A farmacêutica dinamarquesa vai testar o Claude Science em pesquisa e desenvolvimento, na terceira aliança de IA do ano, depois de OpenAI e AWS.
A seguir:
- O que a Novo Nordisk vai fazer com a IA da Anthropic
- Por que a farmacêutica já soma três parcerias de IA em 2026
- O que o acordo não revela e as dúvidas que ficam
A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, anunciou nesta quarta-feira (16) uma colaboração com a Anthropic, criadora do Claude. Segundo o comunicado oficial da Novo Nordisk, o objetivo é acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos e ampliar o uso de IA na criação de software.
Na prática, as duas empresas vão atacar gargalos de descoberta de remédios apontados pelos cientistas da Novo. Como primeiro passo, a farmacêutica vai testar o Claude Science em fluxos específicos de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
O que prevê a parceria entre Novo Nordisk e Anthropic
O acordo tem duas frentes. Na primeira, as equipes científicas e computacionais da Novo vão definir problemas de pesquisa. Em seguida, as empresas vão desenvolver soluções sob medida para esses fluxos, com foco em raciocínio biológico.
Na segunda frente, a Novo vai usar os modelos da Anthropic para fortalecer o desenvolvimento de software com IA. A empresa trata essa área como peça-chave para escalar a tecnologia em toda a companhia.
Segundo o comunicado, a colaboração inclui governança de dados e supervisão humana, alinhadas às regras de ética e compliance da farmacêutica. O CEO Mike Doustdar afirmou que a IA pode elevar a produtividade em P&D e reduzir o tempo entre a pesquisa e a chegada de um remédio ao mercado.
Já Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, disse que a IA tem potencial de “comprimir um século de avanços biológicos e médicos em uma década”.
O que é o Claude Science
O Claude Science foi lançado em 30 de junho de 2026. De acordo com o anúncio da Anthropic, trata-se de um aplicativo que reúne as ferramentas mais usadas por pesquisadores, gera resultados auditáveis e dá acesso flexível a poder computacional.
A plataforma se conecta a mais de 60 bases de dados científicas. Além disso, traz kits prontos para genômica, proteômica, biologia estrutural e quimioinformática. Um agente de revisão confere citações e cálculos antes de qualquer resultado final.
No entanto, o Claude Science não é um novo modelo de IA. A ferramenta roda sobre os mesmos modelos Claude já disponíveis ao público. Ela está em fase beta para assinantes dos planos Pro, Max, Team e Enterprise.
Terceira aposta de IA da Novo em 2026
A Anthropic não é a única parceira. Em 14 de abril, a Novo anunciou uma parceria estratégica com a OpenAI. O objetivo era analisar dados complexos, identificar candidatos a medicamentos e encurtar o caminho da pesquisa até o paciente.
Em agosto, veio um acordo com a Amazon Web Services (AWS), que criou um centro de coinovação em Londres. Dessa forma, a Novo distribui suas apostas entre vários fornecedores de IA, sem exclusividade aparente.
A corrida é setorial. A Anthropic já tinha fechado acordo com a Bristol-Myers Squibb para uso do Claude em pesquisa. Do outro lado, a OpenAI também avança em saúde, como mostrou o TechCripto quando a empresa levou o ChatGPT para o campo da saúde.
Pressão no Brasil e as dúvidas que ficam
A busca por novos medicamentos ganha peso num momento delicado para a Novo. No Brasil, a patente da semaglutida expirou em 20 de março, segundo a Agência Brasil. A substância é o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.
Desde então, a Anvisa passou a registrar versões concorrentes. Em agosto, a EMS obteve o registro do primeiro genérico de semaglutida do país. A própria Novo informou à SEC que espera impacto negativo nas vendas de 2026 com a perda de exclusividade em alguns mercados.
Contudo, ainda há incertezas sobre o impacto real da IA na criação de remédios. Qualquer candidato a medicamento continua dependendo de testes clínicos e aprovação regulatória. Inclusive, no lançamento do Claude Science, Amodei admitiu que a empresa não sabe com certeza se a aposta vai funcionar.
Por fim, o acordo mostra para onde a indústria farmacêutica está olhando. O teste real virá quando descobertas feitas com IA chegarem aos ensaios clínicos e, depois, às farmácias.


