A rápida adoção da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho tem forçado universidades a repensarem sua missão: como formar profissionais que não serão substituídos por algoritmos?
Com grandes empresas como Microsoft promovendo demissões em massa, além de CEOs como Andy Jassy (Amazon) admitindo que a IA vai reduzir o número de funcionários, a questão se torna urgente.
A resposta da Universidade de Washington, através da Paul G. Allen School of Computer Science & Engineering, é clara: formar solucionadores de problemas, e não apenas codificadores.
“A codificação, ou a tradução de um design preciso em instruções de software, está morta”, disse Magdalena Balazinska ao GeekWire. “A IA pode fazer isso. Nunca formamos programadores. Sempre formamos engenheiros de software.”
Ferramentas como o ChatGPT mudaram a forma como interagimos com a tecnologia, e agora fazem parte do processo de aprendizagem.
No curso de Harshitha Rebala, recém-graduada, o uso dessas ferramentas era permitido. Contudo, desde que citado como “colaborador”, como qualquer colega de equipe.
“Depois de um dia longo, se você ficar preso no mesmo bug repetidamente, é muito fácil simplesmente aceitar e dizer [à IA]: ‘esse é o bug que estou encontrando, você tem algum conselho?’”, disse Rebala.
Currículos de estudos que acompanham a revolução da IA
O Allen School encoraja professores a testarem o uso da IA em sala de aula, em vez de impor regras rígidas. Dessa forma, visam absorver aprendizados para ajustes futuros no currículo.
Essa é uma abordagem também adotada por outras instituições, como a Carnegie Mellon University. Para a diretora Balazinska, as mudanças não eliminam empregos, mas os transformam.
“Sempre haverá uma função considerada júnior, mesmo que o nível de exigência seja maior”, diz ela.
Empresas já começam a adaptar seus processos seletivos. Na Vercept, por exemplo, candidatos precisam dominar frameworks de IA e entender como aplicar modelos. Isso, sem depender unicamente de ferramentas prontas.
Ainda assim, a característica mais valorizada, segundo a CEO Kiana Ehsani, vai além da técnica:
“A qualidade mais importante, acima de todas as outras, é a curiosidade e uma genuína vontade de aprender. Essa mentalidade muitas vezes supera qualquer habilidade técnica específica.”


