Sistemas preditivos de inteligência artificial já conseguem antecipar o que você vai comprar antes de você e empresas brasileiras já estão aproveitando isso.
A seguir:
- O que é o Marketing 7.0 e como ele representa uma virada no pensamento
- Por que preço e produto viraram commodity e o que passou a definir o valor de uma marca
- Como ferramentas como o GPT Maker da Irrah Tech estão colocando esse modelo em prática hoje
Quando Freud publicou A Interpretação dos Sonhos, em 1900, a ideia central era simples e perturbadora: as pessoas não sabem o que as move. Desejos, impulsos, medos, tudo isso opera antes da consciência.
Mais de um século depois, essa lógica migrou para o marketing. Só que agora quem “interpreta” não é um analista com caderno de notas. É um algoritmo.
Essa é, em essência, a virada que Philip Kotler (o “pai do marketing moderno”) descreve em seu livro mais recente, Marketing 7.0: A Guide for Thinking Marketers in the Age of AI, escrito com Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan.
O conceito central é o de marketing “mind-centric”: não mais focar em otimizar funis e métricas, mas acessar como o cérebro do consumidor processa informações, forma atenção e decide.
Da mercadoria ao significado a linha do tempo do marketing
Para entender onde estamos, vale olhar de onde viemos. O Marketing 1.0 era centrado no produto; o 2.0, no consumidor; o 3.0 incorporou valores e propósito; o 4.0 trouxe a integração entre o físico e o digital; o 5.0 introduziu o uso de tecnologias avançadas com foco na humanização; e o 6.0 ampliou a conexão entre experiências e ecossistemas digitais.
O 7.0 surge como síntese e ruptura ao mesmo tempo. O modelo proposto enfatiza a integração entre inteligência humana e inteligência artificial, formando um sistema híbrido.
Enquanto a IA oferece escala, velocidade e precisão, os humanos continuam responsáveis por interpretação, contexto, ética e criatividade.
Segundo Vinicius Grecco, gerente de Marketing da Irrah Tech, empresa que desenvolve soluções de relacionamento com clientes, a lógica de fundo não mudou tanto assim.
“No fundo, a lógica continua a mesma: entender o que move as pessoas. Só mudaram a escala, a velocidade e as ferramentas.”
O que a IA já consegue prever e como
Cliques, tempo de navegação, histórico de busca, tom de conversa, padrões de interação em redes sociais. Isolados, esses dados parecem banais. Em conjunto, revelam intenções que o próprio consumidor ainda não formulou conscientemente.
No Marketing 7.0, não se trata mais apenas de usar ferramentas digitais, mas de coexistir com uma inteligência que antecipa desejos antes mesmo de o consumidor os formular.
O pós-venda, por exemplo, já pode ser gerido por algoritmos que detectam sinais de abandono antes de o cliente pensar em sair.
A abordagem “mind-centric” proposta por Kotler faz o profissional desenhar jornadas pensando em como engajar os três filtros do cérebro humano: os gatilhos de atenção, os conectores sociais e os motivadores de recompensa. Não é psicologia do varejo. É engenharia de comportamento em escala.
Produto virou commodity. A experiência, não.
Uma das mudanças mais concretas que o Marketing 7.0 impõe é de eixo. O produto sai do centro. A experiência entra. A pergunta que orienta estratégias muda de “como vender?” para “que jornada entregar?”.
Em mercados saturados, preço e produto se equiparam rapidamente entre concorrentes. O que diferencia uma marca é o que o consumidor sente, antes, durante e depois da compra. Personalização em escala, que antes era privilégio do luxo, passa a ser viável para empresas de qualquer porte.
“Com o uso de inteligência artificial, é possível transformar milhares de interações simultâneas em experiências únicas, respeitando o perfil, o momento e a intenção de cada consumidor”, explica Grecco.
Marketing contínuo: o fim das campanhas pontuais
Outro impacto direto do modelo é sobre o ritmo do marketing. Campanhas com começo, meio e fim perdem espaço para uma presença constante, integrada e responsiva. O consumidor pesquisa em um canal, compara em outro, decide em um terceiro. Marcas que operam em silos perdem relevância no caminho.
O livro Marketing 7.0 oferece estruturas práticas para a narrativa da marca, demonstrando três caminhos para acessar a mente do consumidor e ensina os profissionais a explorarem os vieses humanos ao criar propostas de valor. A integração de canais deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico de operação.
Como isso funciona na prática
Para viabilizar esse modelo, a Irrah Tech desenvolveu o GPT Maker, plataforma que permite criar agentes de IA personalizados conforme as necessidades de cada negócio.
Esses agentes aprendem com as interações, adaptam a comunicação e tomam decisões alinhadas aos objetivos da empresa, operando 24 horas, ao longo de todo o funil de vendas.
“O Marketing 7.0 propõe um marketing contínuo, baseado em interação e personalização em escala. Sem tecnologia, isso não se sustenta. Ferramentas como o GPT Maker permitem que o marketing deixe de ser algo que se planeja e passe a ser algo que acontece, em tempo real”, afirma Grecco.
Propósito como diferencial mesmo com toda a tecnologia
Há um ponto que Kotler faz questão de manter no centro do modelo: a inteligência artificial amplifica o alcance, mas são os humanos que decidem lealdade. Em um ambiente saturado de estímulos, eficiência não basta. O consumidor busca significado.
“As marcas precisam ter algo relevante a dizer e, ao mesmo tempo, garantir que isso seja percebido em cada interação. A combinação entre propósito claro e experiência consistente é o que sustenta esse novo modelo”, conclui Grecco. “No fim, a tecnologia não substitui a compreensão humana — ela a amplifica. E entender o consumidor deixa de ser vantagem competitiva e passa a ser condição básica para existir.”
O Marketing 7.0 não é o fim do marketing tradicional, mas sua evolução máxima. A questão, para empresas de qualquer setor, é saber em qual ponto dessa curva elas estão e se ainda têm tempo para acelerar


