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Tokenização imobiliária no Brasil soma R$ 20 bi e já tem respaldo do CNJ

Tokenização imobiliária saiu do experimental para o institucional em um ano no Brasil.

Tokenização imobiliária no Brasil soma R$ 20 bi e já tem respaldo do CNJ

A tokenização imobiliária pode ter passado despercebida por muitos, mas o mercado imobiliário brasileiro viveu, no último ano, uma virada institucional que poucos anteciparam.

A seguir:

  • O que diferencia o mercado imobiliário digitalizado do verdadeiramente digital
  • Os marcos concretos de 2025 e 2026 que definem essa virada no Brasil
  • O que Dubai e os EUA mostram sobre o futuro do setor

No segundo semestre de 2025, o tema chegou oficialmente ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), impulsionado por uma demanda do próprio mercado por regulação abrangente e capaz de viabilizar escala. Os projetos ativos já somam mais de R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) na esteira digital.

Digitalizado não é o mesmo que digital

Existe uma distinção que o mercado ainda confunde. O setor imobiliário brasileiro já era digitalizado: contratos assinados via DocuSign, processos migrados para plataformas online, documentação em nuvem. O que está acontecendo agora é diferente.

A tokenização move o setor para um ambiente verdadeiramente digital, com ativos registrados em blockchain, transacionados por wallets e com direitos rastreáveis on-chain. A diferença não é semântica. É estrutural.

“A tokenização imobiliária digitaliza o direito sobre imóveis e torna as transações mais ágeis, transparentes e seguras”, explica Andreas Blazoudakis, fundador da netspaces e cofundador dos unicórnios Movile e iFood. “O token que representa o direito sobre o imóvel o mantém no mercado imobiliário, dando ao proprietário as possibilidades de morar, alugar, obter crédito com garantia imobiliária ou transacionar seu imóvel tokenizado.”

Um detalhe relevante para quem associa tokenização apenas a investimento fracionado: os imóveis tokenizados pela netspaces permanecem no mercado imobiliário com direito de uso. Há um token por imóvel, e vários proprietários efetivamente moram nos imóveis que tokenizaram.

O que aconteceu no último ano

Blazoudakis fundou a netspaces em 2021, antecipando um ponto de inflexão que projetava para 2030. Em cinco anos, a empresa chegou a mais de 250 cidades brasileiras com um ecossistema de mais de 300 empresários envolvidos. Mas foi entre 2025 e 2026 que a velocidade mudou de patamar.

Os marcos documentados são concretos. A netspaces realizou a primeira venda internacional de um imóvel tokenizado voltada a um cidadão norte-americano. Passou a comercializar imóveis na planta em formato digital desde o lançamento.

Em março de 2026, estruturou em Porto Alegre um projeto de tokenização em parceria com o Tijolo Hub, dentro do Instituto Caldeira. Em abril de 2026, registrou as primeiras vendas de imóveis tokenizados em São Paulo, três transações no total.

O Blockchain Real Estate Summit também refletiu esse crescimento. A quarta edição do evento, realizada em 27 de maio de 2026, foi a maior da história e reuniu especialistas do Brasil e do mundo para discutir tokenização imobiliária e apresentar casos de sucesso com repercussão global.

“O crescimento nacional da tokenização imobiliária não está acontecendo de forma dispersa. Ele está começando pelas capitais, onde se concentram liquidez, densidade de lançamentos, maturidade institucional e capacidade de originação de negócios”, observa Blazoudakis.

O que o mundo mostra

Dubai é a referência internacional mais citada nesse setor por razões concretas. Em maio de 2025, a cidade registrou volumes recordes de vendas de imóveis e transações, movimento impulsionado, entre outros fatores, pelo avanço da tokenização.

O Dubai Land Department (DLD), o Banco Central dos Emirados Árabes Unidos e a Dubai Future Foundation lançaram uma plataforma que permite a propriedade fracionada com registro legal, com tokens representando partes de imóveis reais com respaldo jurídico.

A edição mais recente do Brazil Tokenization Report confirma que os EUA mantêm a liderança global no setor, mas aponta o Brasil se consolidando como polo de tokenização na América Latina.

As projeções para o Brasil até o fim de 2026

As estimativas para o encerramento do ano são expressivas: envolvimento de 1.000 incorporadoras, 100 mil corretores e 350 cidades no segmento de tokenização imobiliária brasileira.

“Para nós, que pavimentamos esse caminho, fica claro que a tokenização inaugura uma nova era para o mercado imobiliário brasileiro, mais eficiente, acessível e alinhada a uma realidade cada vez mais digital”, conclui Blazoudakis.

O momento que ele descreve como “suddenly”, aquele instante em que uma transformação que parecia distante de repente começa a se alinhar, é o que o setor imobiliário brasileiro está vivendo agora.

*Com base em análise exclusiva de Andreas Blazoudakis, fundador da netspaces

Andreas Blazoudakis é pioneiro em inovação disruptiva no Brasil. Participou da criação de 19 startups, entre elas os unicórnios Movile e iFood. É fundador da netspaces, plataforma voltada à tokenização imobiliária, onde atua na construção de um ecossistema digital para o mercado imobiliário no país.

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