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CoinEx Research: como recompras do Tesouro alimentam o Bitcoin

CoinEx Research analisa como recompras do Tesouro dos EUA, queda de yields e liquidação de US$ 1 bilhão em posições vendidas impulsionaram o Bitcoin.

CoinEx Research: como recompras do Tesouro alimentam o Bitcoin

Em 19 de agosto, o Tesouro dos EUA anunciou ampliação de um programa de recompra de títulos públicos. Naquele mesmo dia, o Bitcoin disparou de pouco acima de US$ 64 mil para acima de US$ 69 mil. Posições vendidas foram liquidadas em massa. Até sexta-feira, o Bitcoin já era negociado acima de US$ 77 mil.

A seguir:

  • Tesouro dos EUA dobra limite de recompras de títulos para US$ 4 bilhões; Bitcoin salta de US$ 64 mil para US$ 77 mil
  • Liquidação de US$ 1 bilhão em posições vendidas em uma hora, maior onda desde 2021
  • Queda em yields de longo prazo e enfraquecimento do dólar abrem espaço para ativos de risco

A sequência de eventos foi brutal. A CoinEx Research, área de pesquisa da exchange CoinEx, mapeou os drivers do movimento e explicou por que a alta pode persistir além das liquidações técnicas.

O anúncio do Tesouro: não é QE

Na tarde de 18 de agosto, o rendimento dos Treasuries de 30 anos havia atingido 5,34%, o nível mais alto em 19 anos. Investidores fugiram de ativos de risco. Títulos corporativos, stablecoins e Bitcoin sofreram pressão.

Na manhã seguinte, o Tesouro surpreendeu: compraria mais títulos públicos de prazo longo entre setembro e início de novembro. O limite por operação subiria para pelo menos US$ 4 bilhões, ante US$ 2 bilhões anteriormente, para títulos com 10 a 20 anos e 20 a 30 anos restantes até vencimento.

Como funciona: cada leilão do Tesouro cria um novo título de referência. Emissões antigas seguem sendo negociadas depois, mas com spreads maiores e menos demanda, traders chamam de “off-the-run securities”. As recompras aumentam a demanda por esses títulos antigos, elevam seus preços, reduzem spreads e diminuem o prêmio de rendimento exigido para manter um papel menos líquido.

Importante: o Tesouro financia essas recompras com impostos e emissão de dívida pública, não via criação de reservas pelo Federal Reserve. Portanto, não é quantitative easing (QE). Autoridades do Tesouro afirmaram que cada dólar utilizado nas recompras exige outro dólar em novos empréstimos do governo. A operação não altera a base monetária nem o total da dívida federal. Apenas muda a composição de quem a segura.

A queda nos yields e o disparo do Bitcoin

O impacto foi imediato. O rendimento do Treasury de 10 anos caiu de aproximadamente 4,71% para 4,64% em 19 de agosto. O rendimento do Treasury de 30 anos registrou queda de cerca de 14 pontos-base (0,14 ponto percentual) a partir do pico anterior.

Com yields caindo, o ouro subiu, o dólar enfraqueceu e o Bitcoin rompeu o topo de uma faixa de negociação de seis semanas.

Em aproximadamente uma hora, mais de US$ 1 bilhão em posições vendidas de Bitcoin foram liquidadas, a maior onda desse tipo nos registros da CoinGlass desde 2021. Até sexta-feira, as liquidações ultrapassaram US$ 4 bilhões em criptomoedas no geral, com Bitcoin liderando.

O movimento foi brutal: o Bitcoin saiu de pouco acima de US$ 64 mil para acima de US$ 69 mil naquele dia. Na sexta, já era negociado acima de US$ 77 mil.

Por que rendimentos de longo prazo chegam ao Bitcoin

Rendimentos de títulos estabelecem uma referência de retorno para investidores. Quando juros reais sobem, ativos que geram fluxo de caixa (bonds, ações com dividend yield) e títulos públicos tornam-se mais competitivos contra Bitcoin e ouro. Rendimentos menores reduzem esse custo de oportunidade.

Rendimentos de longo prazo também influenciam hipotecas, empréstimos corporativos e as taxas de desconto na avaliação de ações. Uma queda sustentada alivia condições financeiras gerais e enfraquece o dólar, fatores que favorecem preços de criptomoedas. Bitcoin reage rapidamente porque é negociado continuamente e derivativos representam parcela significativa da atividade.

Os rendimentos combinam: expectativas para futuras taxas do Fed + compensações por inflação + elevado endividamento do governo + risco de preço + liquidez de negociação.

As recompras do Tesouro atuam principalmente sobre o último fator, a liquidez. Títulos antigos ficam mais fáceis de negociar, o prêmio de liquidez exigido pelos investidores cai. Mas a medida não altera a trajetória esperada da política monetária do Fed nem elimina riscos fiscais e inflacionários.

Esse limite ficou evidente já no dia 20 de agosto: o rendimento do Treasury de 10 anos voltou para aproximadamente 4,69%, enquanto o de 30 anos subiu para 5,23%, recuperando parte da queda.

O que sustenta a alta além das liquidações

Fechamentos de posições vendidas elevam preços rapidamente, mas esse movimento termina quando traders encerram suas posições. Para que a alta continue, compradores no mercado à vista precisam continuar comprando mesmo após a onda de liquidações.

Os fluxos dos ETFs de Bitcoin à vista podem ajudar a diferenciar se há nova demanda real ou apenas compras impulsionadas por derivativos.

Rendimentos de longo prazo são outra variável crítica. Se os títulos de 10 e 30 anos permanecerem abaixo das máximas de agosto após o início das recompras em 9 de setembro, Bitcoin seguirá se beneficiando de taxas de desconto mais baixas e dólar mais fraco.

Um retorno aos níveis máximos reduziria grande parte desse suporte. A reconstrução de posições alavancadas também aumentaria o tamanho de uma eventual reversão, especialmente em altcoins.

Contexto político

O presidente Trump também pressionou o Congresso naquele dia a avançar com legislação sobre criptomoedas. Reguladores propuseram estrutura para ofertas de criptoativos. Executivos de empresas do setor visitaram a Casa Branca.

A alta semanal de mais de 20% do Bitcoin refletiu esses acontecimentos em conjunto: rendimentos mais baixos, enfraquecimento do dólar, fechamento forçado de posições vendidas e sinalização política positiva para o setor.

Próximas datas críticas

As primeiras operações maiores de recompra do Tesouro estão programadas para começar em 9 de setembro e seguem até 4 de novembro. O comportamento dos rendimentos de longo prazo durante esse período será determinante para sustentar o momentum de Bitcoin.

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