A seguir:
- A Nomad adotou o RLUSD da Ripple para pagamentos internacionais com stablecoins entre Brasil e EUA
- O diretor de produtos da Nomad defende que stablecoins são irreversíveis no mercado financeiro, independentemente de qual token lidera
- O setor precisa de colaboração com reguladores para escalar os pagamentos internacionais com stablecoins no Brasil
A Nomad, fintech brasileira com mais de 3 milhões de clientes, deu um passo relevante no setor de pagamentos internacionais ao integrar a stablecoin RLUSD, emitida pela Ripple, ao seu fluxo de câmbio entre Brasil e Estados Unidos.
Com isso, a empresa passa a processar transações financeiras transfronteiriças por meio do Ripple Payments, uma solução baseada em ativos digitais que promete mais velocidade e eficiência nas operações.
Por que a Nomad apostou nas stablecoins para pagamentos internacionais
A decisão reflete uma tendência crescente no mercado financeiro brasileiro. Assim como Nubank, Itaú, Genial e Rendimento, a Nomad agora faz parte do grupo de instituições que incorporaram stablecoins em suas operações.
Essa movimentação reforça que os pagamentos internacionais com criptoativos deixaram de ser uma aposta experimental e se tornaram uma estratégia concreta para reduzir custos e acelerar remessas.
Lucas Dib Anselmo, diretor de produtos da Nomad, já vinha defendendo esse caminho desde o ano passado. Em participação no Blockchain Conference Brasil, ele destacou que a adoção das stablecoins é irreversível.
Para ele, não importa qual token domina o mercado, seja USDT, USDC ou RLUSD, o que vale é a capacidade dessas soluções de circularem em múltiplos ecossistemas com previsibilidade de valor.
Infraestrutura é o alicerce dos pagamentos com stablecoins
Anselmo ressaltou ainda que a experiência do usuário final depende, em grande medida, dos provedores que constroem a infraestrutura por trás dessas soluções.
Sem uma base tecnológica sólida, nenhuma empresa consegue entregar um serviço satisfatório.
Para ilustrar essa distância entre a tecnologia e o cotidiano das pessoas, ele usou um exemplo pessoal: sua mãe não sabe o que é uma carteira digital e, provavelmente, nunca vai precisar saber.
O que ela busca é suporte humano, segurança e alguém disponível quando surgir uma dúvida.
Esse argumento revela algo importante sobre o estágio atual dos pagamentos internacionais com stablecoins: a tecnologia avançou, mas a jornada do usuário ainda precisa ser simples e acessível.
Por isso, o setor exige camadas distintas, uma voltada para quem quer autonomia total sobre seus ativos digitais e outra para quem prefere uma experiência guiada e assistida.
Nomad e Ripple: uma parceria que acompanha a evolução regulatória
Além dos desafios técnicos, Anselmo apontou obstáculos no ambiente regulatório. Segundo ele, o governo brasileiro ainda passa por um processo de amadurecimento em relação aos ativos digitais.
A preocupação inicial com riscos é compreensível, mas não pode se tornar um freio para a inovação. Na sua avaliação, o verdadeiro risco está em não acompanhar as transformações do mercado global.
Nesse contexto, a integração da Nomad com o sistema de pagamentos internacionais da Ripple representa não apenas uma escolha tecnológica, mas também um posicionamento estratégico.
A parceria acontece num momento em que grandes instituições ampliam suas estruturas internas e desenvolvem redes próprias para processar pagamentos com stablecoins de forma mais eficiente.
Colaboração e regulação: o caminho para escalar os pagamentos com stablecoins
Para Anselmo, o crescimento do ecossistema depende de algo que vai além da competição entre players: é preciso construir um diálogo estruturado com reguladores, associações do setor e demais agentes do mercado.
Reduzir barreiras de entrada e promover colaboração ativa são condições essenciais para que mais empresas invistam em soluções de pagamentos internacionais com stablecoins.
A responsabilidade das empresas, portanto, não se resume a entregar produtos funcionais. Participar ativamente da construção de regras mais claras é parte do papel que fintechs como a Nomad precisam assumir nesse momento de transição.
A parceria com a Ripple, nesse sentido, consolida a empresa como protagonista de um movimento que está redefinindo o câmbio digital no Brasil.


