Fabricante francesa pede à revendedora CryptoBilis que pare vendas e entregas no Sudeste Asiático enquanto investiga denúncias de fundos desviados.
A seguir:
- Ledger pediu suspensão de vendas de uma revendedora específica após relatos de perdas
- Investigador on-chain estima perdas superiores a US$ 86 milhões em Ethereum, TRON e Bitcoin
- Empresa orienta quem comprou nos últimos 90 dias a não inicializar os dispositivos
A Ledger solicitou à revendedora CryptoBilis, que atua no Sudeste Asiático, a suspensão imediata de todas as vendas e entregas de seus dispositivos. A medida foi tomada depois que um investigador on-chain identificado como Specter apontou perdas superiores a US$ 86 milhões em carteiras Ethereum, TRON e Bitcoin ligadas a compras feitas nessa loja.
A fabricante francesa de carteiras de hardware ainda não confirmou o valor total nem se houve adulteração física dos dispositivos antes da entrega. Clientes que compraram produtos da CryptoBilis nos últimos 90 dias foram orientados a não inicializar as carteiras recebidas, enquanto quem já havia configurado o equipamento deve transferir os fundos para uma nova carteira Ledger com frase-semente diferente.
O que a Ledger disse sobre o caso?
A empresa confirmou que está apurando relatos de perda de fundos de usuários que compraram produtos da revendedora.
“A Ledger está investigando relatos de perda de fundos de usuários no Sudeste Asiático que compraram produtos de um revendedor chamado CryptoBillis”, informou a companhia.
“Como medida preventiva e enquanto aguardamos o resultado da investigação, solicitamos à CryptoBilis a suspensão imediata de todas as vendas e entregas de dispositivos Ledger”, afirmou o suporte da Ledger em publicação no X.
A companhia não detalhou se o problema está nos dispositivos entregues com algum tipo de manipulação física ou se envolve outra forma de comprometimento. O foco da investigação, até o momento, está restrito aos equipamentos vendidos por esse canal específico, e não à linha de produtos da Ledger de maneira geral.
Como os usuários descobriram que tiveram fundos roubados?
Relatos de vítimas começaram a se espalhar em fóruns e redes sociais, descrevendo saques não autorizados mesmo sem terem assinado transações suspeitas. Um usuário relatou publicamente: “Minha carteira Ledger acabou de ter quase 100 mil USDT roubados”, em postagem no Reddit.
O padrão identificado pelos investigadores sugere que as vítimas não teriam exposto suas frases-semente nem autorizado movimentações, o que levanta a hipótese de comprometimento anterior à entrega do dispositivo.
Qual o impacto desse episódio para a reputação da Ledger?
O caso ocorre em um momento delicado para a empresa, que já havia avaliado abrir capital nos Estados Unidos. A Ledger chegou a planejar um IPO avaliado em US$ 4 bilhões, mas colocou os planos em pausa diante da volatilidade dos mercados de criptomoedas.
Episódios de roubo de criptoativos têm se tornado mais frequentes e diversificados, incluindo desde ataques técnicos a dispositivos até golpes físicos e invasões residenciais. A combinação de ataques digitais e físicos tem levado fabricantes de hardware a reforçar protocolos de segurança na cadeia de distribuição.
Perguntas frequentes
Quem comprou Ledger em lojas brasileiras está em risco?
Até o momento, a investigação da Ledger está restrita a compras feitas através da revendedora CryptoBilis, que atua no Sudeste Asiático. Não há indicação de que o problema afete compras feitas em canais oficiais no Brasil ou em outras revendedoras.
O que fazer se comprei um dispositivo Ledger recentemente?
Quem comprou pela CryptoBilis nos últimos 90 dias deve evitar inicializar o dispositivo até que a Ledger confirme o resultado da apuração. Quem já configurou a carteira deve migrar os fundos para um novo dispositivo com frase-semente distinta.
A Ledger confirmou como os dispositivos teriam sido comprometidos?
Não. A empresa ainda não esclareceu publicamente se houve adulteração física dos aparelhos antes da entrega ou outra forma de comprometimento. A companhia afirma que aguarda o resultado da investigação antes de divulgar mais detalhes técnicos.


