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Brasileiros investem mais em criptomoedas que em ações

Pesquisa revela que mais brasileiros investem em criptomoedas do que em ações, destacando popularidade crescente e desafios no país.

Bitcoin com bandeira do Brasil. Imagem ilustrativa.

O mercado de criptomoedas continua em crescimento no Brasil, superando o número de investidores em ações, dólar e até mesmo Tesouro Direto. É o que aponta uma pesquisa realizada pelos institutos Datafolha e Paradigma Education.

Segundo o estudo, 15% dos brasileiros já investiram ou investem em criptoativos, enquanto apenas 6% aplicam na bolsa de valores, demonstrando uma adesão 2,5 vezes maior ao universo cripto.

Crescimento e percepção do mercado sobre as criptomoedas

Apesar da popularidade crescente, a pesquisa revela que 45% dos investidores enxergam criptomoedas com o mesmo risco que as ações, enquanto 30% as comparam às casas de apostas online.

O levantamento, encomendado pela gestora de fundos Hashdex e pela corretora americana Coinbase, também destaca que a poupança segue como a principal forma de investimento no Brasil, com 52% dos entrevistados afirmando que utilizam ou já utilizaram essa opção.

Em termos de preferência por investimentos, os criptoativos ocupam o quinto lugar, ficando atrás de poupança (52%), imóveis (31%), dinheiro guardado em casa (24%) e fundos de investimento (19%).

Enquanto isso, outras opções, como dólar (14%), títulos públicos e privados (12%) e ouro (9%), aparecem abaixo dos ativos digitais na lista de investimentos mais populares entre os brasileiros.

Perfil do investidor de criptomoedas no Brasil

O estudo entrevistou 2.007 pessoas em 113 municípios brasileiros, representando um universo de 160,1 milhões de pessoas com mais de 16 anos.

Com base nos dados, estima-se que aproximadamente 24 milhões de brasileiros tenham investido em criptomoedas.

Desses, 15 milhões adquiriram criptoativos por meio de bancos, 6 milhões utilizaram corretoras e fundos. No entanto, apenas 3 milhões optaram pela autocustódia em carteiras digitais sem intermediários.

Além disso, quando se trata de conhecimento sobre o mercado, 54% dos entrevistados afirmaram já ter ouvido falar em Bitcoin (BTC), sendo que dois terços desses apenas conhecem essa criptomoeda. O Ethereum (ETH) foi citado por 9,2% dos respondentes, seguido pelo Drex, moeda digital do Banco Central, com 6%, e pelo Dogecoin (DOGE), com 4,4%.

Perspectivas futuras para o mercado cripto no Brasil

O futuro dos investimentos em criptomoedas no Brasil parece promissor. Afinal, a pesquisa revelou que 20% dos entrevistados consideram investir em Bitcoin ou outras criptomoedas nos próximos dois anos. Entre os jovens de 16 a 24 anos, esse número sobe para 42%, indicando uma maior aceitação dos ativos digitais entre as novas gerações.

Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex, acredita que o Brasil tem potencial para se tornar um dos principais mercados de criptoativos no mundo.

“Esses dados reforçam a necessidade de ampliar a educação financeira sobre essa classe de ativos para que mais brasileiros possam aproveitar seu potencial”, disse ao Valor Econômico.

Fábio Plein, diretor regional da Coinbase para as Américas, enfatizou que, embora o setor cripto esteja crescendo, há uma lacuna significativa na educação financeira dos investidores.

“Cripto já é um dos cinco tipos de investimento mais populares no Brasil, mas muitos brasileiros ainda o associam apenas à poupança, sem compreender outras possibilidades de rendimento, como o staking”, explicou.

Desigualdade de gênero ainda prevalece nas criptomoedas

Outro aspecto relevante apontado pelo estudo é o forte desequilíbrio de gênero no setor de criptomoedas. Atualmente, 67,3% dos investidores em criptoativos no Brasil são homens, enquanto apenas 32,7% são mulheres. Isso indica um espaço de crescimento para maior inclusão feminina no mercado.

Contudo, com um número crescente de investidores e um mercado em constante evolução, a tendência é que as criptomoedas continuem a ganhar espaço entre os brasileiros. Especialmente entre os mais jovens que buscam novas formas de investimento e diversificação de portfólio.

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