A seguir:
- Nova regulação do Banco Central exige capital mínimo alto e acelera vendas de exchanges.
- Empresas pequenas buscam compradores rapidamente para evitar encerramento.
- BC prepara nova Instrução Normativa e define prazo de adaptação até 2026.
A nova regulação do Banco Central transformou o mercado cripto brasileiro e desencadeou uma corrida inédita por fusões, aquisições e reorganização interna entre as empresas do setor.
O novo conjunto de exigências, especialmente sobre capital mínimo, pressiona negócios de menor porte e marca um ponto de virada para 2026. O cenário muda com velocidade e cria tensões entre segurança regulatória, sobrevivência operacional e competitividade.
Desde a publicação das regras, pequenas exchanges buscam compradores para evitar encerrar suas atividades.
A pressão financeira aumenta, porque o capital mínimo exigido pelo BC varia de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, valor considerado alto para startups e empresas que ainda tentam consolidar seus modelos de negócios. Esse movimento, impulsionado diretamente pela nova regulação do Banco Central, já afeta o equilíbrio do setor.
Nova regulação do Banco Central e a corrida por compradores
A estimativa de mercado indica que pelo menos três grandes empresas de cripto foram procuradas por companhias menores interessadas em venda imediata.
Executivos relataram que assinaram NDAs para iniciar conversas de aquisição, reforçando a percepção de que o impacto da nova regulação do Banco Central é profundo e acelerado.
A advogada Emilia Campos, em conversas com o Cointelegraph Brasil, destaca que as novas exigências criaram um efeito dominó que atinge especialmente empresas que nunca representaram risco sistêmico.
Segundo ela, o ambiente agora favorece concentração e redução da concorrência, fenômeno que costuma prejudicar inovação e acesso.
Nova regulação do Banco Central e o debate sobre capital mínimo
Empreendedores afirmam que o setor esperava um escalonamento mais suave, começando por capital exigido próximo a R$ 1 milhão. A imposição de valores acima de R$ 10 milhões surpreendeu o mercado e ampliou a urgência por fusões.
Para empresas pequenas, a regulação cria um dilema: buscar compradores agora, em um momento desfavorável, ou encarar o risco de fechar as portas nos próximos meses.
O próprio ecossistema entende que vender uma empresa funciona melhor quando existe alta demanda. Porém, neste momento, quem vende enfrenta desvantagem e vê seu valuation reduzido.
Essa situação gera um ambiente ainda mais complexo, marcado por pressão regulatória e incerteza sobre o futuro do mercado.
O advogado Isac Costa ressalta que a nova regulação do Banco Central exige capital muito superior ao que a União Europeia determina pela MiCA, onde o valor oscila entre € 50 mil e € 150 mil.
Para ele, o BC enxerga vulnerabilidades maiores no mercado brasileiro, especialmente após investigações recentes envolvendo instituições financeiras e fintechs.
Para reforçar o processo, o Banco Central lançou uma calculadora oficial que permite que cada empresa simule quanto precisará cumprir de capital mínimo. O órgão afirma que o conjunto de medidas aumenta a segurança do sistema financeiro e fortalece práticas de prevenção à lavagem de dinheiro.
Nova regulação do Banco Central inclui nova Instrução Normativa
Durante o evento “O futuro dos ativos digitais no Brasil”, o BC anunciou que uma nova Instrução Normativa será divulgada nos próximos dias.
Ela definirá como as empresas devem enviar informações ao regulador para atuarem como PSAVs. O documento complementa as resoluções 519, 520 e 521 e estabelece um prazo de nove meses para adaptação, a partir de fevereiro de 2026.
Segundo Eduardo Liberato, do Departamento de Regulação, o objetivo não é interromper operações, mas organizar o setor durante o período de transição. As empresas poderão continuar funcionando enquanto se ajustam à nova regulação do Banco Central, o que reduz tensões, mas não elimina a necessidade de mudanças estruturais.


