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7 criptomoedas para setembro

Pedro Fontes (Mercado Bitcoin) e Matias Part (Bitget) recomendam Bitcoin, Ethereum, Solana, Hyperliquid, Uniswap, Aave e Virtuals para setembro de 2026.

7 criptomoedas para setembro

A seguir:

  • Pedro Fontes recomenda 7 ativos para setembro: Bitcoin, Ethereum, Solana, Hyperliquid, Uniswap, Aave e Virtuals
  • Bitcoin depende de recompras do Tesouro e decisão do Fed; ETFs captaram US$ 1,92 bilhão na semana
  • Ethereum aguarda Glamsterdam em 28 de setembro; Solana aprova votação inédita sobre emissão

Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin, mapeou sete criptomoedas com potencial de destaque em setembro. Matias Part, analista da Bitget, complementa com perspectiva sobre os três maiores ativos.

A seleção reúne consolidados e projetos expostos a gatilhos específicos: Bitcoin, Ethereum, Solana, Hyperliquid, Uniswap, Aave e Virtuals Protocol.

Bitcoin

Bitcoin é a maior criptomoeda com ETFs amplamente acessíveis a investidores institucionais nos EUA. Fontes aponta o gatilho:

“O principal gatilho para setembro vem de fora do mercado cripto: em 19 de agosto, o Tesouro americano anunciou que vai dobrar o tamanho de suas operações de recompra de títulos longos, de US$ 2 bilhões para no mínimo US$ 4 bilhões por operação, mudança que entra em vigor em 9 de setembro.”

A medida visa conter alta dos juros longos. Rendimento do título de 30 anos chegou a 5,31%, maior nível desde 2007. Dívida pública americana ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez.

Esse cenário sustenta o “debasement trade”. Ativos de oferta limitada ganham atratividade com expansão monetária. Os fluxos reagiram: ETFs americanos captaram US$ 1,92 bilhão na semana de 21 de agosto, maior entrada semanal desde outubro de 2025. Standard Chartered avalia que Bitcoin pode chegar a US$ 100 mil até fim de ano.

Mas há risco crítico. Matias Part, da Bitget, identifica:

“O que define seu setembro não é o mercado cripto, mas o cenário macroeconômico: o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole foi inesperadamente duro, e o mercado já atribui mais de 60% de probabilidade a uma alta de juros em 16 de setembro. Se isso se confirmar, a recuperação de agosto — apoiada pelo melhor mês de entradas em ETFs de todo 2026 — fica ameaçada.”

Ethereum

Ethereum é principal blockchain de contratos inteligentes. Tem dois gatilhos em setembro.

O primeiro é regulatório. Com CLARITY Act travado, agências americanas criam regras. Em 14 de agosto, SEC votou Regulation Crypto Assets, abrindo caminhos legais para emissão de tokens. CFTC anunciou regras para operação de protocolos descentralizados.

Regras mais claras beneficiam blockchains consolidadas. Ethereum emerge como candidata a capturar fluxo institucional.

Fontes detalha o contexto de oferta:

“Na oferta, 42,38 milhões de ETH estão em staking, recorde histórico ante 36 milhões em janeiro, o que aperta a liquidez disponível justamente no momento em que a demanda institucional ganha tração. Some-se a isso a Glamsterdam, maior atualização da rede desde o Merge, prevista para as redes de teste em 28 de setembro.”

Part complementa:

“É negociado em torno de US$ 2.440, cerca de 65% acima da mínima do ano. O dado de fundo é que mais de um terço da oferta está bloqueada em staking e fora do mercado, enquanto os ETFs com rendimento habilitado começam a atrair capital institucional. No curto prazo, a referência é 28 de setembro: essa é a data prevista para testar o Glamsterdam, a maior atualização da rede desde The Merge, na rede de testes Sepolia.”

Quando oferta encolhe e demanda institucional sobe, resultado é pressão para cima. Ethereum virou ativo raro: yield + escassez + inovação técnica.

Solana: Primeira rede que vota emissão

Solana é conhecida por transações rápidas e baratas. Em 21 de agosto, reduziu tempo de bloco de 400 para 350 milissegundos, primeira mudança desde lançamento em 2020. Mais três cortes estão previstos até chegar a 200 milissegundos.

O ajuste favorece aplicações sensíveis à latência: exchanges descentralizadas e mercados de derivativos.

Mas o evento político foi maior. Fontes documenta:

“Em paralelo, a Solana abriu em 22 de agosto sua primeira votação formal de governança, com propostas que podem tirar cerca de 18,9 milhões de SOL da oferta prevista para os próximos seis anos e multiplicar por até 14 vezes a queima diária de tokens.”

Part contextualiza o precedente:

“É a primeira vez que uma grande rede decide sua emissão por meio de votação, embora a mudança ainda precise ser implementada tecnicamente. Em setembro, também chega uma melhoria no processamento de transações, preparando o terreno para o salto de velocidade previsto para outubro.”

É inédito. Validadores de Solana controlam política monetária. A SOL negocia em torno de US$ 103 e subiu 25% em uma semana após votação.

Solana está consolidando posição técnica enquanto implementa inovação política. A combinação rara no mercado.

Hyperliquid: Regulação como tudo

Hyperliquid é a maior exchange descentralizada de futuros perpétuos. Movimentou mais de US$ 114 bilhões em agosto. O gatilho é regulatório.

Em 19 de agosto, Donald Trump afirmou que presidente da CFTC trabalha para trazer Hyperliquid aos EUA de forma regulada. Hoje a plataforma bloqueia usuários americanos, maior mercado de derivativos do mundo.

Dois mecanismos de recompra ganham força em setembro. Nos últimos 30 dias, protocolo gerou US$ 54,3 milhões em taxas, ritmo anualizado próximo de US$ 970 milhões. Quase todo é revertido em recompras de HYPE.

O AQAv2, aprovado pelos validadores, transforma rendimento dos mais de US$ 5 bilhões em USDC depositados em segunda fonte de recompra, com estimativa de US$ 135 a US$ 160 milhões por ano.

Se Hyperliquid operar nos EUA, esses mecanismos ganham escala real.

Uniswap: Volume como motor de queima

Uniswap é a maior exchange descentralizada, com mais de US$ 3,6 trilhões negociados desde 2018. Desde dezembro de 2025, parte das taxas é usada para comprar e queimar UNI. Já foram retirados 108 milhões de tokens, em ritmo estimado de US$ 90 milhões por ano.

O gatilho para setembro é volume. Robinhood Chain, lançada em julho, tem Uniswap como principal provedora de liquidez e já soma quase US$ 1 bilhão depositado — crescimento mais rápido já registrado por blockchain.

O índice Fear & Greed marcava 73 em 24 de agosto, maior nível desde outubro de 2025, indicando volta do apetite especulativo. Quando especuladores retornam, exchanges descentralizadas ganham com rotação entre tokens.

Aave: RWA e V4 em aceleração

Aave é o maior protocolo de DeFi em valor depositado, com cerca de US$ 17,7 bilhões. O gatilho principal é adoção do Aave V4. Depósitos saíram de US$ 346 milhões no início de agosto para mais de US$ 600 milhões em 21 de agosto.

Ativos do mundo real estão chegando. Mercado institucional Horizon somava US$ 539,8 milhões em julho. Securitize e Neuberger Berman anunciaram fundo tokenizado de crédito com proposta de entrar como garantia.

A nova tokenomics destina toda receita a recompras automáticas de AAVE. Não depende de aprovações pontuais da governança. Mais previsibilidade ao mecanismo.

Aave está capturando movimento maior: empréstimos reais movendo para blockchain.

Virtuals Protocol: IA entra no mercado

Virtuals Protocol é principal plataforma de tokenização de agentes de IA, com mais de 18 mil agentes criados. Em 24 de agosto, abriu possibilidade de usuários comprarem participação em agentes já existentes.

Antes era possível apenas criar. Agora expande público de desenvolvedores para mercado de investidores.

Sustentando a tese está o x402, padrão aberto criado pela Coinbase e mantido pela Linux Foundation. Permite pagamentos entre agentes autônomos diretamente em stablecoin.

Fontes destaca:

“O padrão já foi adotado por empresas como AWS, Google, Microsoft, Visa, Mastercard e Stripe, e é usado pelos agentes da Virtuals – cada agente criado, cada participação negociada e cada tarefa executada geram taxas que recompram e queimam VIRTUAL.”

Virtuals não é aposta em IA especulativa. É aposta em máquinas reais fazendo transações reais. Quando isso acontecer em escala, tokenização de agentes é infraestrutura.

Síntese: macro > técnica

Setembro terá três temas dominantes.

  • Macro: decisão do Fed em 16 de setembro.
  • Técnico: Glamsterdam em 28 de setembro.
  • Governança: implementação da votação de Solana.

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