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Bitcoin recua 10% após pressão de venda e risco macroeconômico

Bitcoin recua após liquidações e pressão vendedora. Riscos macroeconômicos e adoção institucional moldam novo momento do mercado.

Bitcoin em chamas. Imagem: IA

O Bitcoin (BTC) registrou uma queda de mais de 10% em relação à sua máxima histórica. O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo forte demanda no mercado à vista, realização de lucros por detentores de longo prazo e o retorno dos riscos macroeconômicos globais.

Além disso, as crescentes tensões geopolíticas com o Irã adicionam uma camada extra de incerteza, contribuindo para a volatilidade do mercado.

O movimento de baixa ganhou força em 5 de junho, com liquidações expressivas em um único dia. O que sinaliza um claro processo de desalavancagem em curso para o Bitcoin.

Pressão vendedora e níveis de suporte do Bitcoin

Nos últimos sete dias, o mercado cripto testemunhou mais de US$ 1,9 bilhão em liquidações, forçando uma redefinição nos níveis de alavancagem.

Apesar da correção, indicadores técnicos mostram que a alta anterior do Bitcoin foi sustentada por demanda genuína, com zonas de acumulação bem definidas entre US$ 93 mil a US$ 96 mil, e entre US$ 102 mil a US$ 104 mil.

Indicadores on-chain revelam uma crescente pressão de venda, impulsionada pela realização de lucros por investidores mais antigos.

De acordo com relatório da Bitfinex, a estrutura dos quantis de distribuição (SSD) e das faixas de custo oferece um roteiro claro para os próximos movimentos do preço do Bitcoin:

  • US$ 103.700: primeiro nível de suporte (SSD 0.95)
  • US$ 97.100: base de custo dos holders de curto prazo (STH Cost Basis)
  • US$ 95.600: suporte secundário (SSD 0.85)
  • US$ 83.200: principal nível de risco (risk-off)

Esses níveis representam o custo médio de grandes investidores e novos entrantes. Funcionando como zonas potenciais de reentrada de demanda ou gatilhos de liquidação para o Bitcoin.

Assim, a atenção do mercado se volta para como esses níveis se comportarão diante da pressão de venda e dos ventos macroeconômicos.

Cenário macroeconômico e o impacto das tensões com o Irã no preço do Bitcoin

A economia norte-americana mostra sinais de enfraquecimento, com o crescimento do emprego em maio desacelerando em meio a tensões comerciais persistentes e incertezas tarifárias.

Embora os salários continuem crescendo, os dados sugerem que a resiliência do mercado de trabalho está diminuindo.

Os setores de manufatura e serviços sofrem com o aumento dos custos de insumos e queda na demanda, efeitos diretos da política tarifária. A construção civil também encolheu por três meses consecutivos. Em paralelo, a inflação segue em alta, já que muitas empresas não conseguem repassar os custos aos consumidores.

No comércio exterior, o déficit comercial dos EUA encolheu devido à queda nas importações — especialmente da China. No entanto, essa contração reflete uma redução da demanda interna, gerando preocupações com escassez de estoques e pressão inflacionária futura.

Já os mercados de dívida pública sinalizam um clima de ceticismo quanto à estabilidade fiscal dos EUA, com leilões de títulos e dados futuros apontando menor apetite por títulos de longo prazo.

Além dos desafios econômicos, as tensões geopolíticas com o Irã emergem como um fator de risco significativo que influencia o mercado de criptomoedas, incluindo o Bitcoin.

Cenários de instabilidade no Oriente Médio historicamente levam investidores a buscar ativos considerados mais seguros. Contudo, também podem gerar aversão ao risco em mercados voláteis como o cripto.

A escalada de tensões pode impactar os preços do petróleo, desestabilizar cadeias de suprimentos e gerar incerteza global, o que frequentemente se traduz em pressão de venda em ativos de risco, como o Bitcoin.

Dessa forma, a dinâmica entre os riscos macroeconômicos, a situação nos EUA e as tensões com o Irã cria um cenário complexo para a precificação do Bitcoin.

Adoção institucional de Bitcoin avança apesar da instabilidade

Apesar da instabilidade nos mercados globais e das tensões com o Irã, a adoção institucional do Bitcoin segue avançando.

O Reino Unido registrou um marco importante com a IG, a primeira empresa listada em bolsa no país a oferecer negociação de criptoativos no mercado à vista para investidores de varejo. A iniciativa, em parceria com a Uphold, marca uma mudança relevante da negociação via derivativos para a propriedade direta de ativos digitais.

Ao mesmo tempo, o Reino Unido se prepara para revogar a proibição sobre notas negociadas em bolsa (cETNs) de cripto para o varejo, indicando maior abertura regulatória ao setor.

No Japão, a Metaplanet anunciou uma captação de ¥850 bilhões (US$ 5,4 bilhões) com o objetivo de ampliar agressivamente suas reservas de Bitcoin, com meta de atingir 210.000 BTC.

Essa estratégia reforça a tendência de empresas que adotam a criptomoeda como ativo de reserva, apesar das flutuações de preço e dos desafios macroeconômicos e geopolíticos.

Assim, a adoção contínua e a crescente aceitação do Bitcoin em mercados regulamentados indicam uma resiliência fundamental do ativo, mesmo em cenários de alta complexidade.

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