A exchange Bybit não quer apenas autorização do Banco Central como PSAV. O objetivo é maior: virar corretora, depois banco, e finalmente um “superapp” financeiro que integre criptoativos, ações, ETFs e serviços bancários em um único aplicativo.
A seguir:
- Bybit protocolará pedido de PSAV em 30 de outubro com US$ 8 milhões em capital
- CEO: PSAV é “ingresso para entrar”, não para vencer; objetivo é licença de corretora e banco
- Brasil é prioridade nº 1 na América Latina; 200 mil usuários ativos; Bybit procura parceiro para EUA
Ben Zhou, CEO global da Bybit, revelou em entrevista exclusiva à Exame que a exchange está se preparando para protocolar pedido de PSAV em 30 de outubro, data final do prazo estabelecido pelo Banco Central.
Primeira etapa: PSAV com capital de US$ 8 milhões
Bybit estabeleceu escritório em São Paulo e injetou capital de aproximadamente US$ 8 milhões, valor exigido pelo Banco Central para a licença de PSAV. A empresa está “totalmente pronta” para solicitar, segundo Zhou.
Mas ele deixa claro: PSAV é apenas primeira etapa. Segundo Zhou:
“Uma licença só talvez não seja suficiente. Você precisa de mais do que ser apenas uma PSAV. Provavelmente precisa de uma licença de corretora, talvez até de uma licença de instituição financeira.”
Roadmap de licenças: PSAV → Corretora → Banco
O próximo passo seria licença de corretora DTVM, permitindo oferta de valores mobiliários e futuros. Depois, licença bancária, o objetivo final.
Zhou explica a estratégia:
“O próximo passo, obviamente, acho que é uma licença de corretora, que nos permitirá oferecer aos clientes mais produtos, como valores mobiliários, até mesmo futuros. Então acho que o objetivo final seria uma licença bancária.”
A motivação é virar um “superapp”. Ou seja: integrar criptoativos, ações, ETFs, stablecoins e serviços bancários em um único aplicativo para o usuário brasileiro.
Zhou ressalta que a estratégia não é exclusiva do Brasil:
“Novamente, não apenas no Brasil, mas na União Europeia e em muitos outros países, estamos explorando a mesma coisa. O que torna o Brasil interessante é que existe um caminho.”
Brasil é prioridade número 1
Bybit tem 200 mil usuários ativos no Brasil. Para Zhou, esse número é apenas ponta do iceberg considerando o potencial real do mercado.
O país é atrativo por vários fatores. A B3 foi uma das primeiras bolsas de valores a oferecer futuros de Bitcoin no mundo. A adoção de criptoativos é alta. E agora há marco regulatório claro.
Zhou resume:
“Historicamente, o Brasil tem sido nosso maior país em termos de adoção… O Brasil realmente está se tornando um dos países número um para qualquer participante de cripto.”
Stablecoins como diferencial
Uma vantagem que Bybit ofereceria sobre bancos tradicionais: stablecoins com rendimento atrativo. Zhou exemplifica:
“Podemos talvez fazer uma stablecoin baseada em real que ofereça aos clientes um rendimento de 15% a 20% ao ano. Se um cliente estiver usando nosso aplicativo e colocar suas economias reguladas aqui, ele poderá ter um rendimento flexível de 15%, que não conseguiria obter em um banco.”
Parcerias no Brasil; parceiros para EUA
Bybit não quer conquistar Brasil sozinha. Busca parcerias locais com atores que já têm base de clientes estabelecida.
Quanto aos EUA, Zhou revelou que já está em conversas com possíveis parceiros para entrada no mercado americano, onde a Bybit nunca operou:
“Já estamos em conversas com possíveis parceiros para os EUA.”
Bybit não opera nos EUA porque nunca quis enfrentar fricção regulatória. Mas uma entrada via parceria local seria viável.
Consolidação no mercado cripto
Zhou observa que o mercado cripto passa por fase de consolidação. Binance detém cerca de 50% da participação global, já Bybit e OKX compartilham entre 10% a 12% cada.
Mas no nível local, padrões mudam. Na Tailândia, maior player é Bitkub. Na Indonésia, Indodax. Na Turquia, BtcTurk.
Bybit pretende ser isso no Brasil: maior player local com vantagens regulatórias e locais.
Narrativas subestimadas: exchanges descentralizadas e stablecoins
Quando perguntado sobre narrativas subestimadas no mercado cripto, Zhou aponta exchanges descentralizadas (como Hyperliquid) e stablecoins como as que mais resistem e crescem:
“Acho que exchanges descentralizadas, como a Hyperliquid, estão mostrando uma forte resiliência e estão subestimadas. Stablecoins também estão mostrando uma forte resiliência ao sair de todo o ciclo.”
Visão de longo prazo: futuro agêntico
Zhou vê o futuro como economia agêntica, máquinas fazendo transações. E acredita que exchanges e bancos programáveis serão infraestrutura para isso.
A visão é clara: blockchain não é especulação, é trilho para economia digital. Bybit quer ser parte dessa infraestrutura no Brasil.


