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Cientistas criam ‘bateria de sangue’ que dura até 30 dias

Dispositivo usa componente do sangue para gerar energia. A ‘bateria de sangue’ abre portas para dispositivos médicos implantáveis e alternativa sustentável para baterias de lítio.

Imagem criada com auxílio de Inteligência Artificial, para ilustrar uma bateria composta por hemoglobina.

Pesquisadores do Instituto de Química para Energia e Meio Ambiente (IQUEMA) em Córdoba, na Espanha, recentemente apresentaramm um protótipo de “bateria de sangue“. O dispositivo inovador pode alcançar uma vida útil de 20 a 30 dias.

Na busca por alternativas sustentáveis às opções tradicionais, a “bateria de sangue” sai dos designs tradicionais e utiliza hemoglobina como catalisador para gerar energia elétrica de forma sustentável.

A hemoglobina é um componente chave das células vermelhas do sangue.

Hemoglobina e tecnologia zinco-ar trabalhando juntas

A inédita “bateria de sangue” utiliza zinco-ar, a mais recente tecnologia para armazenamento de energia. Assim, o dispositivo extrai o oxigênio existente no ar para reduzi-lo a água na extremidade positiva, e então liberar eletrodos que oxidam o zinco na extremidade negativa.

Nesse contexto, o papel da hemoglobina é manter a reação acontecendo. Contudo, são necessárias apenas 0,165 miligramas de hemoglobina para garantir uma surpreendente durabilidade de 20 a 30 dias para a bateria, mostram os testes.

“Para ser um bom catalisador na reação de redução de oxigênio, o componente deve ter duas propriedades: absorver rapidamente moléculas de oxigênio e formar moléculas de água com relativa facilidade. E a hemoglobina atendeu a esses requisitos.”

explicou o autor sênior, Manuel Cano Luna, em comunicado.
Cientistas criam 'bateria de sangue' que dura até 30 dias
Diagrama que ilustra como funciona a bateria de sangue. Fonte: García-Caballero et al., Energy & Fuels, 2023 (CC BY 4.0)

Nova bateria traz aplicações revolucionárias 

Na busca por alternativas sustentáveis para as baterias tradicionais, a “bateria de sangue” apresenta uma solução não convencional.

Ao explorar o poder catalítico da hemoglobina, os pesquisadores visam abordar desafios no armazenamento de energia e criar uma opção mais amigável ao meio ambiente, potencialmente substituindo as baterias de lítio.

Com capacidade de operar em um pH semelhante ao do sangue, a novidade aprimora o potencial da bateria para aplicações dentro do corpo humano, como em marcapassos.

Contudo, o protótipo atual não é recarregável. Dessa forma, a equipe de pesquisa deve explorar proteínas que poderiam transformar a água de volta em oxigênio, reiniciando o ciclo de reação. 

Por fim, a dependência de oxigênio da tecnologia zinco-ar torna inadequada essa nova classe de baterias para aplicações espaciais.

Futuro sustentável para o armazenamento de energia?

Apesar de suas limitações atuais, o protótipo da “bateria de sangue” apresenta uma perspectiva inovadora para o armazenamento sustentável de energia.

À medida que os cientistas buscam alternativas para abordar preocupações ambientais associadas às baterias, a tecnologia baseada em hemoglobina oferece uma via de exploração promissora.

Fonte: Energy & Fuels e IFLScience

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