ZCash Brasil no Discord.

Cronos faz rollback e recupera US$ 111 milhões do ataque ao Tectonic

Rollback da Cronos recupera US$ 111,2 milhões após ataque à Tectonic, mas anula transações e gera debate sobre descentralização.

Rollback da Cronos recupera criptomoedas após ataque à Tectonic.

A seguir:

  1. Rollback da Cronos recuperou US$ 111,2 milhões dos fundos afetados.
  2. Atacantes retiraram US$ 9,19 milhões antes da paralisação.
  3. Reversão anulou 10.961 blocos e gerou críticas sobre descentralização.

A Cronos reverteu quase duas horas de operações de sua blockchain após identificar um ataque contra a plataforma de empréstimos Tectonic. A medida permitiu recuperar US$ 111,2 milhões, o equivalente a aproximadamente 92% dos recursos afetados. No entanto, o rollback da Cronos também anulou transações legítimas e reacendeu o debate sobre descentralização e segurança.

O incidente ocorreu em 30 de agosto e movimentou US$ 120,4 milhões em nove mercados da Tectonic. Embora os validadores tenham impedido uma perda ainda maior, os responsáveis pelo ataque conseguiram retirar US$ 9,19 milhões da rede antes da paralisação. Portanto, cerca de 7,6% dos ativos envolvidos continuam sem recuperação.

Rollback da Cronos recuperou 92% dos fundos

Inicialmente, as estimativas indicavam que o ataque havia comprometido aproximadamente US$ 75 milhões. Contudo, a análise publicada posteriormente pela Cronos elevou o valor total para US$ 120,4 milhões. Diante da dimensão da exploração, os validadores decidiram interromper a produção de blocos e restaurar a rede para um momento anterior à atividade suspeita.

Com o rollback da Cronos, a blockchain retornou ao último bloco processado antes do ataque. Dessa forma, os validadores recuperaram US$ 111,2 milhões que ainda permaneciam dentro do ecossistema. Os outros US$ 9,19 milhões já haviam saído da rede e continuavam sob o controle dos invasores.

A produção de blocos voltou a funcionar aproximadamente 11 horas após o início do incidente. Apesar da retomada, a decisão trouxe consequências para usuários que não tinham qualquer relação com a exploração. Isso ocorreu porque a reversão atingiu todas as operações registradas durante o intervalo escolhido.

Ataque explorou o preço do token TONIC

Segundo as informações divulgadas pela Cronos, o invasor implantou contratos e elevou artificialmente o preço do TONIC, token da Tectonic. A valorização alcançou cerca de 100 vezes o preço anterior em poucos minutos, aproveitando a baixa liquidez disponível em uma exchange descentralizada.

Em seguida, o atacante utilizou o token com preço inflacionado como garantia. Uma única transação permitiu tomar emprestados US$ 120,4 milhões em nove mercados, o que revelou a dimensão da falha. A manipulação do valor do colateral tornou possível obter empréstimos muito superiores ao valor real dos ativos depositados.

Os validadores interromperam a blockchain aproximadamente duas horas depois. Naquele momento, parte dos recursos já havia deixado a rede. Ainda assim, o rollback da Cronos impediu que os responsáveis pelo ataque mantivessem a maior parcela das criptomoedas movimentadas.

Rollback da Cronos apagou mais de 10 mil blocos

Para restaurar os fundos, os validadores desfizeram uma hora e 54 minutos do histórico da blockchain. A operação eliminou 10.961 blocos e anulou todas as transações realizadas nesse período, mesmo aquelas que não tinham ligação com o ataque à Tectonic.

Como resultado, usuários que fizeram transferências, negociações ou interações com contratos inteligentes precisaram verificar novamente suas operações. Além disso, posições abertas em aplicativos ativos passaram por uma nova avaliação quando as negociações retornaram.

A Cronos reconheceu os transtornos provocados pela medida. Entretanto, a rede afirmou que precisou escolher entre preservar o histórico dos blocos ou impedir que o invasor mantivesse os ativos. Sem a reversão, os responsáveis pela exploração continuariam no controle de uma quantia superior a US$ 111 milhões.

Decisão gera debate sobre descentralização

Embora o rollback tenha recuperado a maior parte dos recursos, a iniciativa levantou questionamentos sobre a finalização das transações. Em uma blockchain, usuários normalmente esperam que uma operação confirmada não desapareça posteriormente. Porém, a decisão dos validadores mostrou que, em uma emergência, a Cronos pode alterar o histórico recente da rede.

Essa possibilidade cria desafios principalmente para pontes, exchanges e aplicações que reconhecem transações antes de uma eventual reversão. Caso esses serviços processem uma retirada com base em uma operação posteriormente anulada, podem surgir inconsistências entre diferentes redes e plataformas.

A Cronos aceita até 100 validadores, característica que facilita a coordenação de uma paralisação e de um reinício. Por outro lado, essa capacidade também alimenta discussões sobre o grau de influência dos validadores sobre o histórico da blockchain.

Outros projetos já enfrentaram decisões semelhantes. A Harmony anunciou planos de reversão após um invasor criar mais de três trilhões de tokens ONE. A Flow, por sua vez, desistiu de um rollback após críticas da comunidade relacionadas à descentralização.

O tema também apareceu no Ethereum depois do ataque de quase US$ 1,4 bilhão contra a Bybit. Na ocasião, integrantes da comunidade rejeitaram a possibilidade de uma reversão por causa da complexidade das pontes, stablecoins e aplicações conectadas.

Assim, o rollback da Cronos apresentou um resultado financeiro significativo, mas criou um precedente controverso. A rede devolveu aproximadamente 92% dos fundos afetados, enquanto o mercado agora discute se recuperar ativos justifica apagar transações já confirmadas.

Avatar de Mirian Romão

Escrito por