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Como a crise de 2008 levou ao nascimento do Bitcoin?

Livro revela como a crise financeira de 2008 e os resgates bancários abriram caminho para a criação do Bitcoin por Satoshi Nakamoto.

Ilustração representando a crise financeira de 2008 e a criação do Bitcoin

A seguir:

  1. A crise financeira de 2008 expôs a fragilidade do sistema bancário mundial e abriu caminho para o surgimento do Bitcoin
  2. Bancos centrais responderam à quebra do mercado imobiliário americano imprimindo grandes volumes de dinheiro
  3. Satoshi Nakamoto lançou o Bitcoin em janeiro de 2009 citando explicitamente o segundo resgate bancário do Reino Unido

A crise financeira de 2008 figura como pano de fundo para o nascimento do Bitcoin, segundo um trecho do livro Bitcoin: The Honest Money, de Alex v. Frankenberg. O autor traça uma linha direta entre o colapso das hipotecas subprime nos Estados Unidos e a publicação do white paper de Satoshi Nakamoto, seis semanas após a quebra do Lehman Brothers.

Bolha das pontocom antecede a crise financeira de 2008

Antes da crise financeira de 2008, o mercado já havia passado por outro abalo relevante: a bolha das empresas de internet no início dos anos 2000. Naquele período, o Federal Reserve havia afrouxado a política monetária para conter o pânico do bug do milênio, e isso alimentou uma valorização artificial de ações de tecnologia.

Com o estouro da bolha pontocom e, na sequência, os atentados de 11 de setembro de 2001, o Fed voltou a cortar juros de forma agressiva. Essa injeção de crédito barato, por sua vez, inflou um novo tipo de bolha: a do mercado imobiliário americano, que se tornaria o epicentro da crise seguinte.

Bancos centrais reagem à crise financeira de 2008 com impressão de dinheiro

Quando o mercado de hipotecas subprime desmoronou, bancos e instituições financeiras de grande porte quebraram ou ficaram à beira do colapso. Governos e bancos centrais, então, optaram pelo resgate em massa — com a notável exceção do Lehman Brothers, que foi deixado falir.

O mecanismo central desses resgates foi a compra de títulos públicos pelos bancos centrais, o que, na prática, amplia a quantidade de moeda em circulação. Esse processo dilui o valor do dinheiro já existente e beneficia primeiro quem recebe a moeda nova: bancos, grandes empresas e o próprio governo.

Além disso, o texto argumenta que esse tipo de inflação funciona como um imposto disfarçado. Diferente de um aumento de impostos tradicional, a criação de moeda não passa por votação popular, o que a torna politicamente mais confortável para governos em momentos de crise.

Bitcoin nasce como resposta à crise financeira de 2008

Foi nesse contexto que, em 31 de outubro de 2008, um autor ou grupo sob o pseudônimo Satoshi Nakamoto publicou o white paper do Bitcoin. Pouco depois, em 3 de janeiro de 2009, a rede Bitcoin foi oficialmente lançada com a mineração do bloco gênese.

Esse bloco inicial carrega uma mensagem que reforça a crítica ao sistema bancário: a manchete de um jornal britânico sobre um novo pacote de socorro a bancos. A escolha não foi acidental — ela amarra simbolicamente o nascimento da criptomoeda ao contexto de resgates financeiros que marcou a crise financeira de 2008.

Limite de 21 milhões de bitcoins contrasta com o modelo fiduciário

Diferentemente do dinheiro emitido por bancos centrais, o Bitcoin tem uma oferta máxima fixada em 21 milhões de unidades, e nenhuma autoridade central pode alterar essa regra. Isso significa que, em teoria, ninguém pode ser desvalorizado à força pela criação descontrolada de novas unidades da moeda.

Também não há como um banco impedir o acesso de um usuário aos próprios fundos, desde que ele guarde suas chaves em uma carteira autocustodiada. Esse ponto é central no argumento do livro: a crise financeira de 2008 teria mostrado os limites de um sistema em que terceiros controlam o acesso ao dinheiro das pessoas.

Passados quase duas décadas do auge da crise, o debate sobre política monetária e criação de moeda segue no centro das discussões sobre criptoativos. Para defensores do Bitcoin, a lição da crise financeira de 2008 continua servindo de argumento central em favor de um sistema monetário sem controle centralizado.

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