Os holders, detentores de longo prazo de Bitcoin, ainda têm em mãos uma parcela significativa da oferta da criptomoeda, e podem mudar a direção do mercado.
De acordo com a Glassnode, esse grupo — que comprou BTC entre 2019 e 2022 — pode exercer forte influência no mercado caso os preços voltem a subir nos próximos meses.
Investidores antigos detêm quase 12% do Bitcoin em circulação
Dados da Glassnode revelam que carteiras que seguram Bitcoin há 3 a 5 anos concentram 11,9% da oferta total. Esse grupo é conhecido por realizar vendas estratégicas, visando maximizar lucros. Por isso, sua atividade costuma sinalizar momentos críticos de realização de lucros.
O pico de participação ocorreu em 9 de novembro de 2024, quando esses detentores chegaram a controlar 15,7% da oferta, o maior patamar desde março de 2017.
Após esse pico, iniciaram um processo de venda que desacelerou temporariamente, mas voltou a ganhar força em abril de 2025.
Mesmo com a redução, a porcentagem atual ainda está bem acima dos níveis vistos em mercados de baixa anteriores, quando essa fatia chegou a cair para cerca de 3%. Isso indica uma sobreoferta relevante que pode impactar o preço do Bitcoin em momentos de alta.
“Detentores de 3 a 5 anos controlam uma grande parcela da riqueza e tendem a vender quando o mercado está forte”, destaca a Glassnode.
Risco de nova pressão vendedora pode limitar a valorização
Apesar de o ritmo de vendas ter diminuído recentemente, cerca de 12% do suprimento total de Bitcoin ainda está nas mãos desses investidores. Isso sugere que muitos deles aguardam uma nova valorização para realizar lucros, o que pode limitar futuras altas.
Se o Bitcoin voltar a subir de forma consistente, há uma forte chance de que esse grupo volte a vender, provocando uma nova onda de pressão vendedora que pode segurar o preço ou até provocar uma correção.
Comportamento de investidores sugere possível topo local
A Glassnode também chamou atenção para mudanças no comportamento dos investidores na última quarta-feira (28). Na data, o índice RSI (indicador de força relativa) dos compradores por impulso caiu para 20, sinalizando uma perda de fôlego na demanda. Ao mesmo tempo, o RSI dos realizadores de lucro subiu para 77, indicando que muitos estão aproveitando para vender no topo.
Esse padrão costuma aparecer próximo a topos locais, quando o mercado deixa de atrair novos compradores e passa a ser dominado por quem busca realizar ganhos.
Apesar disso, a entrada de novos investidores ainda continua ativa. O RSI de 30 dias para compradores de primeira viagem está acima de 90, sugerindo um fluxo de entrada ainda forte.
A dúvida é se esse interesse se manterá, caso a pressão vendedora aumente.
Hashrate em alta pode equilibrar o cenário de curto prazo
Em meio à possível pressão vendedora dos detentores de longo prazo de Bitcoin, há um fator positivo: o hashrate da rede — que mede o poder computacional total — atingiu um novo recorde de 942,61 milhões de terahashes por segundo, segundo dados do Blockchain.com.
Esse aumento de segurança e descentralização é um indicador otimista para o médio e longo prazo, pois reforça a confiança dos investidores institucionais e aumenta a resiliência da rede.
Por que isso importa?
Embora os detentores de longo prazo de Bitcoin estejam temporariamente em pausa nas vendas, eles continuam a controlar uma parcela expressiva da oferta total. Conhecidos por vender próximos aos picos de mercado, seus próximos movimentos podem definir a trajetória do preço do Bitcoin nos meses seguintes.


