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Tether investe R$ 100 milhões no Mercado Bitcoin e aposta na infraestrutura cripto do Brasil

Tether aporta R$ 100 mi no Mercado Bitcoin num first closing com SoftBank e fundadores. Recursos vão para tokenização, pagamentos, crédito e expansão internacional.

Tether investe R$ 100 milhões no Mercado Bitcoin e aposta na infraestrutura cripto do Brasil

A Tether, emissora do USDT, anunciou nesta terça-feira (7) um investimento de R$ 100 milhões no Mercado Bitcoin, maior plataforma de ativos digitais da América Latina. O aporte representa o first closing de uma rodada maior que inclui os fundadores da empresa e o SoftBank, sócio desde 2021, quando o Mercado Bitcoin se tornou unicórnio.

Para a Tether, que acumula mais de US$ 10 bilhões em lucro em 2025 sobre um portfólio de reservas de US$ 186 bilhões, o movimento é o de uma empresa que constrói reservas em Treasuries americanos e as aplica em infraestrutura financeira em mercados emergentes. O Brasil é a primeira parada.

A seguir:

  • O que os recursos financiarão e por que cada frente importa estrategicamente
  • O que esse investimento revela sobre a tese da Tether para LATAM
  • O que muda para o Mercado Bitcoin na disputa por infraestrutura financeira regulada

O que o investimento financia

Os R$ 100 milhões serão alocados em seis frentes declaradas pela empresa:

  • Infraestrutura de pagamentos: expansão da capacidade de processamento on-chain integrada ao sistema financeiro brasileiro, incluindo PIX e stablecoins.
  • Tokenização: ampliação da oferta de ativos tokenizados para varejo e institucionais, num mercado que já movimenta R$ 8,97 bilhões em RWAs no Brasil.
  • Crédito e empréstimos: fortalecimento das operações de lending, segmento que o Mercado Bitcoin já opera com estrutura de securitizadora.
  • Mercados de capitais on-chain: desenvolvimento de infraestrutura para emissão e negociação de valores mobiliários tokenizados, em paralelo ao movimento regulatório da CVM.
  • Expansão internacional: continuidade do crescimento além do Brasil, aproveitando as 10 licenças regulatórias da empresa no Brasil e na Europa.
  • Parcerias estratégicas: aquisições ou alianças que acelerem posicionamento em segmentos adjacentes.

Por que a Tether escolheu o Mercado Bitcoin

O argumento de Paolo Ardoino, CEO da Tether, é direto:

“A combinação entre seu robusto arcabouço regulatório, infraestrutura de tokenização e oferta integrada de serviços financeiros é única na América Latina.”

Essa frase tem peso estratégico. A Tether precisa de parceiros que possam distribuir USDT e produtos financeiros baseados em stablecoin dentro de ambientes regulados, especialmente num momento em que o Banco Central brasileiro avança com exigências de licenciamento para PSAVs, a CVM demarca sua competência sobre ações tokenizadas e o debate sobre o PL 4308/24 redefine o enquadramento das stablecoins no país.

O Mercado Bitcoin reúne as condições que a maioria das plataformas cripto não tem simultaneamente: 4,5 milhões de usuários, R$ 155 bilhões em volume transacionado, autorização como Instituição de Pagamento e CTVM, além de estrutura para securitização e gestão de recursos. É infraestrutura regulada com escala de mercado, não apenas produto cripto.

O que isso muda para o Mercado Bitcoin

O aporte coloca o Mercado Bitcoin numa posição diferenciada na consolidação do setor que está em curso no Brasil. Com a Resolução BCB 580 exigindo enquadramento no Segmento 4 até 2028 e capital mínimo entre R$ 10,8 e R$ 37,2 milhões para PSAVs, players menores enfrentarão pressão crescente. O Mercado Bitcoin, com capital reforçado e respaldo de Tether e SoftBank, entra nesse ambiente em posição ofensiva.

O CEO Roberto Dagnoni foi preciso na leitura do momento:

“A discussão já não é mais se os serviços financeiros migrarão para infraestruturas on-chain. Essa transição já está em curso. O foco agora é construir a infraestrutura capaz de sustentar a tokenização, as stablecoins, os pagamentos e os mercados de capitais em escala.”

Nesse sentido, o investimento da Tether não é apenas capital. É validação estratégica de que o Mercado Bitcoin está construindo o que o emissor do maior stablecoin do mundo quer como parceiro de distribuição na América Latina.

O sinal que o mercado deve ler

A Tether não é uma empresa de venture capital. Ela investe em infraestrutura onde seus produtos circulam. O fato de escolher o Brasil como primeiro mercado LATAM para esse tipo de aporte sinaliza duas coisas: o Brasil é o mercado mais maduro da região para serviços financeiros on-chain, e o Mercado Bitcoin é o parceiro com melhor perfil regulatório e de escala para essa estratégia.

Para o ecossistema brasileiro, a combinação Tether + SoftBank + fundadores numa mesma rodada cria uma estrutura de capital que mistura smart money cripto global com capital de crescimento institucional e alinhamento dos fundadores. É o perfil de financiamento de uma empresa que está se preparando para ser infraestrutura, não produto.

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