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EUA sancionam brasileiros por suposto uso de criptomoedas em esquema ligado ao PCC

Os EUA sancionaram dois brasileiros e quatro empresas por suposto vínculo com o PCC e uso de criptomoedas para movimentar recursos ilícitos.

Ilustração representando sanções dos Estados Unidos envolvendo criptomoedas, lavagem de dinheiro e investigação financeira ligada ao PCC.

A seguir:

  1. A OFAC anunciou sanções contra dois brasileiros e quatro empresas após apontar o uso de criptomoedas em um suposto esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC.
  2. Segundo as autoridades americanas, o grupo investigado teria movimentado mais de US$ 30 milhões, utilizando criptomoedas para enviar recursos ilícitos dos Estados Unidos ao Brasil.
  3. Além dos brasileiros investigados, quatro empresas também sofreram sanções por suposta participação na estrutura financeira usada para movimentar recursos ligados ao PCC.

As autoridades dos Estados Unidos anunciaram novas sanções contra dois brasileiros e quatro empresas sob a alegação de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), os investigados teriam utilizado criptomoedas para movimentar recursos ilícitos entre os Estados Unidos e o Brasil, o que motivou a inclusão dos nomes na lista de sanções do governo norte-americano.

De acordo com o comunicado oficial, os órgãos americanos afirmam que o grupo investigado movimentou mais de US$ 30 milhões obtidos por meio de atividades criminosas. Após a lavagem desses valores em território norte-americano, os recursos teriam sido convertidos em ativos digitais para facilitar as transferências internacionais até chegarem ao Brasil.

A decisão reforça a estratégia dos Estados Unidos de ampliar o combate às organizações criminosas transnacionais. Além disso, o governo americano destaca que acompanha com atenção o uso de novas tecnologias financeiras em operações de lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilegais.

Criptomoedas aparecem em investigação sobre lavagem de dinheiro

Segundo a OFAC, as criptomoedas fizeram parte do mecanismo utilizado para movimentar recursos entre os dois países, embora o órgão não tenha informado quais ativos digitais teriam sido empregados nas operações.

As autoridades americanas afirmam que o esquema utilizava diferentes métodos para ocultar a origem dos recursos antes da conversão em criptomoedas e do envio dos valores ao Brasil. Conforme a investigação, essa estratégia teria dificultado o rastreamento do dinheiro pelas autoridades financeiras.

O comunicado também descreve o PCC como uma organização criminosa com atuação internacional. Além do Brasil, o grupo teria expandido suas atividades para países como Reino Unido, Turquia e Japão, ampliando sua presença fora da América do Sul.

Ainda segundo o governo americano, o crescimento dessas operações representa uma preocupação para as autoridades de segurança, principalmente pelo uso de mecanismos financeiros considerados mais difíceis de rastrear quando empregados em atividades ilícitas.

Outro ponto citado pela OFAC faz referência a uma investigação conduzida por autoridades brasileiras sobre um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Conforme o documento, a operação teria utilizado uma rede de distribuição de eletrônicos e uma plataforma chinesa de comércio eletrônico para movimentar aproximadamente US$ 190 milhões ao longo de sete meses.

Brasileiros sancionados pelos Estados Unidos

Entre os nomes incluídos na lista de sanções estão Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Shimada seria um dos principais responsáveis pela ligação entre integrantes do PCC que atuavam na Flórida e traficantes internacionais de drogas. O comunicado relembra que, em janeiro deste ano, o FBI realizou uma operação que resultou na prisão de seis integrantes do grupo naquele estado.

As autoridades americanas alegam que Shimada e sua organização movimentaram mais de US$ 30 milhões em recursos provenientes de atividades criminosas. Ainda conforme a acusação, parte desse dinheiro teria sido convertida em criptomoedas antes de ser enviada ao Brasil em benefício da organização criminosa.

Além disso, o governo dos Estados Unidos afirma que Shimada também estaria envolvido em outros crimes financeiros. A denúncia menciona que ele cumpriu um período de prisão domiciliar no Brasil, em janeiro de 2025, após investigações apontarem que uma empresa ligada ao seu nome teria sido utilizada para lavar recursos provenientes de um crime contra um clube de futebol brasileiro.

Já Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira aparece na investigação como uma colaboradora próxima de Shimada. Segundo o documento, ela teria atuado como secretária e intermediária em retiradas de grandes quantias de dinheiro em espécie, auxiliando nas operações investigadas pelas autoridades.

Empresas também foram alvo das sanções

Além das pessoas físicas, a OFAC anunciou sanções contra quatro empresas supostamente ligadas ao esquema.

Entre elas estão a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. e a Wave Construções Inteligentes Ltda., todas sediadas no estado de São Paulo. A quarta empresa citada é a Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda., localizada nas proximidades de Lisboa, em Portugal.

Segundo o comunicado, as empresas atuam em diferentes segmentos, incluindo serviços financeiros, construção civil, transporte e armazenamento. As autoridades americanas alegam que essas companhias integravam a estrutura utilizada para movimentar recursos relacionados às atividades investigadas.

Ao comentar a decisão, Gene Lange, que exerce as funções de subsecretário de Terrorismo e Inteligência Financeira, afirmou que as novas sanções representam mais um passo da estratégia dos Estados Unidos para combater a expansão financeira do PCC dentro do território americano.

Com a medida, pessoas e empresas incluídas na lista passam a enfrentar restrições econômicas e financeiras impostas pelo governo dos Estados Unidos, enquanto as investigações sobre o caso continuam em andamento.

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