Gigantes da tecnologia dos Estados Unidos formalizaram uma série de reclamações contra medidas adotadas por órgãos brasileiros, incluindo o Banco Central, a Anatel e o Supremo Tribunal Federal.
As críticas foram enviadas ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e fazem parte de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais.
Dessa forma, empresas como Google, Meta, Amazon, Microsoft e Apple alegam que o Brasil impõe barreiras regulatórias que afetam diretamente suas operações. Em consequência, o debate sobre soberania digital, concorrência e liberdade de expressão ganha novos contornos.
Reclamações das big techs contra decisões brasileiras
As manifestações foram encaminhadas por associações como a CCIA, CTA e ITI, que representam dezenas de empresas de tecnologia e meios de pagamento.
Sendo assim, os documentos apontam três principais focos de atrito: o sistema de pagamentos Pix, a atuação da Anatel sobre marketplaces e a decisão do STF sobre o Marco Civil da Internet.
Críticas ao Pix e ao Banco Central
As empresas alegam que o Banco Central exerce um “duplo papel” ao operar o Pix e, ao mesmo tempo, regular o setor de pagamentos.
Isso levou à acusação de concorrência desleal, já que o BC teria acesso a dados sensíveis e definiria regras que favorecem sua própria infraestrutura.
Por conta disso, o ITI sugeriu que o BC amplie o conceito de iniciação de pagamento para permitir que redes de cartão e carteiras digitais operem no Pix sem retenção de dados dos clientes
STF e responsabilidade sobre conteúdo
O julgamento do artigo 19 do Marco Civil da Internet pelo STF também gerou forte reação. A corte decidiu que plataformas digitais podem ser responsabilizadas por conteúdos de terceiros mesmo sem ordem judicial prévia.
Como resultado, as empresas afirmam que isso cria incentivos para remoção preventiva de conteúdo, o que pode afetar a liberdade de expressão. Inclusive, a CTA declarou que ordens judiciais brasileiras violam a Primeira Emenda da Constituição dos EUA.
Impactos regulatórios e comerciais para empresas americanas
Além das críticas ao Pix e ao STF, as big techs também questionam decisões da Anatel que ampliam a responsabilidade de marketplaces sobre produtos irregulares. Dessa forma, plataformas como Amazon, Shopee e Mercado Livre podem ser responsabilizadas por anúncios de terceiros, mesmo sem controle direto sobre os itens vendidos.
Principais pontos de impacto
- Aumento de custos com compliance e moderação de conteúdo.
- Risco de censura e restrição à liberdade de expressão.
- Barreiras à entrada de produtos e serviços estrangeiros.
- Insegurança jurídica para operações digitais no Brasil.
- Concorrência desigual com o regulador estatal no setor financeiro.
Reação do governo brasileiro
O governo Lula respondeu oficialmente ao USTR, afirmando que não adota políticas discriminatórias ou restritivas.
Assim como defendeu a soberania do STF, também destacou que todas as empresas, independentemente da origem, devem seguir as leis brasileiras.
Em resumo, o Brasil negou qualquer prática comercial desleal e reforçou o papel do Pix como ferramenta de inclusão financeira.
Tensões diplomáticas e cenário futuro
A ofensiva das big techs ocorre em meio a discussões sobre taxação de plataformas digitais estrangeiras no Brasil.
Então, o contexto político e comercial se torna ainda mais sensível. Devido a esse fator, o governo dos EUA pode intensificar o diálogo com autoridades brasileiras para buscar soluções diplomáticas.
Projeções e próximos passos
- O USTR deve concluir a investigação até o fim de 2025.
- Empresas americanas podem pressionar por mudanças legislativas.
- O Brasil pode revisar pontos específicos da regulação digital.
- A relação comercial bilateral pode ser afetada por sanções ou ajustes.
Por fim, destaca-se que o Brasil continua sendo um mercado estratégico para as big techs. Entretanto, convém que as autoridades brasileiras avaliem os impactos das decisões recentes sobre inovação, liberdade digital e competitividade internacional.
Em consequência, o equilíbrio entre regulação e abertura será decisivo para o futuro da tecnologia no país.


