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Banheiros públicos exibem anúncios por papel higiênico na China

China adota tecnologia de dispensadores inteligentes que exigem assistir a anúncios em troca de papel higiênico. Entenda.

Mulher irritada com anúncios em banheiro público na China. Imagem: IA

Uma inovação curiosa em banheiros públicos da China está chamando a atenção de moradores e turistas. Trata-se dos novos dispensadores inteligentes de papel higiênico, que exigem que o usuário assista a um anúncio em vídeo ou faça um pagamento digital para liberar o insumo.

A medida, que viralizou após um vídeo divulgado nas redes sociais, faz parte da chamada “revolução dos banheiros”, um programa do governo chinês para modernizar as instalações sanitárias do país e controlar o desperdício.

Como funcionam os dispensadores inteligentes?

O processo é simples, mas inusitado.

Para obter papel higiênico, o usuário precisa escanear um QR Code com o celular. Em seguida, deve assistir a uma propaganda curta ou pagar uma taxa de 0,5 yuan (cerca de R$ 0,40).

Após cumprir uma dessas condições, a máquina libera apenas uma folha de papel.

Segundo autoridades locais, o sistema foi criado para combater o consumo exagerado. Antes da instalação dos dispensadores inteligentes, muitas pessoas retiravam quantidades excessivas de papel, o que gerava custos e desperdício.

Críticas e desafios do novo modelo

Apesar de ser elogiada como uma solução tecnológica moderna, a medida também gerou muitas críticas. Especialistas apontam problemas logísticos sérios.

E se a pessoa não tiver um smartphone, estiver com a bateria descarregada ou sem acesso a métodos de pagamento digital? Nesse caso, o usuário simplesmente não conseguiria obter papel higiênico em um momento de necessidade.

Essa limitação levantou questionamentos sobre acessibilidade e inclusão, já que nem todos os cidadãos ou turistas estariam preparados para lidar com a exigência tecnológica.

A “revolução dos banheiros” na China

O sistema atual não surgiu do nada. Ele é resultado de um programa de longo prazo chamado “revolução dos banheiros”, lançado em 2015 pelo governo chinês para melhorar a qualidade e a gestão dos banheiros públicos. Sobretudo em pontos turísticos.

Em 2017, um exemplo emblemático chamou a atenção no mundo todo. No Templo do Céu, em Pequim, foram instalados dispensadores com reconhecimento facial.

O equipamento escaneava o rosto do usuário e liberava uma tira padronizada de 60 centímetros de papel. O mesmo indivíduo só poderia repetir a operação após nove minutos.

Dois anos depois, em 2019, a tecnologia foi atualizada. O intervalo de espera aumentou para dez minutos, como forma de refinar ainda mais o controle de uso.

Agora, em 2025, a transição é para um modelo baseado em propagandas e micropagamentos digitais, que substituem a biometria pela interação via smartphone.

Banheiros mais modernos e inclusivos

A modernização dos banheiros públicos não se restringe ao controle do papel higiênico.

Como parte da iniciativa, a China também vem substituindo gradualmente vasos de cócoras por modelos ocidentais, testando banheiros de gênero neutro para otimizar o fluxo de visitantes, e investindo em melhorias de infraestrutura para acompanhar o crescimento do turismo doméstico.

Em Xangai, por exemplo, foi inaugurado um banheiro público neutro em gênero que busca reduzir filas e oferecer mais eficiência no uso do espaço.

O impacto da medida

A decisão de condicionar o uso de papel higiênico à visualização de anúncios ou pagamento digital reflete a busca da China por soluções de eficiência e controle de recursos.

Por outro lado, levanta questões éticas e práticas. Afinal, o acesso a itens básicos de higiene deveria depender de tecnologia ou de condições financeiras?

Enquanto o debate continua, os dispensadores inteligentes se tornam símbolo de como a tecnologia pode transformar até os aspectos mais cotidianos da vida urbana.

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