O Bitcoin (BTC) inicia setembro com grandes desafios à frente. Historicamente, este é um dos meses mais difíceis para a criptomoeda, e 2024 não parece ser exceção.
Segundo Diego Pohl, analista da Crypto Investidor, o cenário atual aponta para uma possível queda de até 30% no preço do Bitcoin, o que alimenta as preocupações dos investidores em um mercado já marcado pela volatilidade.
Desde seu auge de US$ 73.750 em março, o Bitcoin vem enfrentando uma queda acentuada, e os sinais indicam que a pressão de baixa pode continuar.
Histórico de perdas em setembro

Desde 2013, o Bitcoin tem demonstrado dificuldades em manter uma trajetória de alta no mês de setembro.
Embora tenha registrado algumas exceções, como em 2015, 2016 e 2023, quando houve pequenas valorizações, os dados mostram que o mês costuma ser negativo.
Em anos de alta, como 2017, 2020 e 2021, o Bitcoin ainda terminou setembro no vermelho, o que reforça o pessimismo dos investidores para este ano.
O início do mês já trouxe sinais preocupantes. No domingo, 1º de setembro, o Bitcoin fechou a semana com uma queda de 10,7%, ampliando a perda de 8,7% em agosto, segundo dados da CoinGecko.
Esse recuo reforça a tendência de baixa observada nas últimas semanas e gera incerteza quanto ao futuro da criptomoeda ao longo de setembro.
Cenário macroeconômico pode agravar queda
Além dos aspectos técnicos e históricos do mercado, o cenário macroeconômico global também desempenha um papel crucial na dinâmica atual do Bitcoin.
A primeira semana de setembro traz a divulgação de importantes indicadores econômicos nos Estados Unidos, como o Índice dos Gerentes de Compras (PMI) do setor industrial.
As previsões indicam uma contração mais acentuada na atividade industrial, o que pode pressionar o Federal Reserve (Fed) a adotar medidas mais agressivas em relação às taxas de juros.
Segundo o CME Group, a ferramenta FedWatch aponta uma probabilidade de 69% de um corte de 0,25% nas taxas de juros e 31% de um corte de 0,5%.
Se o Fed optar por um corte maior, isso pode enfraquecer o dólar, favorecendo ativos de risco, como o Bitcoin.
Contudo, até o momento, a criptomoeda não reagiu de forma significativa à desvalorização da moeda americana, o que levanta dúvidas sobre o impacto real dessas políticas no curto prazo.
Temores de recessão e impactos no mercado
Outro ponto de atenção para os investidores é o possível impacto de uma recessão nos Estados Unidos.
Os dados de emprego a serem divulgados ao longo da semana darão uma visão mais clara sobre o estado da economia americana.
A taxa de desemprego em alta sugere uma desaceleração econômica, o que pode trazer implicações negativas para todos os mercados, incluindo o de criptomoedas.
Caso a recessão se concretize, o Bitcoin pode enfrentar ainda mais dificuldades, visto que a demanda por ativos de risco tende a diminuir em cenários de incerteza econômica.
Diego Pohl destaca que, se o Bitcoin perder o suporte atual de US$ 57.000, a criptomoeda pode cair para níveis entre US$ 53.000 e US$ 55.000.
Nesse ponto, encontra-se uma importante média móvel de 50 períodos que pode servir como suporte temporário.
Contudo, caso esse suporte seja rompido, Pohl acredita que a queda pode se intensificar, empurrando o preço para a faixa de US$ 44.000 a US$ 39.000, representando uma correção de aproximadamente 30% em relação ao preço atual.
Perspectivas técnicas e os próximos passos do Bitcoin

No lado técnico, o Bitcoin apresenta um padrão de “engolfo de baixa”, que ocorre quando a vela do gráfico semanal engole completamente o corpo da vela anterior, sinalizando uma possível continuação da tendência de baixa.
Essa configuração é um indicativo claro de que o mercado pode buscar níveis mais baixos de suporte no curto prazo.
Apesar disso, alguns analistas ainda veem a possibilidade de um repique no preço. Pohl afirma que, no curto prazo, o Bitcoin pode testar novamente a resistência entre US$ 62.000 e US$ 64.000.
No entanto, ele reforça que essa alta seria apenas temporária, com o mercado voltando a corrigir em seguida.
Para que o Bitcoin possa retomar sua trajetória de alta de longo prazo, seria necessário um rompimento acima do topo local de US$ 65.200.
Apenas a partir desse nível é que o mercado poderia começar a reverter a tendência de baixa que prevalece atualmente.
Impacto das decisões do Federal Reserve e cenário de longo prazo
Os analistas do mercado de criptomoedas estão atentos ao próximo movimento do Federal Reserve.
A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto, marcada para 18 de setembro, é vista como o próximo grande catalisador para o preço do Bitcoin.
Josh Gilbert, analista da eToro, acredita que um corte nas taxas de juros poderia ser extremamente positivo para o mercado de criptomoedas, especialmente para o Bitcoin.
No entanto, o tamanho desse corte ainda é incerto e depende dos dados econômicos que serão divulgados até lá.
Além disso, Tina Wang, CEO da Coinstash, destaca que a taxa de desemprego será um indicador chave para entender o futuro das políticas monetárias nos EUA.
Um aumento na taxa de desemprego pode dar mais motivos ao Fed para cortar os juros, o que beneficiaria os ativos de risco.
Contudo, Wang alerta que uma recessão seria prejudicial para todos os mercados, independentemente das políticas adotadas.
Setembro decisivo para o Bitcoin
À medida que setembro avança, o mercado de Bitcoin continua cercado de incertezas.
O histórico negativo deste mês, combinado com os desafios macroeconômicos, coloca a criptomoeda em uma posição vulnerável.
Enquanto alguns analistas apontam para uma possível recuperação a curto prazo, o cenário geral indica que o Bitcoin pode enfrentar uma queda significativa nas próximas semanas.
Com a volatilidade em alta e os mercados globais em alerta, o futuro do Bitcoin permanece indefinido.
Os próximos dados econômicos dos Estados Unidos e as decisões do Federal Reserve serão cruciais para determinar se o Bitcoin conseguirá romper sua tendência de baixa ou se estará destinado a enfrentar mais um “setembro vermelho”.


