A B3 iniciou nesta segunda-feira (6) a negociação de contratos de Opções sobre futuros de Bitcoin (BIT), Ethereum (ETR) e Solana (SOL), ampliando sua prateleira de derivativos de criptoativos. Os produtos são negociados de forma independente das 9h às 18h30 e contam com formadores de mercado para garantir liquidez e eficiência na formação de preços.
A seguir:
- Como funcionam as opções sobre futuros e o que diferencia esse produto dos contratos já existentes
- Os detalhes técnicos dos contratos: tamanho, vencimento e mecânica de exercício
- O que esse lançamento significa para investidores institucionais e gestores no Brasil
O movimento ocorre poucos meses depois de a bolsa anunciar a ampliação do horário de negociação dos futuros de criptomoedas, que estendeu o pregão desses contratos ao longo de 2026. A B3 foi uma das primeiras bolsas do mundo a disponibilizar ETFs de criptomoedas, assim como contratos futuros de Bitcoin, Ether e Solana. As opções são o próximo degrau dessa trajetória.
O que a B3 lançou e como funciona
Contratos futuros de criptoativos já existiam na B3. O contrato futuro de Bitcoin tem vencimento mensal e valor de 0,1 Bitcoin, ou seja, 10% do valor da criptomoeda em reais. Eles permitem se posicionar para alta ou baixa de BTC, ETH e SOL sem comprar os ativos diretamente, mediante depósito de margem de garantia.
As Opções sobre futuros adicionam uma camada de flexibilidade. As opções dão ao comprador o direito, mas não a obrigação, de assumir uma posição em determinado ativo por um preço definido previamente. No caso das opções sobre futuros lançadas pela B3, o exercício não resulta na compra ou venda direta de Bitcoin, Ethereum ou Solana, mas sim em uma posição no contrato futuro correspondente.
Isso tem uma consequência prática importante: o risco do comprador fica limitado ao prêmio pago, independentemente do movimento do mercado. A opção funciona como um seguro financeiro com custo definido desde o início.
Detalhes técnicos dos contratos
As opções terão exercício automático na data de vencimento e liquidação por meio da compra ou venda do respectivo contrato futuro pelo preço de exercício estabelecido. Os contratos serão negociados de forma independente, das 9h às 18h30, e contarão com formadores de mercado para garantir liquidez e maior eficiência na formação de preços.
As opções têm possibilidade de vencimento diário, ampliando o ecossistema de cripto da B3. Essa característica, comum em mercados de opções mais maduros como o americano, permite estratégias de curto prazo com expiração no mesmo dia, algo inédito para derivativos de criptoativos no Brasil.
Por que os formadores de mercado importam
Um dos maiores problemas históricos dos derivativos de criptoativos em bolsas tradicionais é a baixa liquidez. Sem ela, o spread entre compra e venda aumenta, o preço de exercício se forma de forma ineficiente e a entrada e saída das posições se torna cara.
Os contratos de opções lançados pela B3 terão exercício automático na data de vencimento e liquidação por meio da compra ou venda do respectivo contrato futuro, considerando o preço de exercício. Os formadores de mercado obrigados a manter ofertas contínuas resolvem o problema de liquidez inicial e permitem que gestores e traders operem sem depender de encontrar contraparte no momento exato.
“Nosso objetivo é conectar o investidor brasileiro às principais tendências do mercado financeiro global, mas sempre com a robustez, a transparência e a segurança que caracterizam a atuação da B3. O avanço dos derivativos de criptoativos cria novas possibilidades para traders, gestores e investidores que buscam exposição a essa classe de ativos com instrumentos adequados de gestão de risco”, afirmou Rafael Tsopanoglou Teodoro, gerente de Produtos de Moedas da B3.
O que isso muda para investidores institucionais
Para gestores de fundos, as opções sobre futuros abrem estratégias que não existiam no mercado regulado brasileiro: hedge de exposição cripto com custo limitado ao prêmio, estruturas de proteção de portfólio com BTC ou ETH como subjacente e posicionamento direcional sem exposição ao risco de custódia.
Para tesourarias corporativas com exposição a criptoativos, a possibilidade de fazer hedge via B3 em ambiente com câmara de liquidação, contraparte central e margem regulada remove uma barreira significativa de compliance que impedia o uso de derivativos cripto em carteiras institucionais.
Para traders experientes, a opção sobre contrato futuro funciona como uma camada de flexibilidade: permite buscar exposição à alta ou à queda, proteger posições, limitar riscos ou até combinar diferentes vencimentos e preços de exercício em estratégias mais sofisticadas.
O contexto: semana de consolidação institucional do cripto no Brasil
O lançamento da B3 se encaixa num movimento mais amplo que está ocorrendo simultaneamente.
A Resolução BCB 580 enquadrou exchanges como instituições financeiras com exigências prudenciais a partir de 2027. A CVM reafirmou que derivativos cripto exigem sua autorização específica. E a Tether aportou R$ 100 milhões no Mercado Bitcoin apostando na infraestrutura financeira brasileira.
A B3 ocupa um lugar específico nesse ecossistema: é a única instituição autorizada a operar mercados organizados de valores mobiliários e derivativos no Brasil. Com opções sobre futuros de BTC, ETH e SOL, ela passa a oferecer exatamente o produto que a CVM afirmou ser de sua competência exclusiva, derivativos cripto em mercado organizado, sem que nenhuma exchange cripto possa oferecer o equivalente sem autorização adicional.


