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Bolívia aposta em criptomoeda com El Salvador

Bolívia considera criptomoeda como alternativa confiável à moeda fiduciária em parceria com El Salvador. Acordo busca modernizar o sistema.

Bolívia aposta em criptomoeda com El Salvador. Imagem: IA

A Bolívia está considerando criptomoedas como alternativa confiável à moeda fiduciária, marcando uma virada histórica em sua política monetária.

Em 30 de julho de 2025, o Banco Central da Bolívia assinou um acordo com El Salvador, pioneiro na adoção do Bitcoin (BTC) como moeda legal, para acelerar a integração de ativos digitais em sua economia.

A iniciativa surge em meio à crise cambial boliviana e busca modernizar o sistema financeiro, ampliar a inclusão e reduzir a dependência do dólar americano.

Acordo bilateral entre Bolívia e El Salvador

O acordo foi formalizado entre Edwin Rojas Ulo, presidente interino do Banco Central da Bolívia, e Juan Carlos Reyes García, presidente da Comissão Nacional de Ativos Digitais de El Salvador.

O documento estabelece cooperação técnica e política para desenvolver infraestrutura digital, compartilhar ferramentas de inteligência e criar políticas públicas voltadas à adoção de criptomoedas.

Memorando de entendimento e objetivos estratégicos

A Bolívia reconhece El Salvador como referência global em regulação cripto e pretende usar essa experiência para construir um ecossistema seguro e atrativo para investimentos.

O memorando entra em vigor imediatamente e não tem prazo de validade, sinalizando o compromisso de longo prazo entre os países.

Criptomoedas como solução para a crise cambial

Motivações econômicas e dados de mercado

  • As reservas cambiais da Bolívia despencaram 98% em uma década, caindo de US$ 12,7 bilhões em 2014 para apenas US$ 165 milhões em abril de 2025.
  • A estatal YPFB recebeu autorização para aceitar cripto no pagamento de importações de combustível, como forma de contornar a escassez de dólares.
  • Desde a suspensão da proibição de cripto em junho de 2024, o volume de negociações saltou para US$ 294 milhões até junho de 2025.
  • Algumas lojas bolivianas já precificam produtos em stablecoins como Tether, refletindo a crescente adoção popular.

Implicações políticas e sociais da guinada pró-cripto

🏛️ Inclusão financeira e cenário eleitoral

A parceria com El Salvador também tem forte apelo social. Inclusive, o Banco Central da Bolívia afirma que os ativos digitais são uma “alternativa viável e confiável” para famílias e pequenos empreendedores excluídos do sistema bancário tradicional.

Dessa forma, a medida busca ampliar o acesso a serviços financeiros, especialmente em regiões com baixa bancarização.

Além disso, o acordo ocorre às vésperas das eleições gerais de 17 de agosto, em um momento de alta polarização política.

Em resumo, a guinada pró-cripto pode influenciar o debate público e posicionar a Bolívia como polo regional de inovação financeira.

Segundo a plataforma Polymarket, há apenas 5% de chance de vitória no primeiro turno, o que indica instabilidade e reforça a urgência de soluções econômicas alternativas.

Criptomoedas como ponte para o futuro boliviano

A decisão da Bolívia de considerar criptomoedas como alternativa confiável à moeda fiduciária representa mais do que uma resposta à crise cambial é um salto estratégico rumo à modernização financeira.

Além disso, ao se aliar a El Salvador, o país busca não apenas estabilidade, mas também protagonismo na revolução digital latino-americana. A adoção de ativos digitais pode redefinir o papel do Estado, ampliar a inclusão e abrir novas possibilidades econômicas.

Por fim, ainda há desafios regulatórios e técnicos, mas o caminho está traçado e ele aponta para um futuro onde o dinheiro não é apenas papel, mas código.

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