A seguir:
- PF investiga Paulo Guedes e o dono da OnilX por suspeitas de crimes financeiros.
- A OnilX enfrenta 108 ações judiciais relacionadas a dificuldades de resgate.
- A investigação segue em andamento e ainda não determinou responsabilidades criminais.
Ex-ministro da Economia e dono da OnilX aparecem em investigação sigilosa da Polícia Federal. Empresa enfrenta mais de 100 ações judiciais de investidores que alegam dificuldades para recuperar recursos.
A Polícia Federal investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, por suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná desde fevereiro de 2026.
A investigação envolvendo Paulo Guedes e a empresa de criptomoedas ocorre em meio a reclamações de investidores sobre dificuldades para resgatar dinheiro. A OnilX também enfrenta questionamentos regulatórios e contesta as acusações de irregularidades.
PF investiga Paulo Guedes e empresário ligado à OnilX
A Polícia Federal abriu o inquérito em 10 de fevereiro de 2026, com registro na 9ª Vara Federal de Curitiba. Além de Paulo Guedes, a investigação inclui Fábio Lino de Almeida, responsável pela OnilX, companhia que atua no setor de ativos digitais.
O procedimento examina possíveis violações da Lei nº 7.492/1986, que estabelece crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Além disso, o Ministério Público Federal acompanha o caso, enquanto investigadores realizam diligências para esclarecer as suspeitas.
Conforme os registros processuais citados pelo Metrópoles, a Justiça determinou novas providências em setembro. Em outubro, o processo recebeu outras movimentações, incluindo petições e diligências policiais.
A presença de Paulo Guedes no inquérito não representa uma condenação ou comprovação de participação em atividades ilegais. Até o momento, as informações disponíveis não permitem antecipar qualquer conclusão sobre a responsabilidade dos investigados.
Empresa de criptomoedas prometia retornos de até 2,8% ao mês
A OnilX atraiu investidores com produtos financeiros relacionados a criptomoedas e promessas de rendimentos que poderiam alcançar 2,8% ao mês.
Entretanto, clientes começaram a recorrer à Justiça após enfrentar dificuldades para recuperar os valores aplicados. Entre 12 de junho e 10 de setembro de 2026, um levantamento citado pelo portal identificou 108 ações judiciais contra o grupo.
Parte dessas ações questiona a estrutura das operações e levanta suspeitas de funcionamento semelhante ao de uma pirâmide financeira. A empresa, por sua vez, rejeita as acusações e sustenta que suas atividades seguem as regras aplicáveis ao mercado de ativos virtuais.
O caso ganhou repercussão também pela ligação comercial entre Paulo Guedes e a OnilX. Segundo a reportagem, o ex-ministro prestou consultoria à companhia e participou de encontros estratégicos com empresários e potenciais investidores.
Paulo Guedes participou de reuniões com investidores
A relação entre Paulo Guedes e a OnilX aparece em materiais de divulgação e relatos apresentados em processos judiciais. Em uma ocasião, o ex-ministro participou de uma reunião com Fábio Lino e executivos da Visa, conforme publicação da própria companhia.
Além disso, Guedes compareceu a eventos voltados a investidores e assessores. Em uma apresentação para quase 500 pessoas, teria elogiado a empresa e destacado sua participação no desenvolvimento do mercado digital.
Uma das ações judiciais envolve um casal que cobra R$ 876,5 mil da OnilX. Os autores afirmam que decidiram manter e ampliar seus investimentos após participar de uma reunião com Guedes na sede da companhia, em abril.
Quatro meses depois, segundo o relato apresentado à Justiça, o casal tentou retirar os recursos, mas não conseguiu receber o dinheiro. O processo menciona a participação do ex-ministro como um dos elementos que influenciaram a confiança dos investidores.
Em outro episódio, uma assessora teria utilizado o nome de Guedes durante uma negociação. Uma mensagem anexada a um processo menciona a possibilidade de uma reunião estratégica com interessados em aplicar entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.
CVM impôs restrições à OnilX antes da investigação ganhar repercussão
Os problemas da OnilX também chegaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em janeiro de 2026, a autarquia determinou a interrupção de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários realizadas pelo grupo.
Posteriormente, em abril, a CVM manteve a determinação e esclareceu os limites da medida. A restrição não abrangia a simples intermediação de criptomoedas como Bitcoin, Ethereum e USDT, desde que as operações não envolvessem promessa de rendimento ou contratos caracterizados como valores mobiliários.
Essa distinção importa porque a negociação de criptomoedas, por si só, não caracteriza uma oferta irregular de investimento. O enquadramento depende das características dos produtos e das obrigações previstas na legislação.
Investigação sobre Paulo Guedes segue sem conclusão
A investigação da Polícia Federal permanece sob sigilo e busca esclarecer possíveis irregularidades relacionadas às atividades financeiras examinadas no inquérito.
Enquanto isso, investidores continuam buscando na Justiça a recuperação dos recursos que afirmam ter aplicado na OnilX.
O inquérito ainda não estabelece culpa de Paulo Guedes, Fábio Lino ou da empresa. As autoridades precisam concluir a apuração, e eventuais responsabilidades dependem das provas e das decisões judiciais.


