O Banco Central encerra testes do Drex após quatro anos por questões de privacidade e segurança, iniciando nova fase de desenvolvimento.
A seguir:
- Drex será desligado em 10 de novembro
- Nova infraestrutura digital ainda sem definição sobre uso de blockchain
- Projeto falha após quatro anos e acende debate sobre privacidade e segurança
Drex chega ao fim após 4 anos e abre espaço para novo modelo digital
O Drex deve ser desligado na próxima segunda-feira (10), após quatro anos de testes. O anúncio, publicado pelo portal BlockNews nesta terça-feira (4), pegou o mercado financeiro de surpresa e encerra uma das maiores iniciativas de modernização tecnológica já conduzidas no sistema financeiro brasileiro. Embora o BC reafirme planos para desenvolver um modelo sucessor, ainda não existe definição sobre o uso de blockchain.
O projeto surgiu com ambições elevadas. Assim, o Banco Central buscou pavimentar o caminho para uma moeda digital nacional e posicionar o Brasil entre os países mais avançados em infraestrutura financeira tokenizada. Entretanto, questões técnicas ligadas à privacidade, à segurança e à padronização operacional inviabilizaram a continuidade do modelo atual.
A reunião que selou o destino do Drex ocorreu nesta terça-feira (4) com os consórcios participantes dos pilotos. O encontro contou com condução da área de tecnologia da informação do BC, incluindo a auditora e técnica do projeto, Clarissa Souza. Curiosamente, a área de negócios do regulador não participou da apresentação, fato que reforça a abordagem mais técnica na nova fase.
Drex falha na proposta de blockchain
O Banco Central utilizou a plataforma Hyperledger Besu durante as fases de teste. O BC acreditava que essa tecnologia permitiria mais privacidade, segurança e eficiência para serviços de tokenização e liquidação financeira.
Porém, na prática, desenvolvedores e especialistas identificaram limitações estruturais. Esses pontos reduziram o entusiasmo de grandes instituições financeiras, fintechs e iniciativas de inovação.
Além disso, análises sugerem que a tecnologia não atendia aos requisitos mínimos para uso em larga escala. Isso ocorreu porque sua capacidade de preservar dados sigilosos não acompanhou o padrão exigido pelo sistema financeiro brasileiro. Do mesmo modo, a interoperabilidade entre redes também sofreu críticas.
De certa forma, a decisão de encerrar o Drex já aparecia como tendência. Em agosto, durante a etapa três do piloto, o BC admitiu que estudava alternativas sem blockchain. Essa sinalização acendeu o alerta no mercado, pois mostrou que o projeto deixava de seguir o caminho esperado.
BC inicia nova fase após encerramento do Drex
O BC deve trabalhar primeiro na definição dos casos de uso, para só depois decidir qual tecnologia sustentará a nova plataforma. Assim, o regulador reorganiza o plano, que antes priorizava testes técnicos.
Com isso, a nova fase deve integrar o Pix, o Open Finance e o mercado de investimentos tokenizados. O objetivo é construir uma solução mais robusta, escalável e alinhada às necessidades do ecossistema financeiro brasileiro.
De acordo com fonte ouvida pelo Cointelegraph, a decisão não surpreendeu após anúncios realizados no FebrabanTECH e no Blockchain Rio.
A reunião, trouxe detalhes importantes e reforçou a segurança do processo de desligamento. Isso incluiu esclarecimentos sobre os critérios que o BC pretende usar para selecionar tecnologias públicas para projetos futuros.
Drex mobilizou bancos e startups, mas perde força
O Drex surgiu em 2021. Naquele momento, o BC apresentava a ideia de criar uma infraestrutura digital capaz de acelerar o desenvolvimento de produtos financeiros. O projeto atraiu bancos, startups e gigantes de tecnologia. Dessa forma, o cenário promoveu investimentos em tokenização e soluções blockchain.
A promessa incluía inclusão financeira, redução de custos operacionais e mais velocidade nas transações. Contudo, falhas técnicas e dúvidas sobre a proteção de dados reduziram o otimismo. Ao mesmo tempo, limitações operacionais enfraqueceram o projeto.
Especialistas apontam que o Drex sofria problemas de maturidade tecnológica. Esses fatores, combinados à dificuldade em garantir privacidade adequada, inviabilizaram sua continuidade.
Última atualização em 05/12/25 por TechCripto


