Enquanto muitos assumem que o Brasil é sinônimo de risco, os números da Sumsub, plataforma global de verificação de identidade e prevenção de fraudes baseada em inteligência artificial, mostram o oposto.
A seguir:
- América Latina e Caribe empatam com a Europa como a região de menor taxa de fraude cripto do mundo, e o Brasil nem aparece no ranking de risco da própria região.
- Um relatório mais amplo da Sumsub sobre fraude de identidade confirma: a taxa brasileira caiu 10% no último ano.
- Enquanto isso, um tipo específico de fraude disparou no Brasil.
O relatório State of the Crypto Industry 2026, da Sumsub, mostra que a América Latina e Caribe teve a menor taxa de fraude cripto do mundo em 2025, empatada com a Europa em 1,4%. A região superou os EUA e o Canadá, com 1,6%, e ficou bem abaixo da média global, de 2,2%.
Dentro desse cenário, o Brasil nem aparece na lista dos 10 países latino-americanos com maior fraude cripto. A lista vai de 3,1% (Colômbia) a 1,3% (México).

Um segundo levantamento da empresa, mais amplo, ajuda a explicar por quê.
Mercados emergentes são mesmo tão arriscados?
A taxa de fraude cripto por região caiu na América Latina entre 2024 e 2025 (-7% ano a ano), enquanto a Ásia-Pacífico viu a fraude saltar 65% no mesmo período, segundo a Sumsub. Isso contraria a percepção comum de que mercados emergentes são, por padrão, mais arriscados.
Além disso, no Identity Fraud Report 2025-2026, relatório mais amplo da Sumsub sobre fraude de identidade em todos os setores verificados pela empresa, o Brasil também não figura entre os países mais fraudados da América Latina.
A primeira posição hoje é ocupada pela Argentina, com 3,8% em 2025. Enquanto isso, a taxa brasileira de fraude de identidade é de 0,9%, uma queda de 10% frente ao ano anterior.

Golpes com deepfakes disparam no Brasil
Apesar da queda geral, um tipo específico de fraude foge do padrão: os golpes com deepfake cresceram 126% no Brasil em 2025.
Além disso, o país já responde por cerca de 39% de todos os incidentes de deepfake registrados na América Latina, registrando a maior concentração da região.
Fraude cai, mas requisitos de verificação aumentam
De acordo com a Sumsub, documentos falsificados e cadastros fraudados ficam cada vez mais fáceis de detectar com verificação automatizada, o que ajuda a explicar a queda de 10% no aumento de fraudes no Brasil no último ano.
Deepfakes, porém, atacam a camada seguinte: a prova de vida que confirma se há uma pessoa real do outro lado da câmera. É um ataque mais caro de produzir, mas muito mais difícil de barrar com checagens tradicionais.
Por isso, 57% das empresas cripto já apontam detecção de fraude com IA como prioridade máxima para 2026. Enquanto isso, outras 27% investem especificamente em biometria e checagem de vivacidade mais robusta, segundo o State of the Crypto Industry 2026.


