A seguir:
- O Claude em ataque à OpenAI ajudou a explorar uma falha ligada ao processamento de imagens.
- A pesquisa permitiu que a equipe acessasse contas de funcionários e um repositório interno.
- O caso ampliou o debate sobre o uso de modelos avançados em operações de cibersegurança.
Pesquisadores independentes de segurança usaram o Claude, da Anthropic, para explorar falhas nos sistemas da OpenAI. O caso envolveu contas de funcionários, acesso ao Codex e a entrada em um repositório interno de códigos. Apesar da gravidade, a equipe conduziu a ação dentro do programa de recompensas por falhas da empresa.
A startup Hacktron AI reuniu três especialistas para executar os testes. Depois de identificar e combinar duas vulnerabilidades críticas, o grupo informou os detalhes à OpenAI e recebeu uma recompensa de US$ 6.500. A empresa afirma que já corrigiu as brechas encontradas durante a pesquisa.
Claude em ataque à OpenAI começou por uma imagem
O primeiro passo do Claude em ataque à OpenAI ocorreu em 25 de julho. Os pesquisadores encontraram uma falha no Discourse, software de terceiros que alimenta o fórum da comunidade da OpenAI. Curiosamente, uma imagem no formato HEIF ou HEIC abriu o caminho para a invasão.
Quando um usuário envia esse tipo de arquivo ao fórum, o Discourse utiliza diferentes ferramentas para converter a imagem em JPEG. Primeiro, o sistema encaminha o conteúdo ao ImageMagick, programa de código aberto usado para redimensionar e processar imagens. Como a ferramenta não lida diretamente com o formato da Apple, ela recorre à biblioteca libheif.
Nesse ponto, os pesquisadores encontraram um erro de memória. Uma imagem especialmente preparada fazia a biblioteca calcular incorretamente a posição de uma camada sobre outra. A falha permitia inserir instruções maliciosas e assumir o controle do servidor.
Correção existia, mas sistema mantinha versão vulnerável
Os desenvolvedores da libheif já tinham corrigido o problema meses antes. No entanto, ninguém registrou formalmente a falha como uma vulnerabilidade, e ela não recebeu um número CVE, padrão usado pela indústria para identificar e acompanhar problemas conhecidos de segurança.
Consequentemente, o software utilizado pelo Discourse continuava com uma versão vulnerável da biblioteca. O episódio mostra que uma correção disponível nem sempre chega rapidamente a todos os sistemas que dependem daquele componente. A ausência de um alerta formal pode prolongar a exposição de empresas e usuários.
Além disso, o caso reforça o risco presente nas cadeias de fornecedores. Mesmo empresas com estruturas avançadas de proteção utilizam programas, bibliotecas e serviços externos. Portanto, uma falha em apenas um desses elementos pode comprometer outras partes da infraestrutura.
Claude em ataque à OpenAI avançou após atualização
Segundo a Hacktron AI, uma versão especial do Claude Opus 4.8, disponibilizada para pesquisadores de cibersegurança, não conseguiu criar um exploit funcional nas primeiras tentativas. A situação mudou depois que a Anthropic lançou o Claude Opus 5.
A equipe apresentou o mesmo problema ao novo modelo e obteve um resultado bem diferente. Em poucas horas, o Opus 5 encontrou uma forma de explorar a vulnerabilidade. Assim, o Claude em ataque à OpenAI demonstrou como uma atualização pode ampliar rapidamente as capacidades ofensivas de uma inteligência artificial.
Depois de entrar no servidor do Discourse, o grupo identificou uma segunda falha. Essa brecha permitia assumir contas do ChatGPT e do Codex, inclusive perfis pertencentes a funcionários da OpenAI.
Em um dos casos, os pesquisadores acessaram a conta de um funcionário que havia conectado o Codex à organização da OpenAI no GitHub. Com isso, eles alcançaram um repositório interno de software. A equipe interrompeu o avanço e comunicou as descobertas às empresas responsáveis.
OpenAI e Discourse corrigiram as falhas
Os pesquisadores avisaram a OpenAI e o Discourse sobre o problema. Em 27 de julho, o Discourse lançou uma correção. A OpenAI também declarou que resolveu as vulnerabilidades apresentadas pela Hacktron AI.
Embora o episódio tenha ocorrido dentro de um programa autorizado, ele expôs a velocidade com que ferramentas comerciais de inteligência artificial podem apoiar pesquisas ofensivas. Conforme especialistas ouvidos na reportagem original, assinaturas acessíveis já oferecem recursos que antes exigiam conhecimento técnico raro e meses de trabalho.
Ao mesmo tempo, o Claude em ataque à OpenAI não significa que o modelo executou toda a invasão sozinho. Os três pesquisadores definiram o alvo, analisaram os resultados, combinaram as falhas e conduziram a divulgação responsável. Ainda assim, a IA reduziu parte da dificuldade técnica necessária para desenvolver o exploit.
Caso amplia debate sobre segurança de modelos avançados
O episódio reacende o debate sobre os limites aplicados aos modelos com capacidades de cibersegurança. O Claude Opus 5 não enfrentou restrições de exportação, ao contrário do modelo Mythos 5, que sofreu limitações temporárias devido a preocupações relacionadas ao seu potencial para invasões.
Além disso, modelos com pesos abertos também se aproximam dos sistemas mais avançados nesse campo. Essa evolução amplia o acesso a ferramentas poderosas, tanto para defensores quanto para agentes mal-intencionados.
Por fim, o caso serve como alerta para empresas de todos os setores. Atualizações rápidas, acompanhamento de dependências e testes contínuos ganharam ainda mais importância. Se pesquisadores conseguem encontrar falhas em poucos dias com apoio de IA, organizações também precisam usar a tecnologia para acelerar sua própria defesa.


