Desde sua criação, o Bitcoin (BTC) tem sido um dos ativos mais voláteis e polêmicos no mercado financeiro global. Ao longo da última década, a criptomoeda passou por inúmeras quedas acentuadas que levaram muitos a acreditar em seu colapso definitivo.
Inúmeras manchetes alarmantes, análises sensacionalistas e previsões pessimistas por parte de especialistas apressaram-se em decretar a “morte” do Bitcoin, mas essas profecias nunca se concretizaram.
Neste artigo, vamos revisitar as principais correções e quedas sofridas pelo Bitcoin, demonstrando como as previsões de seu fim foram exageradas. Analisaremos o contexto e os fatores que desencadearam essas quedas, revelando como o Bitcoin não apenas sobreviveu, mas também emergiu mais forte e mais resiliente diante das adversidades.
O início de tudo
Um artigo descrevendo o funcionamento do bitcoin foi publicado em 2008 por Satoshi Nakamoto, mas sua versão inicial do software só foi lançada em 2009.
Dessa forma, o Bitcoin começou sem valor monetário definido. Naquele período, a única forma de adquirir Bitcoins era por meio de mineração ou transações P2P.
A plataforma New Liberty Standard foi pioneira ao estabelecer um valor para a criptomoeda, tornando-se um marco na história do Bitcoin. Na prática, funcionava como uma exchange rudimentar, operando em um modelo P2P, onde o comprador efetuava um pagamento via PayPal e, após algumas horas, recebia os BTCs em sua carteira digital.
Em 5 de outubro de 2009, o valor do Bitcoin foi estipulado em US$ 1 para 1.309,03 BTC, o que significava que cada unidade da criptomoeda tinha o custo de aproximadamente US$ 0,00764.
No entanto, o Bitcoin só atingiria a marca dos 100 dólares quatro anos mais tarde.
Entre 2011 e 2012, o Bitcoin foi amplamente utilizado em mercados paralelos, como o “Silk Road”, onde cerca de 9,9 milhões de Bitcoins, equivalentes a 214 milhões de dólares à época, foram transacionados.
Nesse mesmo período, o preço da criptomoeda variou de 30 centavos a 31,50 dólares por unidade. Em setembro de 2012, foi fundada a Bitcoin Foundation, com a missão de promover o desenvolvimento do protocolo.
1. Hack, incerteza e baixa liquidez (2011)
17 de novembro de 2011: Queda de 93,2% (de $29,60 para $2,00)
Em junho de 2011, a exchange Mt. Gox sofreu um ataque hacker de grandes proporções, resultando no roubo de aproximadamente 850.000 Bitcoins. Esse evento abalou a confiança dos investidores, provocando uma queda prolongada nos preços da criptomoeda.
O colapso da Mt. Gox, que na época era uma das maiores exchanges de Bitcoin do mundo, ocorreu em fevereiro de 2014. A empresa anunciou que havia perdido cerca de 850.000 Bitcoins em consequência do ataque, o que representava aproximadamente 7% de todos os Bitcoins em circulação na época.
Incertezas regulatórias: Em 2011, havia grande incerteza sobre como os governos iriam regulamentar o Bitcoin e outras criptomoedas. A possibilidade de intervenções regulatórias nos EUA e em outros países gerou medo e incerteza no novo mercado em desenvolvimento.
Baixa liquidez: Em 2011, o mercado de Bitcoin ainda era pequeno e com pouca liquidez, o que fazia com que grandes vendas tivessem um impacto desproporcional.
Declarações de especialistas da época:
“A possibilidade [de bolha] é enorme porque o Bitcoin não tem o menor lastro, ninguém garante os preços. E isso pode explodir“, em publicação da Gazeta do Povo.
“Minha dica é: evite isso. Você pode ganhar muito, mas o risco não vale a pena”, em publicação da Exame.
2. China (2013)
4 de dezembro de 2013: de $1.147,00 para $526,00, uma queda de 54,23%
Essa forte queda foi impulsionada por uma série de restrições e ações regulatórias na China, onde o governo proibiu instituições financeiras de lidar com Bitcoin. Como resultado, essas medidas geraram pânico no mercado, levando a uma significativa desvalorização da criptomoeda.
3. Escalabilidade e hard fork (2016)
Junho – Agosto de 2016: Queda de 47%, de $768 para $400
Narrativas com questões de escalabilidade e hard fork (bip66): O mercado ficou apreensivo com essas questões de escalabilidade e a possível divisão no blockchain, gerando incerteza e volatilidade no preço do Bitcoin.
4. Especulação e regulamentações (2018)
Janeiro – Fevereiro de 2018: Queda de 70%, saindo de $20.000 para $6.000
Após um aumento meteórico em 2017, alcançando quase $20.000, o preço do Bitcoin sofreu uma grande correção. A especulação excessiva e o aumento das regulamentações globais também contribuíram para a queda, gerando incerteza e afastando investidores.
5. Pânico global causado pela COVID-19 (2020)
Março – Abril de 2020: Queda de 60%, de $10.000 para $4.000
A pandemia provocou uma venda generalizada de ativos de risco, incluindo criptomoedas, enquanto investidores buscavam liquidez e segurança naquele período incerto e inesperado.
6. Pressão no mercado (2021)
Abril – Junho de 2021: Queda de 53% (de $63.500 para $30.000)
A China intensificou sua repressão ao setor de criptomoedas naquele época, afetando negativamente o sentimento do mercado. Além disso, a correção, após um período de alta especulativa, junto ao crescente debate sobre o consumo de energia nas práticas de mineração, também influenciou o preço.
7. Correção natural do ciclo(2021)
Novembro – Dezembro de 2021: Queda de 37% (de $69.000 para $46.000)
Após alcançar sua máxima histórica (ATH), uma correção no preço também já era esperada.
Além disso, a expectativa de que bancos centrais endurecessem suas políticas monetárias, especialmente com o aumento das taxas de juros, gerou incertezas no mercado global.
8. Crise no setor (2022)
Abril – Junho de 2022: Queda de 60% (de $48.000 para $19.000)
A falência de grandes projetos e empresas do setor, como a Terra (LUNA), trouxe grande incerteza e medo ao mercado, afetando o valor dos criptoativos.
Além disso, a inflação elevada e o aumento das taxas de juros contribuíram para a venda de ativos de risco, incluindo o Bitcoin.
9. Intervenções governamentais (2024)
Nós últimos meses, o Bitcoin “morreu” duas vezes.
Maio – Junho de 2024: Queda de aproximadamente 25% (de $69.000 para $52.000)
Após conquistar uma nova alta histórica (ATH) em 73$ em março, notícias sobre intervenções governamentais e declarações de autoridades financeiras impactaram negativamente o mercado.
Dessa forma, a possibilidade de uma política monetária mais restritiva pode ter gerado preocupações entre os investidores.
10. Banco do Japão (2024)
Julho – Agosto de 2024: Queda de aproximadamente 16% (de $62.000 para $52.000)
O banco do Japão (BoJ) decidiu aumentar suas taxas de juros pela primeira vez em anos, pegando muitos investidores de surpresa e causando reações significativas nos mercados financeiros.
O Japão, que há anos enfrentava problemas com deflação e baixa inflação, viu no aumento das taxas de juros uma medida necessária para ajustar sua política monetária ao cenário econômico atual. Assim, causando um pânico no mercado e um alerta global para uma possível nova recessão para a economia mundial.
O futuro do Bitcoin
Apesar de todas as “mortes” e das quedas que causaram pânico não só no mercado de criptoativos, mas também no mercado financeiro como um todo, o Bitcoin continua a demonstrar um crescimento exponencial, ressurgindo como uma fênix após cada correção.
A verdade é que, apesar da sua volatilidade, o Bitcoin ainda não tem um valor estabelecido globalmente.
Então, a grande questão que permanece é: até onde o Bitcoin pode chegar no próximo ciclo de alta?
Deixe nos comentários a sua previsão.
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Última atualização em 31/08/24 por Viviane Pedro


