A China acaba de dar um salto histórico na corrida tecnológica global. Em menos de 48 horas, cientistas chineses revelaram dois avanços que podem redefinir os limites da computação moderna: um transistor bidimensional de bismuto, capaz de superar o silício em velocidade e eficiência, e o Zuchongzhi 3.0, um computador quântico supercondutor com 105 qubits que é considerado o mais poderoso do mundo.
Ambos os marcos foram divulgados por universidades e centros de pesquisa chineses, com destaque para a Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC) e o Centro de Engenharia de Computação Quântica da Província de Anhui.
A supremacia quântica chinesa em números
O Zuchongzhi 3.0 representa um avanço sem precedentes na computação quântica. Desenvolvido por uma equipe liderada pelos físicos Pan Jianwei e Zhu Xiaobo, o sistema é capaz de realizar tarefas quatrilhões de vezes mais rápido que os supercomputadores clássicos.
Alem dissp, o Zuchongzhi 3.0 é milhões de vezes mais rápido que o Sycamore, que em 2019 levou 200 segundos para uma tarefa que exigiria 10 mil anos em um supercomputador, traçando talvez uma corrida quântica entre China e EUA.
O equipamento já processou mais de 500 mil tarefas desde sua ativação em janeiro de 2024, com acessos registrados em 143 países.
Zuchongzhi 3.0: o novo padrão global
O processador quântico chinês opera com 105 qubits legíveis e 182 acopladores. Dessa forma, ele supera em seis ordens de grandeza os resultados mais recentes do Sycamore, do Google.
Inclusive, o estudo publicado na revista Physical Review Letters, sendo considerado uma referência para benchmarking de sistemas quânticos supercondutores.
Aplicações práticas e estratégicas
Sendo assim, o Zuchongzhi 3.0 já está sendo utilizado em simulações de dinâmica de fluidos, biomedicina e tecnologia financeira.
Em resumo, o equipamento integra uma plataforma experimental em nuvem voltada para resolver problemas complexos em setores estratégicos. Por fim, a China reforça sua posição como líder global em computação quântica, com domínio completo de software, controle de qubits e ambientes de ultra baixa temperatura.
O transistor de bismuto e o fim da era do silício
Além dos avanços quânticos, pesquisadores da Universidade de Pequim apresentaram um transistor bidimensional de bismuto que promete substituir o silício nos chips do futuro. A inovação foi publicada na revista Nature e já é considerada um divisor de águas na engenharia de semicondutores.
O transistor de bismuto pode reduzir o impacto ambiental da indústria de chips, já que o silício exige processos de fabricação altamente poluentes. Inclusive, o uso de materiais bidimensionais pode tornar a produção mais sustentável e eficiente.
Por que o bismuto é revolucionário?
- O transistor é 40% mais rápido que os chips de silício de 3 nanômetros
- Consome 10% menos energia
- Utiliza uma camada ultrafina de oxicalcogenetos de bismuto
- Reduz interferências quânticas e perdas energéticas
- Permite construção de chips menores e mais eficientes
Implicações geopolíticas e industriais
Igualmente, o uso do bismuto é uma resposta direta às sanções internacionais que limitam o acesso da China a tecnologias avançadas.
Inclusive, o país busca autonomia na produção de semicondutores, o que pode redesenhar o mapa da indústria global. Em resumo, o transistor de bismuto inaugura uma nova era de microprocessadores sustentáveis e de alto desempenho.
A resposta chinesa às sanções dos EUA: autonomia como estratégia
A China vem reagindo às sanções dos Estados Unidos com uma estratégia clara de autonomia tecnológica. Desde que Washington intensificou restrições à exportação de chips e sistemas avançados, o governo chinês acelerou investimentos em pesquisa local, semicondutores alternativos e computação quântica.
Dessa forma, avanços como o chip de bismuto e o supercomputador Zuchongzhi 3.0 mostram que o país não apenas resiste às limitações externas, mas também redefine sua posição na corrida global por inovação. Em resumo, as sanções funcionaram como gatilho para uma nova fase de independência tecnológica chinesa.
Tecnologias emergentes que podem redefinir o futuro estratégico da China
Os avanços da China em áreas como computação quântica e novos materiais, como o chip de bismuto, abrem caminho para aplicações futuras em diversos setores. Entre as principais possibilidades estão:
- Inteligência artificial mais poderosa e eficiente
- Comunicação segura por meio de redes quânticas
- Diagnósticos médicos mais precisos e rápidos
- Defesa cibernética com níveis avançados de proteção
- Exploração espacial com maior capacidade de processamento
Essas tecnologias têm potencial para transformar a indústria, a saúde, a segurança e a ciência, consolidando a China como uma potência em inovação estratégica.
O uso bélico da tecnologia quântica na estratégia militar chinesa
A tecnologia quântica representa uma das fronteiras mais avançadas da ciência contemporânea. A China investe agressivamente em aplicações militares da computação quântica, comunicação quântica e sensores quânticos, com o objetivo de redefinir sua capacidade estratégica frente a adversários como os Estados Unidos.
Uma das áreas mais promissoras é a comunicação quântica segura, baseada no princípio do entrelaçamento quântico, permitindo a transmissão de informações que, se interceptadas, ficam automaticamente corrompidas, tornando a espionagem praticamente impossível.
A China demonstra avanços significativos nesse campo, como o lançamento do satélite Micius, que realizou com sucesso a primeira comunicação quântica entre o espaço e a Terra.
Em um cenário bélico, isso significa que comandos militares, dados de inteligência e estratégias podem ser transmitidos com segurança absoluta, mesmo em ambientes de guerra eletrônica intensa.
Outro campo de aplicação é a computação quântica que, em contextos militares, pode ser usado para decifrar códigos inimigos em tempo real, simular cenários complexos de batalha, otimizar rotas de mísseis e drones, e até prever movimentos adversários com base em grandes volumes de dados.
Sensores quânticos e projeção de poder estratégico
Além disso, os sensores quânticos serão desenvolvidos para aplicações como navegação sem GPS, detecção submarina e vigilância aérea.
A integração dessas tecnologias no arsenal bélico chinês não é apenas uma questão de inovação, mas parte de uma estratégia geopolítica mais ampla, criando um pilar da nova doutrina militar chinesa.
O futuro da computação está sendo escrito agora
A combinação entre o avanço quântico e a inovação em materiais representa uma virada estratégica para a China. Assim sendo, o país não apenas desafia a supremacia ocidental, como também propõe novos paradigmas para o futuro da computação.
Segundo Guo Guoping, diretor do Centro de Engenharia de Computação Quântica de Anhui, “essas capacidades nos dão confiança para competir em igualdade com outros países no campo da computação quântica”.
Pesquisadores chineses trabalham em correção de erros quânticos com códigos de distância 7, 9 e 11, o que pode viabilizar computadores quânticos programáveis de uso geral.




