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Bitcoin se firma como ativo macro no primeiro semestre de 2026, revela Binance Research

Binance Research mostra que o Bitcoin vive o ciclo de correção mais brando da história, com possível fundo no 4º trimestre de 2026.

Bitcoin se firma como ativo macro no primeiro semestre de 2026, revela Binance Research

A seguir:

  1. Bitcoin recua 32% no primeiro semestre e passa a responder mais a juros e dólar do que a fatores internos do setor cripto
  2. ETFs à vista, mineradoras e tesourarias corporativas reduzem posições, enquanto investidores de longo prazo absorvem a oferta liberada
  3. Binance Research aponta que um possível fundo de mercado pode se formar no quarto trimestre de 2026, mas trata o cenário como referência histórica, não como previsão

O Bitcoin encerrou o primeiro semestre de 2026 cotado perto de US$ 60,1 mil, depois de fechar 2025 em torno de US$ 88,4 mil. A queda de aproximadamente 32% no período reforça um diagnóstico da Binance Research, braço de pesquisa da maior exchange do mundo: o criptoativo amadureceu e hoje se comporta como um verdadeiro Bitcoin ativo macro, sensível a juros reais, liquidez global e força do dólar.

Bitcoin ativo macro ganha peso diante do cenário global

Nos dois anos anteriores, fatores internos do próprio mercado cripto explicavam boa parte das oscilações do BTC. Em 2026, esse quadro mudou. Condições financeiras mais restritivas, expectativas voláteis sobre juros, tensões geopolíticas e a migração de capital para projetos de inteligência artificial passaram a pesar diretamente sobre o ativo.

Diante disso, o Bitcoin também perdeu para as principais classes de investimento no período: os índices acionários dos Estados Unidos fecharam o semestre perto de máximas históricas, enquanto o ouro recuou pouco mais de 7%. A pressão sobre o BTC se intensificou depois do choque nos preços do petróleo, que reacendeu o temor de inflação, elevou os juros reais precificados pelo mercado e fortaleceu o dólar americano — moeda que mantém correlação inversa com a criptomoeda.

Correção pressiona antigos motores de demanda do Bitcoin

A queda também atingiu os canais que sustentaram o mercado nos ciclos anteriores. Pela primeira vez, os ETFs de BTC à vista nos Estados Unidos registraram fluxo líquido negativo no acumulado do ano. Ao mesmo tempo, mineradoras de capital aberto reduziram reservas em ritmo recorde, e as compras das tesourarias corporativas se concentraram em poucos nomes.

Apesar do cenário, a correção não representou apenas fuga de investidores. Ela também marcou uma redistribuição relevante: detentores de longo prazo, com menor sensibilidade a oscilações de preço, absorveram parte da oferta liberada por ETFs, mineradoras e tesourarias — sinal, segundo a Binance Research, de um mercado em processo de maturação.

ETFs de Bitcoin somam saídas de US$ 5,4 bilhões em 2026

No acumulado do ano, os ETFs de BTC à vista registraram saídas líquidas de US$ 5,4 bilhões, incluindo uma sequência de 13 dias seguidos de resgates. As reservas desses fundos fecharam junho em cerca de 1,21 milhão de BTC, queda de 11% frente ao pico de outubro de 2025, de 1,36 milhão de BTC. Mesmo assim, os fluxos acumulados desde o lançamento seguem positivos em mais de US$ 51 bilhões.

Para a Binance Research, o comportamento desses fundos ao longo de um ciclo completo ainda não havia sido testado, e a correção de 2026 oferece a primeira evidência concreta. Uma retomada consistente de entradas líquidas, portanto, funcionaria como sinal relevante de reversão.

Bitcoin se firma como ativo macro no primeiro semestre de 2026, revela Binance Research

Strategy concentra o crescimento das reservas corporativas

No segmento corporativo, as reservas de BTC entre empresas listadas subiram de 1,13 milhão para 1,28 milhão de moedas entre o fim de 2025 e junho de 2026. Esse avanço, no entanto, ficou concentrado quase inteiramente na Strategy, que elevou sua posição de 672,5 mil para cerca de 847 mil BTC. As demais companhias, somadas, reduziram suas reservas em 17,7 mil BTC.

Com isso, a Strategy respondeu por mais de 100% do crescimento líquido do setor e passou a concentrar cerca de 66% de todas as reservas corporativas de Bitcoin.

Bitcoin ativo macro enfrenta teste de rentabilidade

Ao fim do semestre, 10,83 milhões de BTC estavam em prejuízo não realizado, contra 9,22 milhões ainda em lucro — a primeira vez no ciclo atual em que as posições negativas superam as positivas. Historicamente, esse tipo de reversão costuma aparecer perto de fases amplas de formação de fundo, embora não determine o momento exato nem a profundidade final da mínima.

A retração atual, de mais de 50% frente ao topo de outubro de 2025, ainda é bem menor do que as quedas dos dois ciclos anteriores, de 84,2% e 77,6%. Os fundos históricos surgiram entre 363 e 410 dias após o topo; o ciclo atual já soma cerca de 275 dias, o que projetaria uma eventual formação de fundo para o quarto trimestre de 2026 — sempre como referência, nunca como previsão, já que o ambiente monetário e regulatório atual difere dos ciclos passados.

Bitcoin se firma como ativo macro no primeiro semestre de 2026, revela Binance Research

Três fatores vão definir o próximo movimento do Bitcoin

A Binance Research resume o segundo semestre a três variáveis-chave. Primeiro, juros reais e dólar forte seguem como principal freio, e uma virada exigiria mudança ampla nas expectativas de política monetária. Segundo, a demanda institucional precisa mostrar entradas líquidas consistentes nos ETFs por várias semanas, com volume distribuído entre emissores. Terceiro, a exaustão dos vendedores — menos pressão de mineradoras e tesourarias, aliada à rentabilidade em recuperação — indicaria que a transferência de oferta está perto do fim.

“Nossa interpretação principal é que o Bitcoin entrou em uma fase mais avançada de um ciclo corretivo”, afirma a Binance Research, que também destaca a plausibilidade histórica de um fundo no quarto trimestre, ainda que sem evidências suficientes até aqui para confirmá-lo.

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