A seguir:
- Criptomoedas no Brasil batem recorde em 2026
- Stablecoins lideram o mercado de criptomoedas
- Mercado de RWAs acompanha expansão das criptomoedas
O mercado de criptomoedas no Brasil segue em ritmo acelerado em 2026. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que os brasileiros movimentaram US$ 14,68 bilhões em criptoativos durante o primeiro semestre do ano, um crescimento de 135% em comparação com o mesmo período de 2025. O avanço demonstra que os ativos digitais ganharam espaço entre investidores, empresas e usuários que buscam alternativas para pagamentos, proteção patrimonial e operações internacionais.
Os números divulgados pela autoridade monetária indicam que a demanda pelos criptoativos mais do que dobrou em apenas um ano. Entre janeiro e junho de 2025, o volume líquido de compras havia alcançado US$ 6,24 bilhões. Agora, esse valor supera US$ 14 bilhões, reforçando o fortalecimento do setor e o aumento da participação dos brasileiros nesse mercado.
Somente em junho, o volume líquido de compras atingiu US$ 2,54 bilhões, resultado 72,3% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior, quando as aquisições somaram US$ 1,48 bilhão. As informações fazem parte da série estatística 29644 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central, responsável por acompanhar os ativos digitais que possuem um emissor identificado.
Banco Central identifica mudança no perfil das criptomoedas compradas pelos brasileiros
Além do crescimento expressivo das compras, o levantamento mostra uma transformação importante no comportamento dos investidores. Enquanto nos primeiros anos o interesse estava concentrado em ativos como o Bitcoin e outras criptomoedas mais voláteis, atualmente as stablecoins passaram a dominar grande parte das operações registradas.
Segundo Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, esses ativos representam atualmente entre 90% e 95% de toda a demanda monitorada pela instituição. O movimento reflete uma mudança no uso das criptomoedas, que deixaram de ser vistas apenas como ativos de investimento para assumir funções ligadas ao cotidiano financeiro.
As stablecoins vêm sendo utilizadas para pagamentos, remessas internacionais, proteção cambial e liquidação de diferentes operações. Esse crescimento levou o Banco Central a separar, em suas estatísticas, os ativos digitais que possuem um emissor identificado daqueles que funcionam de maneira descentralizada, como o Bitcoin.
Com essa divisão, as stablecoins passaram a integrar a conta financeira das estatísticas oficiais, enquanto criptomoedas sem uma entidade responsável permanecem classificadas na conta de capital.
Banco Central pretende ampliar monitoramento do mercado de criptomoedas
Embora os dados mostrem uma forte expansão do mercado, o Banco Central reconhece que ainda não consegue acompanhar todas as etapas da utilização dos ativos digitais.
Atualmente, a instituição identifica a origem dos recursos utilizados na compra das criptomoedas por meio dos contratos de câmbio. No entanto, ainda não é possível saber exatamente qual destino esses ativos recebem após a aquisição.
Conforme explicou Fernando Rocha, o sistema permite visualizar de onde vêm os recursos financeiros, mas ainda não oferece informações detalhadas sobre como cada usuário utiliza os criptoativos posteriormente.
Esse cenário deve mudar a partir de 2027. O Banco Central informou que pretende receber informações mais completas das empresas reguladas, permitindo identificar com maior precisão quanto dos recursos é destinado a investimentos, pagamentos, transferências internacionais, remessas e outras operações envolvendo ativos digitais.
Além disso, as Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs) passarão a cumprir novas exigências prudenciais a partir de 1º de janeiro de 2027. As regras aproximam essas empresas das demais instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional e estabelecem critérios relacionados à gestão de riscos, governança corporativa, capital mínimo e prestação de informações.
A expectativa é que essa regulamentação fortaleça ainda mais o ambiente de negócios, aumente a transparência do setor e ofereça maior segurança para usuários e investidores.
Mercado de RWAs também acelera crescimento no Brasil
Enquanto as compras de criptomoedas registram forte expansão, outro segmento da indústria blockchain também apresenta resultados expressivos.
Dados divulgados pelo RWA Monitor apontam que o mercado brasileiro de ativos do mundo real tokenizados (RWAs) encerrou o primeiro semestre de 2026 com R$ 4,84 bilhões em emissões, representando crescimento superior a 122% em relação aos R$ 2,17 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.
As captações efetivamente realizadas também avançaram de forma significativa, passando de R$ 1,60 bilhão para R$ 3 bilhões, alta de 87,5%.
Grande parte desse crescimento ocorreu nas ofertas realizadas sob a Resolução CVM 160, que movimentaram R$ 3,10 bilhões em emissões, um avanço de 129,4%. As captações nessa modalidade alcançaram R$ 2,31 bilhões, enquanto o número de projetos saltou de apenas seis para 26 iniciativas.
O mercado privado também apresentou forte expansão. As emissões cresceram de R$ 205 milhões para R$ 1,18 bilhão, avanço de 476,4%, acompanhado por um aumento expressivo na quantidade de projetos, que passou de 40 para 262.
Já as operações enquadradas na Resolução CVM 88 seguiram uma dinâmica diferente. Apesar de as emissões registrarem leve retração de 9,1%, totalizando R$ 561,9 milhões, as captações dispararam 308,5% e chegaram a R$ 519,9 milhões, indicando maior eficiência na distribuição dos ativos.
Para Rodrigo Caggiano, fundador do RWA Monitor, os resultados refletem um mercado mais maduro e preparado para novas etapas de crescimento. Segundo ele, a tendência para o segundo semestre é que emissores priorizem projetos com ativos bem estruturados, maior eficiência na distribuição e aderência às exigências regulatórias.
O avanço simultâneo das criptomoedas, das stablecoins e da tokenização de ativos reais reforça que o mercado brasileiro de blockchain vive uma fase de consolidação. Com maior participação dos investidores, novas regras regulatórias e crescimento das aplicações financeiras, o setor segue ampliando sua relevância na economia digital do país.


