Um casal de idosos de Campo Grande foi vítima de um sofisticado esquema de fraude com criptomoedas que resultou em um prejuízo de R$ 3,6 milhões. O golpe, que começou com o furto dos ativos digitais, evoluiu para um esquema de lavagem de dinheiro.
O crime envolveu a venda de um imóvel de alto padrão, conforme apuração recente da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
Golpe com criptomoedas começou em 2021
Segundo o inquérito policial, o crime teve início em novembro de 2021, quando o casal — residente no bairro Tiradentes — percebeu o desaparecimento do montante investido em moedas digitais.
Eles haviam contratado Filippe Barreto Sims para auxiliá-los com transações em plataformas de criptomoedas, devido à dificuldade em operar os sistemas por conta própria.
Ao registrar boletim de ocorrência, a investigação apontou que Marco Aurélio Pereira de Sousa teria acessado indevidamente a conta dos idosos, realizando transferências suspeitas em três etapas distintas. O objetivo seria despistar o rastreamento financeiro.
O nome de Marco Aurélio não havia sido divulgado durante a Operação Verbum Clavis, deflagrada em 2024, mas ele agora aparece como réu junto com outros envolvidos.
Esquema de lavagem de dinheiro envolveu venda de imóvel de R$ 1,6 milhão
A apuração revelou um esquema de fracionamento e redistribuição dos valores para diversas contas, em um típico processo de layering, estratégia comum na lavagem de ativos.
Parte dos valores foi direcionada a contas de Filippe e Jair do Lago Ferreira Júnior, também acusado no caso e preso em 2023 na cidade de Curitiba (PR).
O detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi o uso de um imóvel avaliado em R$ 1,6 milhão para lavar os recursos obtidos com o golpe.
A propriedade, registrada inicialmente em nome da empresa Seven Tec Serviços de Tecnologia da Informação, pertencente a Jair, foi vendida no mesmo dia para sua esposa, Sainara Nunes da Silva.
Logo após a venda, o valor foi transferido para a conta da empresa Lins Capital Eireli, também ligada ao acusado. A movimentação sequencial e atípica do dinheiro acendeu o alerta sobre ocultação de bens e tentativa de legalizar valores obtidos de forma ilícita.
Investigados e réus no esquema de fraude com criptomoedas
Atualmente, são alvos do inquérito policial:
- Filippe Barreto Sims (preso em 2023)
- Jair do Lago Ferreira Júnior (preso em 2023)
- Marco Aurélio Pereira de Sousa (novo réu no caso)
- Sainara Nunes da Silva (esposa de Jair, ainda não ré, mas citada nas investigações)
Eles respondem por crimes como furto qualificado, associação criminosa e lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.
Promotoria pede aprofundamento das investigações
Diante das evidências, o Ministério Público, por meio da 64ª Promotoria de Justiça, representada pela promotora Cristiane Amaral Cavalcante, solicitou a reabertura do inquérito para elucidar todos os pontos do esquema.
O objetivo é comprovar a estrutura organizada da fraude financeira com criptomoedas, com ênfase na participação dos envolvidos e nos mecanismos utilizados para dificultar o rastreamento dos ativos.
Alerta para investidores em criptomoedas
O caso serve como alerta para investidores — especialmente idosos ou pessoas com menos familiaridade digital — sobre os riscos de confiar em terceiros para a gestão de criptoativos.
A falta de conhecimento técnico pode abrir brechas para fraudes e golpes sofisticados, como o ocorrido em Campo Grande.
Principais dicas de segurança ao investir em criptomoedas:
- Nunca compartilhe senhas ou frases de recuperação com terceiros.
- Ative autenticação de dois fatores (2FA) em todas as contas.
- Use carteiras seguras (preferencialmente hardware wallets).
- Desconfie de promessas de retorno rápido ou garantido.
- Verifique sempre a reputação de consultores ou prestadores de serviço.


