.

Assim, a adesão de grandes instituições a esse mercado já se reflete em parcerias com fintechs, iniciativas de infraestrutura para pagamentos internacionais e integração de soluções baseadas em blockchain.

Com mais segurança jurídica, aumento da demanda e inovações tecnológicas em curso, o setor financeiro tradicional parece cada vez mais inclinado a incorporar as criptomoedas ao seu portfólio. E, nesse novo cenário, quem não acompanhar o movimento corre o risco de ficar para trás.

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