Além do documentário Money Electric: The Bitcoin Mystery mostrar o quanto a tecnologia blockchain pode influenciar positivamente na questão financeira, deixando mais transparente as transações, contribui na educação tecnológica e fala das limitações das criptomoedas
O documentário Money Electric: The Bitcoin Mystery de Cullen Hoback foi lançado pela HBO no início do mês estimulando os mitos e as verdades do universo das criptomoedas.
A ideia da produção surgiu quando Adam McKay, ao terminar Q Into the Storm, pediu a Cullen para fazer um documentário sobre Satoshi Nakamoto.
O diretor aceitou a empreitada, após ter acesso a Adam Back.
Alguns dos destaques do filme são a exploração da origem das criptomoedas, a verdadeira identidade de seu criador pseudônimo Satoshi Nakamoto e a suposição de que Peter Todd, ex desenvolvedor de Bitcoin seria Nakamoto.
Invenções à parte, o fato é que o filme além de popularizar o tema, acabou tendo o efeito de não só trazer à tona o universo cripto, mas temas como inclusão financeira, regulamentação, fraudes, riscos e segurança.
O Techcripto falou com Fabiano Nagamatsu, CEO da Osten Moove sobre os mistérios, mitos e verdades presentes em Money Electric: The Bitcoin Mystery e descobriu o que podemos aprender com ele.
Confira!
Qual é a mensagem do Money Electric: The Bitcoin Mystery?
Acredito que o objetivo principal do filme é destacar como o bitcoin, como uma moeda digital descentralizada, se introduziu no mercado financeiro totalmente tradicional.
Claro, falando hoje do bitcoin, a história e como foi feito o White paper de Sakamoto, que a princípio é um personagem. Acredito que são muitas pessoas que representam essa figura na construção do bitcoin.
Também mostrar a tecnologia blockchain, o quanto isso pode influenciar positivamente na questão financeira, deixando mais transparente, segura e eliminando a necessidade de intermediários.
Tirar o poder de alguns e descentralizar, que é um ponto também muito importante, principalmente no mercado financeiro.
Desde a possibilidade de inclusão financeira, até o desafio relacionado à regulamentação, isso já encheu o mercado financeiro e o de regulação.
Sobre a segurança e risco, também é associado a criptomoeda bitcoin, a segurança de carteiras digitais, fraudes, riscos.
E o futuro das criptomoedas, do bitcoin, principalmente das outras criptomoedas que estão surgindo, já são mais 1500 moedas oficialmente.
E a adoção do mercado financeiro, como ele está buscando e possíveis regulações? Acredito que são perspectivas diversas, entrevistas com especialistas de diferentes áreas, da economia, da tecnologia, da regulação, vários aspectos sobre a opinião do bitcoin.
A história, histórias pessoais, acredito que isso é marcante, que se destaca ali também, pessoas impactadas pelo bitcoin, sejam investidores, desenvolvedores ou até mesmo os críticos em relação a isso e a implicação social, o quanto isso tem afetado de forma positiva ou até negativa.
O que o documentário traz de verdade e o que é mito?
O documentário traz sim o que é mito ou verdade, e dentro delas algumas possíveis prováveis verdades, que é sobre a
- descentralização que o bitcoin realmente faz,
- não controlada por entidade, governo, banco central ou intermediador.
- Que a tecnologia que está por trás dela, o blockchain, é algo que veio para revolucionar.
Nós o chamamos de web 3, uma tecnologia que de fato é inovadora e permite transações seguras, transparentes e, melhor do que isso, irreversíveis.
Traz também outra verdade sobre a volatilidade dos preços, principalmente na cripto bitcoin, conhecido pela alta volatilidade, que uma hora está lá em cima, outra embaixo, podendo ser uma faca de dois gumes para os investidores.
O potencial de inclusão financeira, acredito que também é uma verdade, o bitcoin tem a possibilidade de fornecer serviços financeiros a partir do blockchain, da descentralização, principalmente com o mercado de países mais precários.
Entre os mitos estão a crença que usar bitcoin manter a identidade totalmente anônima de toda a regulação financeira, de tributação e tudo mais.
As transações são registradas em blockchain pública e se uma identidade for vinculada ao endereço de carteira das transações, são rastreadas facilmente.
Hoje existem inclusive sistemas e startups que rastreiam.
Um exemplo é a pessoa querer transacionar valores altos, e não adianta, porque você vai ser rastreado.
A garantia de ganhos rápidos, entra o caso das pirâmides, quanto maior o risco, pode ter ganhos altos, como ter muitas perdas, o mercado é altamente especulativo.
Ainda sobre os mitos, o uso exclusivo das atividades ilegais, enquanto o bitcoin, às vezes associado a atividades ilícitas, tráfico de órgãos, lavagem de dinheiro, entre outros, acredito que não, até mesmo por conta de toda a tecnologia blockchain.
Basta os órgãos reguladores começarem a fiscalizar de forma correta, entendendo mais da tecnologia, esse tipo de atividade dá para ser rastreada.
Entendendo todo esse universo, é interessante porque potencializa bastante o contexto histórico e econômico.
O bitcoin veio para mudar, deixou um marco no mercado econômico-financeiro, em todo o mundo.
Sobre educação de tecnologia, acredito que o documentário também traz esse viés, explicando a tecnologia, a folkchain e as suas potencialidades, as limitações das criptomoedas.

O que os fãs de cripto podem esperar desse documentário?
A análise da discussão e regulamentação, além dos principais desafios, embora muitos sejam avessos à questão da regulamentação, e deixando de uma forma mais liberal a questão de inovação tecnológica futura.
Criar uma história inspiradora e positiva a partir das criptomoedas para poder fazer a distribuição de renda mais igualitária no mundo.
Em relação aos demais filmes, vejo uma abordagem equilibrada acompanhada de uma visão diversificada. Então vários críticos de ambos os lados, pessoas que falam contra e a favor, pensamentos divergentes que geram insights para que consigamos estudar mais a fundo sobre o assunto.
A exploração profunda ao investigar o mistério em torno da identidade do Satoshi, se realmente é um personagem, se são pessoas, talvez um grupo de pessoas. O mistério em torno também é um diferencial, algo que fica no ar.
O impacto global e local, isso é legal porque o bitcoin também tem os seus efeitos específicos em regiões, então as pessoas, principalmente da área de tecnologia, já se familiarizam com isso, independente da região da cidade, bairro.
E com um diferencial, acho que a inovação visual é uma narrativa mais inspiradora, cativante e inovadora. Então essa experiência de visualização faz com que as informações mais técnicas sejam acessíveis e compreensivas.
O que é bobagem no documentário?
Podemos dizer que existem algumas espetacularizações, alguns assuntos que poderiam ser tratados de forma mais simples.
Um dos pontos é a promessa de riqueza rápida. Isso pode entrar na mente de pessoas que talvez não tenham conhecimento profundo.
A questão do foco é bem exclusiva no uso ilícito, destacando as atividades ilegais. A questão sobre as transações que dizem ser são completamente anônimas, mas na verdade sabemos que é totalmente rastreável.

O ponto de destaque é levantar a teoria de que Peter Todd, desenvolvedor do Bitcoin Core, seria o verdadeiro responsável pela criação da criptomoeda primária. De que maneira isso é mostrado no documentário e o que acha dessa colocação?
Isso é uma hipótese que na verdade traz mais suspense e intriga, provavelmente mais especulação no documentário.
Temos que considerar vários fatores como a identidade do Satoshi, que tem sido um mistério para várias teorias.
Existem vários candidatos por aí, alguns se autodeclarando, outros sendo intitulados. A ideia do próprio Peter ser Satoshi é uma teoria interessante e que não descarto, mas precisaria de evidências substanciais.
Também a questão das contribuições recorrentes do próprio Peter, conhecido por críticas ao bitcoin, mas muitos desenvolvedores talentosos têm participado desse projeto ao longo dos anos.
A questão do enfoque narrativo poderia ser um dispositivo para provocar reflexão e gerar discussão.
Quem é o verdadeiro responsável pela criação da criptomoeda primária e porque esse assunto é tão explorado pelo setor?
Pode ser o próprio Satoshi, que originalmente apareceu em 2008 publicando o whitepaper, mas também pode ser um nome fictício, só para representar alguém ou até um grupo atrás do pseudônimo Satoshi.
Possivelmente essa pessoa, por mais que queira revelar, vai ter que provar agora que fez esse grande feito.
Sobre os mitos e verdades, temos a questão do anonimato absoluto, desse tal personagem ou grupo de pessoas chamadas Satoshi Nakamoto, a questão da nacionalidade específica, de onde ele vem e o que faz.
Muitas pessoas dizem ser um mito o nome ser de origem japonesa.
Sobre as verdades, quando digo da liderança inicial, que o Satoshi Nakamoto liderou o desenvolvimento do bitcoin, isso é um fato desde 2008, interagindo com o desenvolvimento de desenvolvedores de forma online.
Também o desaparecimento voluntário do Satoshi em 2010, permitindo que a comunidade global tomasse conta do bitcoin até mesmo por ser uma questão mais descentralizada.
E por fim, alguns mistérios podem ser descobertos como a identidade real que ninguém sabe até hoje, as motivações para a criação do bitcoin, além do fortalecimento da moeda descentralizada.
Quem é Peter Todd e qual é o seu papel na história das criptomoedas? Por que foi levantado que ele seria o criador delas?
Ele é um desenvolvedor bem conhecido, e muito respeitado pela comunidade de criptomoedas, principalmente pela Constituição que ele tem no projeto bitcoin, e o trabalho de segurança, escalabilidade de Infra do próprio bitcoin. Tudo isso é o que se relata em vários lugares.
Ele trabalhou no desenvolvimento do bitcoin core, também faz muitas consultorias em segurança. Assim como, trabalhou muito discussões sobre o potencial limite das criptomoedas, principalmente a questão da privacidade e governança.
Ele tem um conhecimento muito profundo sobre criptomoeda e blockchain, por isso ele é muito conhecido nas comunidades, mas é claro que mesmo assim, pode ser que ele seja mais um desenvolvedor apenas.
Quem foi Satoshi Nakamoto, o que de fato se sabe sobre ele e por que há tantos mistérios sobre esse personagem?
Ele é considerado como um pseudônimo, usado por uma pessoa ou por um grupo de pessoas, que criou o bitcoin, moeda baseada em blockchain, que é uma referência hoje no segmento de centralização.
A identidade real do Satoshi Nakamoto é desconhecida, nós não sabemos, embora tenhamos falado do Peter e de outros.
Ele desapareceu em 2010, gradualmente se afastou do projeto, deixando o desenvolvimento nas mãos da quantidade de código aberto.
Então não sabemos se morreu ou se o ameaçaram.
Agora entramos na descentralização, onde precisamos ser totalmente transparentes, muito mais rápido.
Fabiano Nagamatsu, CEO da Osten Moove



