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Uso de IA para terapia viraliza em 2025: O que isso significa?

Tendência global mostra uso de inteligência artificial não só para produtividade, mas para apoio emocional e psicológico em 2025.

Adolescente usando IA para terapia. Imagem: IA

Em 2025, a principal aplicação da inteligência artificial (IA) generativa deixou de ser técnica ou corporativa. Segundo o mais recente estudo da Filtered, publicado pela Harvard Business Review, o uso número um da tecnologia neste ano é a terapia e acompanhamento emocional.

Agora, as pessoas estão utilizando IA para lidar com questões emocionais, buscar escuta ativa, e até encontrar sentido na vida.

Essa tendência marca uma guinada significativa no comportamento digital, mas levanta alertas.

IA se tornou espaço seguro e acessível para buscar apoio emocional

A pesquisa analisou centenas de fóruns, como Reddit e Quora, para mapear os 100 principais usos da IA generativa no último ano. O resultado? Aplicações como “organizar a vida”, “encontrar propósito” e “ter conversas significativas” agora dominam o topo da lista.

O tema que mais cresceu foi “Suporte pessoal e profissional”, representando 31% dos casos analisados. O tema supera áreas antes dominantes, como suporte técnico. E o motivo para essa mudança está diretamente ligado à acessibilidade, custo e ausência de julgamento.

Além disso, em regiões com pouca oferta de saúde mental, como a África do Sul, usuários relatam que a IA oferece apoio onde o sistema de saúde não alcança.

“Infelizmente, segurança de dados não é uma prioridade quando a sua saúde está se deteriorando”, escreveu um usuário sul-africano citado no estudo.

Hoje, a tecnologia se tornou um espaço seguro para muitos quando o assunto é processar sentimentos, refletir sobre decisões e encontrar caminhos pessoais.

Em adição à disponibilidade 24/7, os modelos de linguagem avançaram a ponto de oferecer respostas terapêuticas comparáveis às de humanos, segundo pesquisas recentes.

“Enquanto lutamos por mais políticas públicas e inclusão social, a tecnologia avança. Mas é preciso fazer um alerta claro e responsável: a IA não substitui vínculo humano, nem competência clínica. Um algoritmo pode até simular uma conversa, mas não compreende nuances emocionais, nem assume a responsabilidade por uma vida”, destaca Felipe Becker, médico psiquiatra especializado no atendimento de crianças e adolescentes.

Redefinindo o papel da IA em nossas vidas: O que dizem os especialistas?

De ferramenta de produtividade, a IA se torna agora parceira de desenvolvimento humano. Contudo, essa nova fase levanta questões sobre ética, dependência emocional e os limites da tecnologia.

“Nenhuma criança, adolescente, adulto ou idoso deveria passar por sofrimento psíquico sem ter com quem contar de verdade. A tecnologia pode ajudar, mas o que salva mesmo ainda é o encontro: entre quem sofre e quem cuida”, afirma Becker, que desde 2012 coordena o Serviço de Internação Psiquiátrica do Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, em Joinville (SC).

Segundo o psiquiatra, o uso da IA como ferramenta de suporte emocional acarreta diversos riscos, como diagnósticos equivocados, tratamentos atrasados e até a banalização de sintomas graves.

“A IA não substitui o psicólogo, mas muda o contexto do nosso trabalho. O impacto da IA é profundo e em rápida evolução, podendo trazer oportunidades significativas para expandir o alcance e a eficácia da psicologia. Entretanto existem desafios éticos, técnicos e existenciais para prática clínica e para o papel do psicólogo como profissional humano”, ressalta Roberta Passos, psicóloga clínica e psicopedagoga especializada em neurologia pelo IPQ-FMUSP. 

Thiago Souza, especialista em tecnologia e Inteligência Artificial, ressalta que essa questão deve ser uma preocupação também para os profissionais de tecnologia.

“As IAs oferecem um tipo de escuta atrativa para aqueles que lutam com questões como timidez, ansiedade e depressão, por exemplo. Esse tipo de relação pode criar a falsa sensação de pertencimento tornando o contato humano real cada vez mais escasso. É esse tipo de questão que devemos debater e encontrar meios para equilibrar, já que a IA e a tecnologia desempenham um importante papel em nossas vidas, mas que não pode – e nem deve – substituir as relações interpessoais”, alerta o especialista.

Top 10 casos de uso da IA em 2025

A lista da Harvard Business Review com os 10 principais usos da IA em 2025 mostra uma mudança clara de foco: saímos da geração de ideias e tarefas objetivas para aplicações voltadas ao bem-estar, organização pessoal e desenvolvimento humano.

Assim, terapia, companhia, propósito de vida e hábitos saudáveis ganham destaque, indicando que o futuro da IA não é apenas mais eficiente — é mais humano.

Top 10 casos de uso da inteligência artificial (IA) em 2025. Fonte: Harvard Business School.

Há limites para o uso da inteligência artificial?

Se 2025 já revela uma inteligência artificial que escuta, orienta e conforta, a grande questão é: o que vem a seguir?

No futuro, poderemos encontrar agentes ainda mais autônomos — não apenas capazes de aconselhar, mas de tomar decisões e agir em nome dos usuários. Essa evolução, no entanto, traz à tona novos dilemas.

Mais do que inovação, será preciso garantir que esses sistemas avancem com critérios claros de segurança, responsabilidade e, acima de tudo, humanidade

Última atualização em 14/06/25 por Viviane Pedro

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