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IPO da SpaceX: como comprar ações via cripto e o que você realmente está comprando

Bybit e Kraken abriram acesso tokenizado ao IPO da SpaceX. Mas tokens xStocks não são ações de verdade. Entenda a diferença.

IPO da SpaceX: como comprar ações via cripto e o que você realmente está comprando

O maior IPO da história registra US$ 150 bilhões em demanda para uma oferta de US$ 75 bilhões. E usuários de criptomoedas têm acesso garantido antes mesmo de qualquer corretora tradicional processar seu pedido.

A seguir:

  • Como Bybit e Kraken abriram a janela de subscrição tokenizada para o IPO da SpaceX, com preço fixo de US$ 135 por ação
  • O que são os tokens xStocks: por que você tem exposição ao preço, mas não tem ações de verdade
  • O risco que ninguém está destacando: prejuízo de quase US$ 5 bilhões em 2025 e uma fusão com a xAI que mudou o perfil da empresa

A SpaceX precifica suas ações a US$ 135 cada, vendendo aproximadamente 555,6 milhões de papéis para levantar US$ 75 bilhões e alcançar uma avaliação entre US$ 1,75 trilhão e US$ 1,77 trilhão, segundo a CNBC.

Se confirmado, seria o maior IPO de todos os tempos, superando o recorde da Saudi Aramco em 2019. A empresa estreia na Nasdaq em 12 de junho de 2026 sob o ticker SPCX.

Para investidores de varejo, o problema é claro: a oferta já está duas vezes sobresubscrita. Quem entra via corretora tradicional pode receber uma fração mínima, ou nada. Mas há um caminho alternativo, e ele passa pelo cripto.

Como funciona o acesso via cripto

Bybit e Kraken abrem a janela de subscrição

A Bybit lançou em 7 de junho de 2026 sua plataforma IPO Express, permitindo que usuários elegíveis subscrevam ações tokenizadas da SpaceX ao preço de oferta. A janela vai até 11 de junho, com distribuição dos tokens em 12 de junho, mesmo dia da estreia na Nasdaq.

As condições práticas: o preço indicativo é US$ 135 em USDC por ação, com uma taxa de subscrição de 5%. O mínimo é US$ 100 e cada usuário pode fazer até 50 ordens. Fundos ficam bloqueados até a alocação. Caso o preço final do IPO fique dentro de 20% do valor indicativo, a Bybit subscreve automaticamente os usuários.

A Kraken saiu na frente: abriu acesso em 5 de junho, dois dias antes, sob o ticker SPCXx, para usuários verificados em mais de 110 países.

A infraestrutura por trás: xStocks Alliance

Ambas as exchanges usam a infraestrutura do xStocks, operada pela Payward Services, braço B2B da empresa-mãe da Kraken. Os tokens são emitidos pela Backed Assets (JE) Limited, entidade registrada em Jersey. As alocações seguem modelo pro-rata. Dado o nível de sobresubscrição do IPO em si, os usuários devem esperar alocações parciais.

O que você realmente está comprando

Token de exposição, não ação. Esse é o ponto mais importante, e está no documento oficial do produto.

Os tokens xStocks são certificados rastreadores (tracker certificates), não participações societárias na SpaceX. Isso significa: sem direito a voto, sem dividendos, sem os mecanismos de proteção legal de um acionista registrado na Nasdaq.

Além disso, os próprios termos da Bybit indicam que o colateral que lastreia os tokens “pode nem sempre consistir nas ações subjacentes“. A Bybit afirma que, após a finalização das alocações no dia da listagem, cada token estará lastreado 1:1 por ações reais sob custódia de um broker-dealer regulado. Mas esse prazo importa.

O resumo objetivo: quem compra via cripto recebe a exposição ao preço. Se a ação subir, o token sobe. Se a corretora enfrentar problemas de liquidez, o detentor do token assume riscos que um acionista convencional não teria.

Quem quer ação de verdade ainda precisa da rota tradicional

Para ownership real, com direitos societários e proteção regulatória plena, a única opção é a rota convencional: Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e JPMorgan são os principais underwriters do IPO. O problema é a fila. Com US$ 150 bilhões em demanda para US$ 75 bilhões em oferta, o acesso para varejo via corretora é disputadíssimo.

O risco que o hype está escondendo

Em 2026, a SpaceX absorveu a xAI, startup de inteligência artificial de Elon Musk, em uma transação totalmente em ações. A empresa que vai a público agora combina foguetes, internet via satélite Starlink e infraestrutura de IA.

Mas os números financeiros levantam questões sérias. Em 2025, a empresa registrou prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, o prejuízo trimestral chegou a US$ 4,28 bilhões. A receita cresceu 33,2% ao ano em 2025, chegando a US$ 18,67 bilhões, mas as perdas se expandem no mesmo ritmo.

A avaliação de US$ 1,75 trilhão implica um múltiplo de 109 a 116 vezes a receita de 2025, um nível típico de software em estágio inicial. Não de uma empresa capital-intensiva com frotas de foguetes e servidores de IA.

O bull case está no Starlink: a unidade de internet via satélite registrou lucro operacional de US$ 1,19 bilhão no primeiro trimestre de 2026 e atende cerca de 10,3 milhões de assinantes. Se o Starlink continuar crescendo, a tese de valuation fecha. Se não, a conta não fecha.

Por fim, Elon Musk mantém mais de 82% do controle de voto após o IPO, segundo o arquivo S-1 depositado na SEC. Acionistas minoritários têm exposição econômica, mas influência institucional praticamente nula.

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