A Câmara dos Deputados realizou audiência pública para discutir crimes digitais cometidos contra mulheres com o uso de inteligência artificial. O foco foi a manipulação e comercialização de imagens falsas de nudez, conhecidas como deepfakes, que têm gerado impactos psicológicos e sociais graves.
O debate, solicitado pelas deputadas Célia Xakriabá (Psol-MG) e Erika Hilton (Psol-SP), buscou apontar caminhos legislativos e institucionais para enfrentar essa nova forma de violência de gênero.
Dessa forma, a discussão reforça a urgência de regulamentar o uso da IA para proteger mulheres, crianças e adolescentes em ambientes digitais.
Crimes digitais de gênero e o avanço da inteligência artificial
O uso de IA para criar conteúdos abusivos expõe vítimas a constrangimento, humilhação e revitimização. Sendo assim, especialistas alertaram que a sofisticação dessas tecnologias amplia o alcance e a velocidade da disseminação de conteúdos falsos.
Além disso, casos recentes, como o das alunas do Colégio Santa Maria, em Belo Horizonte, evidenciam que a ausência de regulação específica deixa brechas para a impunidade.
Impactos psicológicos e sociais
As vítimas enfrentam traumas emocionais, perda de privacidade e danos à reputação. Igualmente, a exposição indevida pode gerar isolamento social e dificuldades profissionais. Em resumo, a violência digital baseada em gênero se tornou silenciosa, devastadora e ainda invisível para muitas políticas públicas.
Vale destacar que a prática de criar deepfakes com teor sexual e explícito já se tornou comum em relação a atrizes de filmes e séries, figuras públicas que despertam desejo em muitas pessoas. Muitos não percebem que se trata de um ato criminoso que alimenta comportamentos sádicos.
Essa banalização incentiva a criação de conteúdos semelhantes contra pessoas que não são famosas, atingindo qualquer indivíduo. Além disso, essa prática pode destruir casamentos, desestruturar famílias e até confundir a percepção sobre o que é ou não traição, sob a justificativa de que “tudo é IA”.
Necessidade de regulamentação urgente
Parlamentares e especialistas defenderam a criação de leis específicas para punir a produção e a distribuição de deepfakes abusivos. Inclusive, foi sugerida a inclusão de dispositivos no marco legal da inteligência artificial para tratar diretamente desses crimes.
Propostas e medidas discutidas na audiência
O encontro apresentou sugestões para fortalecer a proteção das vítimas e responsabilizar agressores. Dessa forma, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher pretende encaminhar propostas ao plenário.
Principais pontos debatidos
- Criação de tipificação penal específica para deepfakes abusivos
- Inclusão de crimes digitais de gênero no marco legal da IA
- Parcerias com plataformas digitais para remoção rápida de conteúdos
- Programas de apoio psicológico e jurídico às vítimas
- Campanhas educativas sobre segurança digital
Cooperação entre Legislativo e sociedade civil
Organizações como o Instituto Marielle Franco e o Internet Lab destacaram que a violência digital contra mulheres negras, LGBTQIA+ e periféricas é sistêmica e coordenada. Sendo assim, a articulação entre Estado, sociedade civil e empresas de tecnologia é essencial para combater o problema.
Perspectivas futuras e desafios
O debate na Câmara também abordou a necessidade de ampliar a conscientização sobre o tema. Por fim, especialistas reforçaram que a prevenção passa pela educação digital e pela atualização constante das leis. Inclusive, a criação de uma Política Nacional de Enfrentamento à Violência Política de Gênero e Raça foi apontada como modelo para outras frentes de combate à violência digital.
Caminho para uma legislação eficaz
Assim sendo, a expectativa é que as propostas discutidas avancem no Congresso e resultem em medidas concretas. A regulamentação poderá estabelecer punições claras, mecanismos de denúncia ágeis e proteção efetiva para as vítimas.


