A 11ª edição do Global Payments Report, publicada nesta semana pela Global Payments (NYSE: GPN), mapeou o comportamento de consumidores em 42 países e projeta tendências até 2030.
A seguir:
- Os números do Brasil: Pix, cartão e dinheiro físico na mesma foto
- O que está acontecendo no restante da América Latina
- Os destaques globais e o que a Nigéria revela sobre o futuro dos pagamentos A2A
No Brasil, o retrato é claro: o Pix já domina o e-commerce e os pontos de venda, o cartão de crédito mantém força expressiva e o dinheiro em espécie ainda não saiu de cena.
O Brasil no relatório
O Pix é descrito pelo relatório como o principal motor da transformação digital no Brasil e como responsável pela bancarização que levou o acesso a serviços financeiros a 96,4% da população brasileira, segundo dados do Banco Central.
Em 2025, o sistema respondeu por 38% do e-commerce e 34% do volume de transações nos pontos de venda. São números que colocam o Brasil entre os mercados mais avançados do mundo em pagamentos instantâneos conta a conta (A2A).
O cartão de crédito mantém posição relevante. Em 2025, representou 40% de participação no e-commerce, beneficiado pela cultura brasileira de parcelamento, que amplia o poder de compra e é um diferencial que os sistemas de pagamento instantâneo ainda não replicam de forma generalizada. Os brasileiros também estão usando cartões de crédito cada vez mais dentro de carteiras digitais, integrando os dois formatos.
Um dado que surpreende: o dinheiro em espécie ainda representa 12% das transações em pontos de venda no Brasil. Abaixo da média da América Latina (23%) e da média global (14%), mas longe de zero. A exclusão digital e hábitos arraigados em populações mais velhas e em regiões menos conectadas explicam parte dessa persistência.
“Os brasileiros utilizam cada vez mais cartões de crédito em carteiras digitais, que se integram perfeitamente aos aplicativos de pagamento preferidos dos consumidores”, afirmou Juan Pablo D’Antiochia, Gerente Geral do negócio Enterprise da Global Payments na América Latina.
América Latina: QR code, A2A e desigualdade regional
O relatório revela uma América Latina heterogênea. Os países com maior uso de dinheiro em espécie em pontos de venda em 2025 foram México (40%), Colômbia (32%) e Peru (30%). Brasil (12%), Chile (16%) e Argentina (17%) estão mais próximos da média global.
O QR Code está em ascensão, especialmente no Peru via Yape, na Colômbia via Nequi e na Argentina via Mercado Pago. Os três casos compartilham uma característica: aplicativos com base de usuários consolidada que usam QR como interface principal de pagamento.
Os pagamentos A2A se expandem além do Pix. Na Argentina, o Transferências 3.0 já representa 15% do e-commerce e 10% do volume nos pontos de venda. A Colômbia lançou em 2025 seu sistema de pagamentos instantâneos, o Bre-B, iniciando o mesmo caminho.
Destaques globais
O caso mais revelador do relatório para o futuro dos pagamentos A2A é a Nigéria. O país está entre os maiores índices de uso de transferências conta a conta do mundo, e a projeção é de que esse método lidere até 2030, com 50% do valor transacionado online e 36% do valor nos pontos de venda.
No Reino Unido, as carteiras digitais já respondem por 40% do valor transacionado e devem desbloquear £453 bilhões em gastos adicionais até 2030, numa adoção que vai da Geração Z a aposentados.
“Uma vez que o consumidor experimenta uma jornada de compras mais simples, segura e que facilita o seu dia a dia, não há retorno ao passado. Ao contrário, a pressão por inovação se amplia”, disse D’Antiochia.
O relatório completo está disponível para download aqui.


