O mês começa com balanços, recordes de tesouraria corporativa e decisões macro que podem mexer com empresas ligadas ao setor.
A seguir:
- Quais empresas cripto acumulam mais Bitcoin e Ethereum, e por que isso importa agora
- O balanço da Circle no dia 5 de agosto como possível catalisador para stablecoins
- Cinco ações tokenizadas fora do universo cripto que refletem tendências macro relevantes
A Bitget Research publicou nesta semana seu relatório mensal de empresas cripto e ações tokenizadas em destaque. O documento mapeia dez nomes que merecem atenção em agosto de 2026.
O cenário de fundo é de consolidação. O Bitcoin é negociado próximo de US$ 64.200 nesta quarta-feira, 29 de julho. A capitalização total do mercado cripto gira em torno de US$ 2,17 trilhões. Empresas de capital aberto já detêm mais de 1,26 milhão de BTC em seus balanços, o equivalente a 6% da oferta total.
Cinco empresas cripto no radar para agosto
Strategy lidera com folga
A Strategy (MSTR) segue como a maior detentora corporativa de Bitcoin do planeta. Em 27 de julho, a empresa reportou 843.775 BTC em seu balanço, com custo médio de aquisição de US$ 75.476 por unidade.
O custo total acumulado chega a US$ 63,69 bilhões. A empresa pausou compras por cinco semanas consecutivas e acumula agora US$ 3,75 bilhões em reservas de caixa.
Coinbase como termômetro do mercado
A Coinbase (COIN) continua sendo a maior exchange de criptomoedas dos Estados Unidos. A empresa gera receita por meio de negociação, custódia, staking e rendimentos com stablecoins. Sua diversificação a torna referência para medir a atividade tanto de investidores de varejo quanto institucionais.
Circle e o balanço do dia 5
A Circle (CRCL), emissora da stablecoin USDC, divulga seus resultados do segundo trimestre em 5 de agosto. Analistas projetam receita de US$ 720 milhões e lucro por ação de US$ 0,165.
A empresa obteve recentemente aprovação do OCC para operar como banco fiduciário federal. Esse balanço pode funcionar como catalisador para todo o setor de stablecoins.
MARA Holdings entre mineração e venda
A MARA Holdings (MARA) combina mineração em larga escala com uma tesouraria de 36.303 BTC, segundo dados de junho de 2026. Porém, a empresa vendeu 15.133 BTC em março para recomprar dívida conversível com desconto de 9%. A estratégia mudou: MARA agora monetiza Bitcoin oportunisticamente, em vez de acumular tudo.
Bitmine aposta pesado em Ethereum
A Bitmine Immersion Technologies (BMNR) detém 5.787.414 ETH, o equivalente a 4,8% de toda a oferta de Ethereum. A maior parte desse estoque, cerca de 4,9 milhões de ETH, está em staking na plataforma proprietária MAVAN.
A receita anualizada projetada com staking chega a US$ 242 milhões. A empresa é o maior detentor corporativo de ETH do mundo.
Cinco ações tokenizadas para acompanhar
TSMC no centro da corrida por chips de IA
A TSMC (TSM) fabrica os processadores mais avançados para inteligência artificial. A empresa permanece como indicador direto da demanda por chips, da capacidade produtiva global e do ritmo dos investimentos em IA.
Eli Lilly além do setor tech
A Eli Lilly (LLY) representa uma das tendências de crescimento mais fortes fora da tecnologia. Seus medicamentos GLP-1 para perda de peso já influenciam gastos com saúde, comportamento do consumidor e até a indústria alimentícia.
JPMorgan como termômetro macro
O JPMorgan (JPM) é referência para o setor financeiro à medida que o mercado ajusta expectativas sobre cortes de juros do Federal Reserve. A decisão do Fed desta quarta-feira, 29 de julho, adiciona relevância imediata a essa posição.
Exxon Mobil e o fator geopolítico
A Exxon Mobil (XOM) captura o pulso do mercado de energia num momento de tensões renovadas no Oriente Médio e oscilações no preço do petróleo. Decisões da OPEP+ e movimentos do dólar mantêm a empresa como referência para inflação e risco geopolítico.
Walmart e a saúde do consumidor
O Walmart (WMT) entra na temporada de volta às aulas nos EUA. Seus resultados funcionam como termômetro do consumo americano, especialmente sob pressão inflacionária persistente.
O que conecta essas dez empresas
Convergência entre cripto e mercados tradicionais
A lista da Bitget Research reflete um mercado onde a linha entre ativos digitais e tradicionais se dissolve. Empresas como Strategy e MARA funcionam como proxies do Bitcoin em bolsa. Ações tokenizadas de TSMC e JPMorgan, por sua vez, trazem exposição macro para carteiras cripto.
O denominador comum é agosto. Balanços corporativos, decisões do Fed e a evolução da legislação americana sobre ativos digitais concentram catalisadores no mesmo período. Para quem acompanha o setor, esse é o mês de atenção redobrada.


