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Web3 ainda respira comunidade, apesar de institucionalização

TokenNation 2026 mostra que institucionalização do mercado não sufoca espírito de comunidade da Web3, apesar de exigir mudanças.

Evento TokenNation 2026 com arte digital e inteligência artificial

A segunda metade do ano geralmente é marcada por uma diversidade de eventos, especialmente do mercado blockchain e de criptoativos. Neste nicho específico, o TokenNation 2026, que acontece nos dias 1 e 2 de junho na Bienal em São Paulo, recupera um mantra que parecia estar perdido: o de comunidade descentralizada.

É claro que os painéis mais institucionais e keynotes marcaram presença, mas o palco “Onchain” chamou a atenção pelos seus temas. Desde como ser um criador de conteúdo na Web3 à ciência descentralizada, as discussões mostraram que ainda há quem respire o termo “degenerado” e “descentralizado”.

Em 2026, grande parte dos eventos sobre a indústria trazem exatamente essa sensação: de ser uma indústria. Painéis sobre stablecoins, tokenização e como atrair a grande baleia branca para o mercado agora são os cartões de visita do nicho.

Apesar de serem temas importantes, condiz bastante com a ambientação atual do mercado.

A institucionalização vem ganhando espaço desde 2025, mas parece sufocar as ideias revolucionárias de quem construiu a Web3. O sentimento de descentralização, que parecia estar perdido em uma mesa de escritório na Faria Lima, tomou novas proporções durante o evento.

DeSci e palco Onchain

Mediado pelo jornalista Gino Matos, o palco abriu com uma discussão sobre a evolução da DeSci, ciência descentralizada. Em conversa com Maria Goreti Freitas, cientista PhD, a provocação é sobre financiamento descentralizado para pesquisas por meio da Web3.

Apesar de ser um meio pouco convencional, o financiamento de pesquisas pela Web3 é capaz de democratizar o ambiente acadêmico no Brasil. A tese é de que, uma vez pulverizado o poder econômico dos decisores, as pesquisas seriam mais livres de vieses financeiros.

O ponto central é que, o simples fato da discussão sobre DeSci – uma ideia que existe desde os primórdios do setor – ganhar espaço em um evento sobre blockchain mostra que o pensamento libertário da Web3 ainda respira. Ao menos entre os autodenominados “degenerados”.

Web3 e SocialFi

Em um dos painéis do palco “onchain”, chamado “atenção é dinheiro”, alguns dos principais criadores de conteúdo da Web3 falaram sobre a nova economia criativa. O tema central da conversa é como o marketing digital continua crescendo no nicho, mas a produção de conteúdo necessita ser melhor lapidada.

Mesmo assim, a conclusão do painel foi otimista: dentro da economia da atenção, a Web3 trouxe consigo uma quantidade imensa de novos negócios e ainda está viva. Apesar disso, é preciso que o criador ganhe destaque e saiba como manter-se fora da “mesmice”.

Segundo Daniel Figueiredo, conhecido como “Dollar” no X, a responsabilidade é mútua. A empresa precisa deixar o criador de conteúdo “fazer o que sabe de melhor” ao produzir um material que converse com seu público. Não obstante, do lado do criador, é essencial que ele se reinvente e seja honesto com seu público.

OxCokinha, outro criador de conteúdo especializado que participou do painel, concorda com Figueiredo. Em sua análise, a Web3 já mudou para sempre a forma como as pessoas ganham dinheiro na internet. “Para os criadores de conteúdo, é um novo oceano de oportunidades.”

O SocialFi, termo que define a monetização direta do criador de conteúdo por meio de redes sociais, é o maior exemplo disso.

“É benéfico para ambos, ainda mais quando a empresa dá total liberdade para o criador fazer isso. Ninguém entende mais a comunidade Web3 do que a pessoa que vivencia ela na prática”, disse OxCokinha, criador de conteúdo no X durante o painel.

Comunidade Web3 do “CTBR” marca presença

As redes sociais são um dos pilares da comunidade Web3. O ambiente virtual unifica aqueles que querem experienciar a tecnologia da forma para a qual foi concebida inicialmente.

Ou seja, são os entusiastas que usam protocolos de finanças descentralizadas, e levam consigo ideologias adjuntas à tecnologia como auto custódia e transparência.

Além de representantes de empresas e investidores institucionais, o TokenNation atraiu grande público do chamado “CTBR”, sigla para “Crypto Twitter Brasileiro” em tradução livre. Não somente atraiu, como chamou-os para um palco temático que foi o “Onchain”.

Demanda da Web3 é real e busca por profissionais

Em entrevista, OxCokinha avalia a Web3 hoje como ainda essencial em meio à institucionalização. Não somente essencial, mas de fato intrínseca ao mercado.

Conforme ele, os ideais da Web3 sempre vão existir, bem como a demanda de quem a traduz para o público geral. A institucionalização é um fator importante e inevitável para o mercado cripto, segundo o especialista.

Apesar de ser natural que os ciclos de mercado tragam diferentes percepções e níveis de entusiasmo de quem participa dele, a educação e o sentimento de pertencimento foi o que deu início a tudo.

OxCokinha começou a produzir conteúdo para iniciantes em 2023, e diz ter aprendido tudo do zero. Hoje ele ajuda novos entrantes a se situar e aponta a importância e responsabilidade da comunidade Web3 com a próxima geração de “cyberpunks”.

“É imprescindível que os criadores de conteúdo estudem. Ninguém tem o direito de publicar informações erradas por não conhecer sobre a tecnologia. É do dinheiro dos outros que estamos falando”, avalia.

E o público que consome a Web3 não só está bem atento, como também gera uma demanda grande por profissionais. O produtor de conteúdo diz sentir na pele a necessidade de bons profissionais.

“Eu trabalho das 9h às 3h. E ainda não consigo aceitar toda proposta de trabalho. Não dá para abraçar o mundo”, conclui. “Sempre vai existir o degenerado. Sempre vai ter quem queira usar a Web3 com privacidade e custódia própria.”

O sentimento que o TokenNation trouxe é de que o mercado institucional não está sufocando a essência da comunidade Web3. Mas com a entrada de fluxos financeiros dos grandes, o setor está cada vez mais exigindo a profissionalização e seriedade de quem o compõe.

Bitcoiners também respiram

No mesmo palco, o painel “o bitcoin está falhando em sua missão” trouxe à tona os conflitos da ideologia libertária dos bitcoiners com uma indústria inteira.

Rafaela Romano, founder da Disruptivas; Rafael Castaneda, co-founder da Oxxus e Michael da ZCASH discutem exatamente sobre a perda de espaço que a ideologia bitcoiner enfrenta em meio à institucionalização.

A discussão foi uma viagem no tempo, que também trouxe questionamentos atuais importantes como computação quântica e a corrida pela carteira de Satoshi.

O painel trouxe o sentimento de ler o BitcoinTalk, blog onde os pioneiros do Bitcoin se encontravam. Para os painelistas, o sentimento de que os “cyberpunks” originais do Bitcoin diluiu-se em produtos como ETFs não é verdadeiro.

Apesar disso, houve dissociações ao longo dos ciclos, como o caso dos Ordinals. Em resumo, o papo trouxe críticas e perspectivas sobre a “cultura do Bitcoin” no futuro frente à onda de tubarões institucionais recentes.

Última atualização em 10/06/26 por Leonardo Cavalcanti

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