As liquidações de criptomoedas ultrapassaram US$ 1 bilhão em apenas 24 horas depois que o Bitcoin rompeu o suporte de US$ 100 mil. A aversão ao risco aumentou com temores ligados à inflação, à possível bolha de IA e ao receio de pausa nos cortes de juros nos EUA, ampliando a pressão sobre todo o mercado.
A seguir:
- Liquidações de criptomoedas superam US$ 1 bilhão após queda do Bitcoin.
- Aversão ao risco cresce com inflação e incertezas no setor de IA.
- Mercado perde mais de US$ 200 bilhões e amplia pressão baixista.
O mercado de criptomoedas voltou a enfrentar forte pressão nesta sexta-feira (14), com liquidações superiores a US$ 1,1 bilhão nas últimas 24 horas e uma saída líquida de capital que supera US$ 220 bilhões. O movimento acompanha a escalada global da aversão ao risco, alimentada por preocupações com a inflação dos EUA, sinais de pausa nos cortes de juros do Federal Reserve (Fed) e temores de uma possível bolha de inteligência artificial (IA).
A combinação de fatores macroeconômicos e volatilidade em tecnologia pesou sobre o Bitcoin e o restante do mercado, ampliando o fluxo negativo que derrubou a capitalização total das criptomoedas para US$ 3,26 trilhões, uma queda de 6% no dia.
IA, inflação e Fed reforçam pessimismo nos mercados
A pressão começou ainda na quinta-feira (13), após quedas expressivas nos índices de tecnologia dos EUA:
- Nasdaq: -1,66% (6.737,49 pontos)
- S&P 500: -2,29% (22.870,36 pontos)
A narrativa da “bolha da IA” ganhou força depois que ações da Nvidia recuaram 3,58%, em meio a:
- vendas de ações pelo SoftBank,
- expectativa pelo balanço trimestral da fabricante,
- reportagem indicando que Amazon e Microsoft apoiarão medidas do governo dos EUA para limitar exportações de chips para a China.
O ambiente de risco também cresceu diante do temor de que o Fed não avance com o corte de juros em dezembro, já que novos dados de inflação sugerem que o processo de desaceleração dos preços pode estar perdendo ritmo.
O VIX, conhecido como “índice do medo”, saltou 20,5%, alcançando 21,1 pontos, reforçando o ambiente defensivo.
Bitcoin derrete e volta ao patamar de US$ 96 mil
O Bitcoin (BTC) recuava para US$ 96,4 mil (-6,3%), com dominância de 59,2% e sentimento de medo em projeção de 22%. O ativo rompeu pela primeira vez desde junho o suporte psicológico de US$ 100 mil, aprofundando uma tendência de baixa já duradoura.
Os indicadores técnicos refletem a fraqueza:
- RSI do BTC: aponta perda de força compradora
- BTC pode testar US$ 95 mil ou até US$ 90 mil se a pressão vendedora aumentar
- Recuperação exigiria retomada acima de US$ 100 mil, abrindo espaço para US$ 105 mil
A queda do Bitcoin liderou o movimento negativo do mercado, embora algumas altcoins tenham segurado melhor seus níveis diários.
Entretanto, segundo Pablo Monti, Brand Manager da BingX, os gráficos vermelhos podem apenas apenas uma mudança no fluxo do mercado:
“Em linhas gerais, o que vemos não representa um rompimento estrutural, mas sim uma mudança de ritmo. O mercado está eliminando excessos, readequando posições e se ajustando a um cenário macro mais desafiador. É um momento em que a gestão de risco assume protagonismo, e a trajetória do preço dependerá, em grande parte, da evolução da liquidez global nas próximas semanas.” afirma Monti
Liquidações passam de US$ 1,1 bilhão e afetam principalmente posições compradas
Os dados da Coinglass mostram:
- Liquidações totais (24h): +US$ 1,2 bilhão
- Número de traders liquidados: +240 mil
- Liquidações de longs: +US$ 970 milhões
- Liquidações de shorts: +US$ 130 milhões
As perdas se concentraram nos compradores alavancados, que foram atingidos pela forte oscilação, especialmente após o rompimento do suporte dos US$ 100 mil.
Além disso:
- Interesse Aberto (OI): caiu para US$ 137,11 bilhões (-3,7%)
- Volume de derivativos: subiu para US$ 412,65 bilhões (+26,1%)
Altcoins: quedas intensas, mas algumas exceções chamam atenção
Entre as mil maiores altcoins, o mercado refletiu a aversão ao risco:
- IP: US$ 3,29 (-15%)
- JUP: US$ 0,29 (-13,2%)
- AAVE: US$ 184,72 (-13,2%)
- AERO: US$ 0,84 (-13%)
- IMX: US$ 0,38 (-11,3%)
- HBAR: US$ 0,15 (-10,6%)
- KAIA: US$ 0,088 (-10,6%)
Mas houve exceções positivas:
- ZEC: US$ 522,99 (+5,9%)
- STRK: US$ 0,14 (+4%)
- LEO: US$ 9,18 (+2,3%)
Altas de dois dígitos:
- AURORA: +22,8%
- ESPORTS: +22,2%
- BAL: +20,4%
- TRUTH: +18,5%
- APR: +15,7%
- LSK: +14%
- UAI: +12,6%
Novas listagens importantes:
- PUNDIAI na KuCoin
- SEI na OKX e OKF Futuros
- SOLV na Bitvavo
- RISE na Bitrue
- VAL na BitMart
Capitalização total recua, mas níveis técnicos seguem relevantes
A capitalização total do mercado caiu US$ 92 bilhões, chegando a US$ 3,29 trilhões. O setor luta para manter o suporte de US$ 3,31 trilhões.
Possíveis cenários:
- Recuperação acima de US$ 3,26 tri → abre espaço para US$ 3,31 tri e, depois, US$ 3,42 tri
- Perda de US$ 3,26 tri → mira US$ 3,21 tri, prolongando a pressão de baixa


