A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange, ação que busca desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas por meio de criptoativos.
Mais de 50 agentes saíram às ruas em cidades do estado de São Paulo para cumprir os mandados autorizados pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo.
A seguir:
- Como o esquema de lavagem funcionava e quais métodos o grupo utilizava
- O alcance da operação: mandados, cidades e número de presos
- O que a Operação Exchange revela sobre o uso de cripto em crimes financeiros no Brasil
A operação identificou movimentações financeiras superiores a R$ 10 bilhões. A Justiça autorizou o bloqueio de bens e de todos os criptoativos dos envolvidos, com ordem de sequestro de valores até o limite de R$ 10,4 bilhões.
Como o esquema funcionava
Segundo o comunicado oficial da Polícia Federal, os investigados utilizavam um sistema estruturado para movimentar recursos por meio de transferências ilícitas de criptoativos combinadas com transporte de valores em espécie.
A tática misturava repasses entre pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem do capital, numa estrutura clássica de layering, a etapa de dissimulação no processo de lavagem de dinheiro. O esquema também envolvia operações bancárias de alto valor, criando camadas adicionais de dificuldade para rastreamento pelos investigadores.
A PF não revelou quais criptomoedas foram utilizadas pelo grupo nem identificou publicamente nenhuma corretora brasileira como alvo da investigação.
O alcance da operação
As equipes cumpriram 13 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão temporária em municípios do estado de São Paulo. Os alvos estão localizados nas regiões de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.
Com os documentos apreendidos, a PF aprofunda as investigações sobre a estrutura completa do esquema criminoso. A operação está em andamento e novas informações devem ser divulgadas nas próximas horas.
O que a operação revela sobre cripto e crime no Brasil
A Operação Exchange ocorre num momento em que o Banco Central avança na regulação do setor de ativos virtuais. A Resolução BCB 580, publicada nesta semana, enquadra exchanges como instituições financeiras sujeitas a regras prudenciais a partir de 2027, incluindo exigências de prevenção à lavagem de dinheiro.
Nesse sentido, o caso ilustra o argumento que o BC e a Receita Federal têm reforçado nas audiências sobre o PL 4308/24: o volume de criptoativos circulando no Brasil, dominado em 90% por stablecoins segundo dados da Receita, exige infraestrutura regulatória capaz de rastrear operações suspeitas em tempo real.
Por fim, a ausência de identificação de corretoras específicas na operação é um dado relevante. Pode indicar que o grupo operava fora de exchanges reguladas, via transferências peer-to-peer ou plataformas sem licença no Brasil, justamente o tipo de operação que as novas regras do BCB buscam eliminar.


